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Governo DF: erros e acertos de Ibaneis e Rollemberg em debate do Metrópoles

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.out.2018 | 15h00 |

Ibaneis Rocha (MDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB), que disputam o segundo turno da eleição para o governo do Distrito Federal, participaram, na noite da quarta-feira (17), de um debate promovido pelo portal Metrópoles. O encontro, que durou cerca de uma hora, foi marcado por agressões e xingamentos. A Lupa checou algumas das falas deles durante o debate. Veja o resultado:

“Dobramos o número de cirurgias no Instituto Hospital de Base, desde que [ele] foi criado”
Rodrigo Rollemberg (PSB)

FALSO

Segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS, a média mensal de procedimentos cirúrgicos realizados neste ano no Instituto Hospital de Base (IHB) é menor do que a dos últimos dois anos. Em 2018, quando o Hospital de Base do Distrito Federal passou a ser gerido pelo modelo do IHB, foram realizadas 615 cirurgias por mês (de janeiro a agosto). Em 2017, foram 688 cirurgias mensais – um total de 8.257 procedimentos no ano. Em 2016, a média mensal foi de 704 cirurgias, o que totalizou 8.452 procedimentos naquele ano. Ou seja: o número de cirurgias não só não dobrou, como diminuiu desde que o Hospital de Base passou a ser administrado como IHB.

Procurada, a assessoria de Rollemberg enviou números de um sistema interno de gestão do IHB. Segundo esse sistema, em dezembro de 2017, foram feitos 518 procedimentos cirúrgicos, enquanto em agosto deste ano, foram 946 – 90 cirurgias a menos do que “o dobro”, como cita o candidato. Além disso, a comparação entre meses distintos de forma isolada não é adequada, por não desconsiderar efeitos de sazonalidade.


“Como você [Ibaneis Rocha] consegue dormir depois de ter retirado R$ 3 milhões das crianças de Jacobina (…)?”
Rodrigo Rollemberg (PSB)

AINDA É CEDO PARA DIZER

Rollemberg se referia a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra o candidato Ibaneis Rocha por suposto superfaturamento e dano ao erário. O candidato do MDB é acusado de receber do município de Jacobina, na Bahia, R$ 3.316.244,85 em honorários advocatícios de forma irregular. Segundo a ação, o valor utilizado para pagar o escritório de Ibaneis saiu do Fundef, o que é considerado irregular pela Justiça. Também são alvos do processo quatro advogados parceiros do político e seu escritório de advocacia.

Em junho, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região bloqueou o valor em questão da conta de Ibaneis. Mais tarde, o bloqueio foi substituído pela hipoteca de um imóvel de propriedade do candidato, que pode ir a leilão. No entanto, Ibaneis não foi condenado neste processo. Atualmente, o caso ainda tramita no TRF-1. Veja mais aqui.

Procurada, a assessoria de Rollemberg disse que o candidato não afirmou que Ibaneis tinha sido condenado, “e sim que foi acusado pelo MPF”.


“Já tive minhas contas de 2015 e 2016 aprovadas”
Rodrigo Rollemberg (PSB)

VERDADEIRO, MAS

De fato, o Tribunal de Contas do Distrito Federal aprovou as contas dos dois primeiros anos do mandato do governador e candidato Rodrigo Rollemberg. Contudo, em ambos os anos, as contas foram aprovadas com ressalvas pelo órgão (aqui e aqui).

Procurada, a assessoria de Rollemberg disse que a aprovação das contas com ressalvas “é um procedimento comum”.


“Tivemos a maior redução no número de homicídios do Brasil (…). Quem reconhece (…) é o Fórum Brasileiro de Segurança Pública”
Rodrigo Rollemberg (PSB)

VERDADEIRO

De acordo com o último anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as mortes violentas intencionais (resultado da soma de homicídios dolosos, mortes decorrentes de ações policiais, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) tiveram queda de 32,3% durante a gestão de Rollemberg. Foram 767 ocorrências em 2014 contra 554 em 2017. Essa, de fato, foi a maior redução do índice no Brasil – seguida por Mato Grosso, que apresentou uma queda de 27,6% no número de mortes violentas.


“O senhor [Rollemberg] foi eleito junto com o Agnelo [Queiroz]”
Ibaneis Rocha (MDB)

VERDADEIRO

Em 2010, Rollemberg foi eleito senador pelo PSB com o apoio de 11 partidos, entre eles o PT, do então candidato a governador Agnelo Queiroz. O MDB, partido no qual Ibaneis é filiado, também fazia parte da chapa.


“Foi eleito junto com o [José Roberto] Arruda”
Ibaneis Rocha (MDB)

FALSO

José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, e Rodrigo Rollemberg nunca dividiram chapa. Em 1998, Rollemberg foi eleito deputado distrital. Seu partido, o PSB, apoiou a candidatura de Cristovam Buarque, então no PT. Arruda, que era senador pelo PSDB, foi candidato a governador e ficou em terceiro lugar.

Em 2002, foi a vez de Rollemberg ficar em terceiro lugar na disputa pelo governo do DF. O PFL, então partido de Arruda, apoiou Joaquim Roriz (PMDB), que acabou eleito. Naquele ano, Arruda se elegeu deputado federal.

Em 2006, Rollemberg foi eleito deputado federal em chapa que apoiou Arlete Sampaio (PT) para o governo. Arruda foi eleito governador pelo DEM.

Em 2010, Rollemberg foi eleito senador e apoiou o petista Agnelo Queiroz. Arruda não foi candidato, mas seu partido apoiou Weslian Roriz (PSC). Por fim, em 2014, Rollemberg se elegeu governador. Arruda tentou disputar, pelo PR, mas sua candidatura foi indeferida. Posteriormente, ele apoiou Jofran Frejat (PR).

Procurado, Ibaneis não retornou.


“Eu pedi o impeachment do Temer como presidente da Ordem [dos Advogados do Brasil, OAB] e como dirigente do Conselho Federal”
Ibaneis Rocha (MDB)

EXAGERADO

Em 2017, o Conselho Federal da OAB ingressou com um pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer. Desde 2016, Ibaneis é um dos 78 integrantes do Conselho, mas não preside a instituição – o cargo é exercido por Claudio Lamachia. O candidato a governador presidiu a seccional do Distrito Federal da OAB, entre 2013 e 2015, mas nunca chegou a presidente nacional da Ordem.

Procurado, Ibaneis não retornou.


“Compras para a casa [Residência Oficial de Águas Claras], que são da ordem de R$ 1 milhão, só para alimentar a ele [Rollemberg], sua família e os servidores que ficam na casa”
Ibaneis Rocha (MDB)

EXAGERADO

Segundo o Portal da Transparência do Governo do Distrito Federal, o governo não chegou a gastar mais do que R$ 200 mil com alimentos para a Residência Oficial de Águas Claras em nenhum ano da gestão de Rollemberg. Em 2015, o gasto total com material de consumo para a casa foi de R$ 186,2 mil. Em 2016, esse gasto caiu para R$ 16,5 mil. Em 2017, o valor subiu novamente para R$ 113,9 mil empenhados, dos quais R$ 107,8 mil foram efetivamente pagos.

Por fim, em 2018, o governo do Distrito Federal empenhou R$ 198,8 mil, sendo que R$ 24 mil foram efetivamente pagos até agora. No total, foram empenhados R$ 516 mil em quatro anos – um pouco mais da metade do valor mencionado por Ibaneis. Do total empenhado, R$ 335,1 mil já foram efetivamente pagos.

Procurado, Ibaneis não respondeu.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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