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Entre acusações, erros e acertos de Doria e França no debate da Band em SP

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.out.2018 | 12h00 |

João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), que disputam o segundo turno pelo governo de São Paulo, participaram do debate promovido pela Band na noite desta quinta-feira (18). Em duas horas, os candidatos trocaram acusações e falaram sobre suas propostas. A Lupa checou algumas de suas falas. Veja:

“SP tem mais de 400 mil alunos cursando ensino universitário público gratuito”
Márcio França (PSB)

EXAGERADO

Segundo a Sinopse Estatística do Ensino Superior, do Inep, em 2017, a rede pública de ensino superior de São Paulo tinha 307.160 matrículas, contanto cursos presenciais e a distância. Dessas matrículas, 208.508 eram na rede estadual. A rede privada de ensino superior do estado naquele ano tinha 1.686.673 alunos.

Procurado, França não retornou.


“Temos, em SP, 101 hospitais”
Márcio França (PSB)

SUBESTIMADO

Dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil, do Ministério da Saúde, mostram que o estado de São Paulo tem 169 hospitais estaduais – 68 a mais do total citado pelo candidato do PSB no debate. A rede paulista é atualmente composta por 52 hospitais especializados, 108 hospitais gerais e nove hospitais dia.  

Atualizado às 20h do dia 19 de outubro de 2018: Em nota, a assessoria de imprensa do candidato declarou que o número citado inclui hospitais que recebem recursos da Secretaria de Saúde, mas não são de propriedade do estado, incluindo hospitais filantrópicos e Santas Casas.


“70% da capital [de São Paulo] vota em mim”
Márcio França (PSB)

EXAGERADO

A pesquisa Ibope mais recente, divulgada na última quarta-feira (17), apontou que, na cidade de São Paulo, França tem 63% das intenções de voto e lidera a disputa. Não chega, portanto, aos 70% que ele menciona. Doria, que deixou a prefeitura da capital um ano e cinco meses após assumir o mandato, tem 37% das intenções de voto. Considerando todo o estado, os dois estão em empate técnico: Doria aparece com 52%, e França, com 48% da preferência do eleitorado.

No primeiro turno da eleição, realizado no dia 7 de outubro, Doria ficou em primeiro lugar na capital, com 26,3% dos votos. França, por sua vez, conquistou 22,1% dos eleitores paulistanos.

Procurado, França não retornou.


“Ele [ex-presidente Lula] emprestou R$ 44 milhões do BNDES para você [João Doria] comprar um jatinho”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO, MAS

Em 2010, a empresa Doria Associados Consultoria e Comunicação Ltda. tomou um empréstimo de R$ 44 milhões do BNDES. A informação consta no Portal da Transparência do banco. Não consta na página, porém, a finalidade desse empréstimo. O site Poder360 noticiou que se tratava de um jatinho. À época, a informação não foi negada nem confirmada pelo atual candidato do PSDB ao governo de SP. A Lupa procurou Doria para que ele comentasse essa checagem, mas ele não retornou.


“Você colocou essa OS [a Organização Social Adesaf] para trabalhar para você [na prefeitura de São Paulo]. O PT contratou. Você manteve”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO

Em 2016, a prefeitura de São Paulo, então governada por Fernando Haddad (PT), contratou a Organização Social (OS) Adesaf para gerenciar parte do programa Braços Abertos, destinado ao tratamento de usuários de crack. A Adesaf geria o Programa Operação Trabalho, que buscava a reinserção de usuários de crack em recuperação no mercado de trabalho. O valor do convênio foi de R$ 9,1 milhões. Em 2017, já na gestão de João Doria, a prefeitura prorrogou o contrato por mais três meses, pagando R$ 1,3 milhão. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a Adesaf teria ligações com dirigentes do PSB, partido de Márcio França.


“[A lei orçamentária para 2019 está] Reduzindo para 17% o valor para a segurança pública”
João Doria (PSDB)

FALSO

O orçamento de 2018 destina R$ 21,5 bilhões à Secretaria de Segurança Pública. Para 2019, o Projeto de Lei Orçamentária prevê R$ 21,9 bilhões. Isso representa, em valores nominais, um aumento de 1,6% – não uma redução, como afirmou o candidato. A assessoria do candidato declarou que Doria se referia, especificamente, à verba destinada a modernização da segurança pública, não ao orçamento total da pasta. O valor desse programa, especificamente, caiu de R$ 1,674 bilhão para R$ 1,382 bilhão, 17%.


“Temos um déficit [de vagas no sistema prisional de SP] de 60%”
João Doria (PSDB)

EXAGERADO

Segundo o sistema Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça, SP tinha 232.599 presidiários em agosto deste ano, e o déficit era de 103.075 vagas. Assim, o déficit é de 44% – e não de 60%, como citado pelo candidato. Assessoria do candidato, em nota, citou números de matéria da CBN de 2017.


“Só em SP, [são] 5 milhões de desempregados”
João Doria (PSDB)

EXAGERADO

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnadc/T), do IBGE, no segundo trimestre de 2018, dado mais recente disponível, SP tinha 3,436 milhões de desempregados. Em nota, a assessoria do candidato declarou que incluiu nessa conta, também, “2.2 milhões de pessoas ocupadas cuja situação de desemprego está oculta pelo trabalho precário sem registro formal de emprego”.


“Você [Márcio França] mandou a peça [lei] orçamentária [à Assembleia Legislativa] com corte de 27% nos recursos para a Secretaria da Agricultura [para 2019]”
João Doria (PSDB)

VERDADEIRO

O orçamento de 2018 destina R$ 1,075 bilhão à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Para 2019, o Projeto de Lei Orçamentária prevê R$ 784,7 milhões. Isso, de fato, representa uma redução de 27%.


“Você [França], no governo Lula, votou a favor da CPMF”
João Doria (PSDB)

VERDADEIRO

Em 19 de setembro de 2007, a Câmara votou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 558, que prorrogava até 2011 a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). França era deputado federal à época e votou a favor da prorrogação. A proposta foi aprovada pela Câmara, mas acabou sendo rejeitada no Senado. A CPMF foi um imposto provisório sobre transações financeiras aplicado entre 1997 e 2007.

Editado por: Natália Leal

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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