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RJ: em debate, Paes subestima dívida, e Witzel se contradiz sobre mudança quando era juiz

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.out.2018 | 17h00 |

Na corrida pelo governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) participaram nesta quinta-feira (11) do primeiro debate do segundo turno das eleições. A Lupa checou algumas das declarações dadas no evento, organizado pela BandNews e pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Veja o resultado:

“Deixamos a dívida [da prefeitura do Rio] com a União em R$ 750 milhões”
Eduardo Paes, candidato ao governo do RJ pelo DEM, durante debate promovido pela BandNews e pela Firjan, no dia 10 de outubro de 2018

SUBESTIMADO

De acordo com o sistema do Banco Central para monitoramento da dívida de estados e municípios com a União, a dívida do município do Rio de Janeiro no último mês de mandato de Eduardo Paes na prefeitura (dezembro de 2016) era de R$ 923,2 milhões – quase 20% maior do que o valor citado pelo candidato.

Procurado, Paes afirmou que se referia a uma negociação feita em dezembro de 2015, na qual conseguiu “reduzir a dívida em 85%, baixando de R$ 6,5 bilhões para R$748 milhões.”


“Vou criar a secretaria de Integridade Pública”
Eduardo Paes, candidato ao governo do RJ pelo DEM, durante debate promovido pela BandNews e pela Firjan, no dia 10 de outubro de 2018

DE OLHO

Em pelo menos duas ocasiões, Eduardo Paes defendeu a criação de uma secretaria estadual de Integridade Pública. Em agosto, na campanha do primeiro turno das eleições, afirmou que a nova pasta teria a função de criar sistemas de controle de corrupção e de desvios de conduta de agentes públicos. O candidato também anunciou que uma de suas metas, caso seja eleito, é colocar o Rio de Janeiro na primeira posição do ranking de transparência do Ministério Público Federal.


“Quis ir [trabalhar] para a Vara de Execução Fiscal (…) para melhorar meus estudos. (…) Eu nunca fui intimidado por quem quer que seja”
Wilson Witzel, candidato ao governo do RJ pelo PSC, durante debate promovido pela BandNews e pela Firjan, no dia 10 de outubro de 2018

CONTRADITÓRIO

Em 2011, em entrevista ao G1, Witzel relatou que foi ameaçado de morte duas vezes por conta de seu trabalho como juiz da Vara de Execuções Criminais nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.  À reportagem, disse: “Eles [criminosos] conseguiram me intimidar e isso me fere profundamente. Eles intimidaram um juiz federal. Desde que comecei a ser ameaçado, nunca mais deixei de usar colete à prova de balas.”

Witzel disse, ainda, que deixou a Vara Criminal porque a segurança de sua família estava ameaçada – e não “para melhorar seus estudos” na Vara Fiscal, como citou no debate da última quinta (11). “Minha segurança e da minha família estava à mercê dos bandidos. Foi ali que eles me venceram e eu deixei a Vara Criminal”, contou ao G1 em 2011.

No debate entre candidatos ao governo do RJ realizado pela Record, em setembro, o ex-juiz já havia dado uma versão diferente para a mudança: “vim para cá [Vara de Execuções Fiscais no Rio de Janeiro] porque a Justiça Federal não tinha condição de dar segurança para minha família.”

Procurada, a assessoria de Witzel disse que o candidato “recebeu ameaças de morte”, “comunicou as autoridades competentes e recebeu apoio da Seção Judiciária do Espírito Santo.” A assessoria afirmou, ainda, que “ele então solicitou a transferência para a Vara de Execuções Fiscais, que era uma área na qual queria se aprofundar dentro da Magistratura.”


“O Rio de Janeiro é mais violento do que o Espírito Santo”
Wilson Witzel, candidato ao governo do RJ pelo PSC, durante debate promovido pela BandNews e pela Firjan, no dia 10 de outubro de 2018

VERDADEIRO

De acordo com o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado neste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro tem índices de criminalidade maiores do que os do Espírito Santo. Em 2017, por exemplo, a taxa de mortes violentas intencionais a cada 100 mil habitantes foi de 40,4 no Rio de Janeiro, e de 37,4 no Espírito Santo. Os dois estados registraram taxas superiores à média nacional (30,8 casos a cada 100 mil habitantes).

Esse índice é o resultado das somas dos homicídios dolosos, policiais mortos fora de ou em serviço, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e homicídios decorrentes de ação policial. Vale destacar que as taxas de mortes violentas intencionais dos dois estados cresceram com relação a 2016. Naquele ano, o Espírito Santo teve 32,9 casos a cada 100 mil habitantes, e o Rio de Janeiro, 37,6 a cada 100 mil.

Editado por: Natália Leal

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VERDADEIRO
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AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
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