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No SBT, Bolsonaro erra ao comentar plano de governo de Haddad e Código Penal

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.out.2018 | 21h30 |

Nesta terça-feira (16), o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) concedeu entrevista ao telejornal SBT Brasil, do SBT. Por recomendação médica, o deputado federal decidiu não participar dos debates desta semana. Bolsonaro comentou o plano de governo de Fernando Haddad (PT) e falou sobre sua relação com o economista Paulo Guedes. Na quarta-feira, Haddad será entrevistado no mesmo programa.

A Lupa checou algumas das falas de Bolsonaro. Veja o resultado:  

“O outro lado que está disputando comigo [Haddad] diz, em seu próprio plano de governo, diz [que vai exercer] controle social da mídia”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

FALSO

O plano de governo de Fernando Haddad fala em um “novo marco regulatório da comunicação social eletrônica”, mas não cita “controle social da mídia”. “As comunicações devem ser livres da ação de controle das autoridades e governantes, impedindo todo e qualquer tipo de censura, mas também da dominação de alguns poucos grupos econômicos”, diz o plano, que fala em promover reformas no sentido de “democratizar largamente a comunicação social e impedir que beneficiários das concessões públicas e controladores das novas mídias restrinjam o pluralismo e a diversidade”.

Procurado, o candidato não retornou.


“[O plano de governo de Haddad propõe] Aumentar o imposto para pessoa física”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

A proposta tributária de Haddad fala no aumento de impostos para pessoa física, mas somente para o que chama de “super ricos”. Segundo o plano do candidato, pessoas que ganham até cinco salários mínimos estarão isentas do tributo. Em compensação, os mais ricos deverão pagar mais impostos a faixa de valor não é especificada. O projeto de reforma tributária do candidato petista também fala na unificação “gradual” dos “impostos indiretos” em um único imposto sobre valor agregado (IVA), visando a simplificação do sistema, e na cobrança de impostos sobre lucros e dividendos.


“[O plano de governo de Haddad propõe] Criar mais estatais”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

FALSO

O plano de governo de Haddad não fala na criação de nenhuma nova empresa estatal. O programa propõe “suspender a política de privatização de empresas estratégicas” e o fortalecimento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), mas não cita a criação de novas empresas.

Procurado, o candidato não retornou.


“Eu levo sugestões, e ele [Paulo Guedes] que decide”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

CONTRADITÓRIO

Apesar de afirmar que Paulo Guedes terá autonomia na política econômica em seu governo, Bolsonaro desautorizou fala de seu futuro ministro da Fazenda recentemente. Em setembro, Guedes disse, em evento fechado com investidores, que iria criar um tributo semelhante à extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Bolsonaro, que ainda estava no hospital se recuperando do atentado que sofreu, afirmou, pelo Twitter, que não criaria novos impostos. “Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!”, publicou.

Procurado, o candidato não retornou.


“O policial, hoje em dia, tem que esperar o bandido atirar para reagir (…). Por isso queremos mexer no Código Penal”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

FALSO

O Código Penal não impede que um policial atire em um criminoso que coloque a segurança dele ou de terceiros em risco, independentemente de este criminoso atirar antes ou não. O policial, assim como qualquer cidadão, tem direito à legítima defesa, prevista no Código Penal. De acordo com o artigo 25, “entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.” Ou seja, o próprio código penal já prevê que o policial pode atirar para evitar uma ação violenta que está prestes a acontecer.

Um exemplo é o caso da policial militar Katia Sastre, que reagiu a um assalto na porta da escola de sua filha e matou o assaltante antes que ele atirasse. Além de ser homenageada pelo governador de São Paulo, Márcio França, pelo seu ato, Katia foi eleita deputada federal pelo Partido Republicano. Com 264.013 votos, ela teve a sétima maior votação no Estado.

Procurado, o candidato não retornou.

Editado por: Natália Leal

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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