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Foto: Reprodução
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Governo SP: checamos, em tempo real, o debate entre Doria e França na Globo

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.out.2018 | 21h36 |

Esta publicação foi corrigida às 01h04 do dia 26 de outubro de 2018. Veja abaixo.

João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), que disputam o segundo turno da eleição para o governo do estado de São Paulo, se encontraram pela última vez na televisão na noite desta quinta-feira (25), no debate promovido pela TV Globo. O encontro, que durou uma hora e meia, foi mediado pelo jornalista César Tralli.

Lupa acompanhou o evento em tempo real, avaliando a veracidade de frases ditas por todos os candidatos. As checagens também foram publicadas no Twitter, no @agencialupa. Os candidatos e suas campanhas foram avisados sobre o trabalho de checagem da Lupa e poderão enviar suas observações a qualquer tempo. Caso enviem manifestações, os textos serão atualizados.

“[A estação São Paulo-Morumbi] É a sexta estação que eu inauguro nesse período [como governador de São Paulo]”
Márcio França (PSB)

EXAGERADO

Márcio França (PSB) assumiu o governo de São Paulo no dia 6 de abril de 2018. Desde então, foram inauguradas as estações AACD-Servidor, Santa Cruz, Chácara Klabin e Hospital São Paulo. Com a inauguração da estação São Paulo-Morumbi, França chegaria a cinco estações inauguradas – e não seis como afirmado pelo candidato.


“[Eu e João Doria] Estávamos juntos na campanha [de 2016]”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO

Em 2016, quando João Doria concorreu à prefeitura de São Paulo, o PSB de Márcio França integrou a coligação Acelera São Paulo, que teve o tucano como cabeça de chapa.


“Você teve menos da metade dos votos como governador do que você teve como prefeito [na capital de SP]”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO

No primeiro turno das eleições de 2018, João Doria (PSDB) foi o candidato a governador mais votado na capital, com 1.460.836. Esse número,no entanto, é menos do que a metade dos 3.085.187 de votos que ele recebeu no primeiro turno das eleições de 2016, quando se elegeu prefeito da capital paulista.


“[São Paulo tem] A maior [produção] de etanol”
João Doria (PSDB)

VERDADEIRO

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, São Paulo foi o estado que mais produziu etanol no país: 13.839.314 metros cúbicos. Isso representa 48,4% do total produzido no país. O segundo maior produtor é Goiás, responsável por 4.889.701 de metros cúbicos do combustível.


“Todos os cargos que eu exerci ou são por concurso público ou porque fui eleito”
Márcio França (PSB)

FALSO

Em 2011, Márcio França comandou a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, cargo público ocupado por indicação política e não por concurso ou eleição. Nas suas demais atuações, de fato, foi eleito ou concursado. Ele foi servidor do Poder Judiciário, elegeu-se vereador dois mandatos em São Vicente (1989-1996). Depois ocupou a prefeitura de São Vicente (SP) por dois mandatos. Em 2006, elegeu-se como deputado federal, mas licenciou-se da vaga para ser secretário do Turismo no mandato de Geraldo Alckmin em 2011. Em 2014, foi eleito vice-governador na chapa junto com Geraldo Alckmin (PSDB).


“O [Cícero] Martinha não é do PT”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO

O secretário de Trabalho e Relações de Emprego, Cícero Martinha é filiado ao Solidariedade. Em 2008, porém, ele foi candidato a vice-prefeito na chapa de Vanderlei Siraque (PT). À época, ele era filiado ao PDT.


“São 1,3 milhão de pessoas que têm necessidade de moradia [no estado de SP]”
João Doria (PSDB)

SUBESTIMADO

De acordo com a Secretaria de Estado da Habitação de São Paulo, o déficit habitacional de São Paulo é representado por 1,1 milhão de lares. Levando-se em conta que, no estado, cada família tem, segundo o dado mais recente do IBGE, 3,14 integrantes, o número estimado de pessoas que necessitam de moradia é ainda maior do que o citado por Doria, em torno de 3 milhões.

Correção feita às 0h37 do dia 26 de outubro de 2018: os dados da Secretaria de Habitação de SP estimam a necessidade de moradia em lares, não em pessoas. Com base nos dados do IBGE sobre média de integrantes das famílias no estado, a Lupa concluiu que o número de pessoas com necessidade de moradia em SP é maior do que o citado por Doria. Assim, a etiqueta foi modificada de exagerado para subestimado. O texto foi atualizado. 


“Univesp saiu de 3 mil para 50 mil alunos”
Márcio França (PSB)

EXAGERADO

Segundo o site da própria Universidade Virtual de São Paulo (Univesp), o número atual de alunos chega a 35 mil. A Sinopse Estatística da Educação Superior de 2017 mostra um número ainda menor: 17,2 mil.


“Eu nem sei quem é o MST”
Márcio França (PSB)

CONTRADITÓRIO

No dia 14 de fevereiro deste ano, França, então vice-governador e secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo, esteve reunido com representantes do Movimento Sem Terra em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, o governador Geraldo Alckmin autorizou a permuta entre imóveis pertencentes à Fazenda do Estado e à Universidade de São Paulo (USP). Em troca, a USP receberá prédios urbanos, entre eles, dois edifícios da Rua Maria Antônia, no centro da capital paulista e que têm significado histórico nas lutas contra a ditadura militar.


