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Governo do RJ: Seis verdades ‘inconvenientes’ para Paes e Witzel

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.out.2018 | 07h02 |

Ao longo do período eleitoral, algumas verdades sobre os candidatos que disputam o segundo turno ao governo do Rio de Janeiro foram ditas em meio a acusações em debates. Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC) trocaram farpas entre si, mas também foram mencionados por outros concorrentes, ainda no primeiro turno, em diversos casos – desde suspeita de corrupção até ligações com políticos investigados ou condenados.

Antes da votação do segundo turno, a Lupa reuniu as críticas verdadeiras relacionadas aos dois candidatos que concorrem ao Palácio Guanabara. Veja o resultado:

As verdades sobre Eduardo Paes

“O Pezão declarou voto em você [Eduardo Paes]”

Wilson Witzel (PSC), candidato ao governo do RJ, em debate da Band no dia 18 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo no dia 1º de agosto, o atual governador do RJ, Luiz Fernando Pezão (MDB), declarou voto em Eduardo Paes (DEM) na disputa ao governo do estado. Apesar disso, não participou de nenhum horário eleitoral dele nem fez qualquer declaração pública de apoio ao ex-correligionário. A Lupa procurou a campanha de Paes, mas ele não retornou.


“É você que financia os filhos [de Jorge Picciani]. Rafael Picciani foi seu secretário”

Wilson Witzel (PSC), candidato ao governo do RJ, em debate da Band no dia 18 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o comitê de campanha de Eduardo Paes (DEM) fez doações para a campanha de Leonardo Picciani (MDB), filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani. Ao todo, o candidato recebeu neste ano R$ 1.928. Além disso, no primeiro mandato de Paes na prefeitura do Rio, Leonardo Picciani ocupou a Secretaria de Estado de Habitação. Em 2011, foi substituído por seu irmão Rafael Picciani (PMDB). Em 2014, já no segundo mandato de Paes, Rafael voltou à administração municipal: assumiu a pasta dos transportes.

No debate realizado pela Record TV no primeiro turno, no dia 28 de setembro, o candidato do PSOL ao governo do RJ, Tarcísio Motta, também mencionou as doações feitas por Paes aos filhos de Sérgio Cabral e Eduardo Cunha. Marco Antônio Cabral (MDB) recebeu R$ 1.350. Danielle Cunha recebeu R$ 2.700. Cabral, Cunha e Picciani estão presos.

À época, a assessoria de Paes afirmou, em nota, que “os valores mencionados não são uma doação do candidato Eduardo Paes, e sim o pagamento de material de campanha efetuado pela coligação”. Sobre a fala de Witzel no segundo turno, a assessoria não respondeu à Lupa.


“[Eduardo Paes] Defendeu a ‘polícia mineira’, chamada de milícia aqui no Rio de Janeiro”

Márcia Tiburi (PT), ex-candidata ao governo do RJ, em debate da Record no dia 28 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em 2006, quando foi candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PSDB, Eduardo Paes defendeu a ação de milícias para a retomada de “territórios em que o governo do estado perdera sua soberania”. “Jacarepaguá é um bairro que a tal da polícia mineira, formada por policiais e bombeiros, trouxe tranqüilidade para a população. O Morro São José Operário era um dos mais violentos desse estado e agora é um dos mais tranqüilos”, afirmou Paes, em entrevista ao RJTV, da TV Globo. No começo de setembro, em ato de campanha em Jacarepaguá, Paes afirmou que o bairro “infelizmente tem uma ação muito forte das milícias”.

A menção do candidato do DEM à “polícia mineira” na entrevista de 2006 também foi lembrada por Índio da Costa, que concorreu ao governo do RJ pelo PSD. Índio falou sobre o caso no debate da TV Globo no dia 2 de outubro.

Procurado, Eduardo Paes informou, em nota, que trata-se de uma entrevista concedida há 12 anos, que teve o conteúdo “deturpado”. “O que foi dito na época pelo candidato é que impressionava o fato de policiais quando estavam sem farda conseguirem dominar uma comunidade já dominada pelo crime e quando estavam fardados não”.

As verdades sobre Wilson Witzel

“O secretário-geral de seu partido [PSC] era subsecretário da Secretaria Estadual de Saúde até abril deste ano”

Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo do RJ, em debate da Band no dia 18 de outubro de 2018

VERDADEIRO

O subsecretário do PSC, partido de Witzel, no Rio de Janeiro é Filipe Pereira, ex-deputado federal pela legenda. E, de fato, ele foi subsecretário de Saúde de julho de 2016 a 31 de março deste ano, no governo de Luiz Fernando Pezão (MDB). Pereira também foi secretário estadual de Prevenção à Dependência Química no governo de Sérgio Cabral (MDB).

A Lupa procurou a campanha de Witzel e, em nota, o candidato do PSC disse que “Felipe Pereira sempre pautou a sua vida pública pela correção de suas ações”.


“Acabamos de ouvir o candidato do Crivella (…), [Witzel] tem o apoio do Crivella”

Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo do RJ, em debate da Band no dia 18 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Na semana passada, o PRB, partido do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, decidiu apoiar o candidato Wilson Witzel para o governo estadual. Antes disso, o próprio Crivella já havia elogiado o ex-juiz federal em um evento realizado no Palácio da Cidade, dizendo que Witzel era um “excelente candidato”.

Procurada, a assessoria do candidato do PSC disse, em nota, que “todos os apoios recebidos e aceitos por Wilson Witzel são com base em afinidades programáticas”.


“O Pastor Everaldo [presidente do PSC, partido de Witzel] é investigado na Lava Jato”

Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo do RJ, em debate da Band no dia 18 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Pastor Everaldo é presidente nacional do PSC, partido de Wilson Witzel, e foi mencionado na Operação Lava Jato em abril de 2017. Naquele mês, dois ex-executivos da Odebrecht Ambiental prestaram depoimento, como parte de um acordo de delação premiada, e afirmaram à força-tarefa da operação que Everaldo tinha recebido uma doação de R$ 6 milhões via caixa dois em 2014, quando foi candidato à Presidência da República.

Em nota, Witzel disse que as “acusações ao Pastor Everaldo Pereira partiram de delatores que nunca apresentaram qualquer prova. Tanto que nenhum inquérito contra ele foi aberto”.

Editado por: Natália Leal e Chico Marés

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