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Só um a cada quatro deputados eleitos cumprirá mandato pela primeira vez

por Nathália Afonso
10.out.2018 | 10h01 |

Apenas 23,6% dos 513 deputados eleitos para a próxima legislatura da Câmara são, de fato, novos – ou seja, cumprirão um mandato eletivo pela primeira vez a partir de fevereiro de 2019. Alguns deles já haviam concorrido a cargos no legislativo ou no executivo, até mesmo em seus estados de origem, mas nunca foram eleitos. Entre os novatos da Câmara há, também, três ex-ministros: Alexandre Padilha (PT-SP), Marcelo Calero (PPS-RJ) e Marcos Pereira (PRB-SP). Veja a situação de todos os deputados eleitos aqui.

A legislatura que se inicia no ano que vem é a que terá o menor percentual de deputados federais reeleitos desde 1994: 48% deles já cumpre mandato na Casa. O número pode parecer alto, mas já chegou a 56,1% em 1998. Na última eleição, em 2014, esse percentual foi de 53%.

Muitos dos que se elegeram para a Câmara já são conhecidos na política. É o caso de 108 dos deputados que assumem cadeiras em 2019 – 21,1% do total. Alguns, como o mineiro Aécio Neves (PSDB) e a atual presidente do PT, Gleisi Hoffmann, deixarão o Senado para passar a cumprir expediente na Câmara em 2019. Outros deixam os legislativos estaduais ou municipais e rumam a Brasília para seus primeiros mandatos como congressistas federais a partir do ano que vem.

Além disso, 38 deputados eleitos voltam à política após a eleição deste ano. Entre eles, estão alguns nomes famosos e tradicionais, como Ângela Amin, ex-prefeita de Florianópolis e mulher do senador eleito por Santa Catarina Esperidião Amin, Gustavo Fruet, ex-prefeito de Curitiba, e Camilo Capiberibe, ex-governador do Amapá e filho de João Capiberibe, senador pelo mesmo estado.

Número de deputadas bate recorde

A bancada feminina da Câmara será a maior da história na próxima legislatura. O número de deputadas eleitas chegou a 77, o que representa 15% das cadeiras da Casa, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Entre elas está a primeira mulher indígena a ser eleita para o cargo de deputada federal no Brasil: Joênia Wapichana, de Roraima, se elegeu pela Rede.

Mesmo com esse crescimento, três estados não terão mulheres entre seus representantes na Câmara a partir de 2019: Maranhão, Sergipe e Amazonas. O Distrito Federal foi a unidade da federação com a bancada mais feminina, proporcionalmente – são cinco deputadas entre oito congressistas eleitos para a próxima legislatura.

Atualmente, há 51 mulheres cumprindo mandato na Câmara, o que representa 10% dos congressistas.

80% dos deputados concluíram o ensino superior

Segundo a Câmara, 415 dos 513 deputados eleitos têm ensino superior completo, o que representa 80,9% dos políticos que assumirão na próxima legislatura. O percentual se mantém próximo ao da última eleição, quando 410 congressistas tinham ensino superior completo, o que correspondia a 80% da Casa. Outros 7,21% dos eleitos no último domingo têm ensino superior incompleto.

Os deputados com ensino médio completo correspondem a 8,38% do total, enquanto os que não terminaram o ensino médio são 0,39% – só dois deputados. Dez (1,95%) dos novos congressistas concluíram apenas o ensino fundamental e cinco (0,97%) não chegaram a completar o fundamental. Um dos deputados eleitos declarou que apenas lê e escreve.

Partido de Bolsonaro terá 2ª maior bancada

Em 2019, o Partido Social Liberal (PSL) será a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados – saltou dos atuais oito para 52 deputados. O partido tinha eleito apenas um deputados em 2010 e outro em 2014, mas a bancada atual aumentou com as trocas de sigla permitidas pela legislação eleitoral.

A maior bancada se mantém a do PT, que elegeu 56 deputados. No entanto, o número de congressistas da legenda vem diminuindo: em 2010, 86 deputados foram eleitos, e, em 2014, 68. Atualmente, o PT conta com 61 deputados.

PSDB é o partido que mais perdeu vagas na Casa

Os partidos do chamado “centrão” foram os que mais perderam deputados na eleição de 2018. Apenas o PSDB começará a legislatura em fevereiro com 20 cadeiras a menos do que as atuais 49. O MDB perdeu 17 deputados, enquanto o DEM ficou com 14 congressistas a menos, e o DEM, com 13 a menos do que atualmente.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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