“Nós [estado de São Paulo] temos a maior produção de laranja [do Brasil]”
João Doria (PSDB)

VERDADEIRO

O estado de São Paulo é o maior produtor de laranja do Brasil, com 14,3 milhões de toneladas em 2017. O segundo estado que mais produziu foi a Bahia, com cerca de 1 milhão de toneladas da fruta. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


“Nós temos a melhor polícia militar do país, a melhor policia civil”
João Doria (PSDB)

INSUSTENTÁVEL

Não existem pesquisas ou estudos no Brasil que avaliem, de forma comparativa, a atuação das polícias militar e civil nos estados. O que existe é um ranking de 2013 sobre a confiança da população nas polícias de suas respectivas unidades da federação. Trata-se da Pesquisa Nacional de Vitimização, publicada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Nela, a Polícia Militar de SP foi a sétima colocada – 19,2% dos paulistas disseram “confiar muito” em sua atuação. O primeiro lugar ficou com a PM de Minas Gerais. A Polícia Civil paulista apareceu, por sua vez, em 18º lugar, com 15,8% da população dizendo “confiar muito” nela.


“Nós temos 94% de todos os medicamentos disponíveis para toda a população [na capital]”
João Doria (PSDB)

EXAGERADO

Relatório do Tribunal de Contas do Município de São Paulo aponta que, de fevereiro de 2017 a fevereiro de 2018, a disponibilidade de medicamentos de uso contínuo nas farmácias municipais da capital nunca esteve acima dos 76%  – percentual máximo registrado em março de 2017. No pior mês analisado, fevereiro de 2017, apenas 53% dos medicamentos estavam disponíveis.


“Nós não cortamos o programa [Leve Leite]”
João Doria (PSDB)

EXAGERADO

Ao assumir a Prefeitura de São Paulo, o ex-prefeito João Doria reformulou o programa Leve Leite, que distribui leite gratuitamente a famílias de crianças matriculadas na rede municipal de ensino. Com as mudanças, 431,7 mil crianças passaram a receber o benefício, o que representou uma redução de 53% na distribuição do produto, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo. Em 2016, 916,2 mil estudantes de 0 a 14 anos receberam o alimento.

Após a reforma de Doria, alunos a partir dos 7 anos deixaram de receber leite. Entre os de até 6 anos, o benefício foi disponibilizado apenas aos mais pobres. Por outro lado, 208,4 mil crianças em situação de pobreza, mas que estão fora da escola também foram incorporadas ao programa de Dória.


“Criamos mais de 42 mil vagas de creches”
João Doria (PSDB)

EXAGERADO

Segundo dados da prefeitura de São Paulo, o número de novas matrículas em creches paulistas é de 26.059, entre dezembro de 2016, último ano de Fernando Haddad como prefeito de São Paulo, e dezembro de 2017, dado mais recente. A demanda caiu em 20.948.


“Precisamos, como eu fiz, deixar os sargentos andarem com fuzis nos veículos”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO, MAS

No dia 27 de setembro, Márcio França anunciou o uso de fuzis com maior precisão e alcance pela Polícia Militar em todos as regiões do Estado. No entanto, a Polícia Militar informou que a medida já estava sendo posta em prática havia ao menos cinco meses, como revelou o jornal Estado de São Paulo.


“Vamos implantar mais 40 Delegacias da Mulher”
João Doria (PSDB)

DE OLHO

A promessa feita por João Doria não consta de forma explícita no programa de governo que o candidato registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No que diz respeito ao combate à violência de gênero, o documento estabelece, genericamente, que, se eleito, Doria vai “enfrentar os crimes contra a mulher e a dignidade sexual, fazendo com que as Delegacias da Mulher apresentem maior efetividade nas medidas protetivas”. Vale ressaltar que a palavra “mulher” aparece apenas três vezes no conjunto de propostas do tucano: duas delas relacionadas à segurança, uma na área de economia. Atualmente, SP tem apenas nove delegacias especializadas no atendimento à vítima de violência de gênero. Todas elas funcionam na capital.


“Temos 328 mil crianças frequentando as creches aqui de São Paulo [capital]”
João Doria (PSDB)

VERDADEIRO, MAS

Segundo a Sinopse Estatística da Educação Básica de 2017, a cidade de São Paulo tem 343.296 crianças matriculadas em creches, mas a ampla maioria na rede privada: 286.185. No estado, são 1.069.109 de crianças matriculadas, sendo 565.472 na rede pública.


“Latrocínio caiu 30%”
Márcio França (PSB)

EXAGERADO

De janeiro a setembro de 2018, SP registrou 206 latrocínios. No mesmo período do ano passado, foram 296. Assim, a redução foi de 23,4% – e não de 30%, como cita o candidato. Entre abril (quando França assumiu  o governo) e setembro deste ano, houve 138 latrocínios no estado, 15% a menos do que no mesmo período do ano anterior, quando foram 163 casos. Se comparado apenas o mês de setembro de 2018 com o mesmo período do ano anterior, não houve queda, mas sim aumento de 100% – foram 22 casos no mês passado, contra 11 em 2017. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.


“Roubo a banco [caiu], 40%”
Márcio França (PSB)

VERDADEIRO, MAS

Considerando o acumulado deste ano – janeiro a setembro – com o mesmo período de 2017, a redução, de fato, foi de 40%  no número de roubos a banco em SP – de 73 para 44. Mas quando comparado o período de abril, quando França assumiu o governo, a setembro, a queda é menor: 18,4% — de 38 para 31 casos. Analisando somente o mês de setembro nos dois anos, o número de roubos a banco é igual: dois casos em cada. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Correção feita às 0h45 do dia 26 de outubro de 2018: anteriormente, a Lupa checou a frase “Latrocínio caiu 30%, roubo a banco, 40%”, dita por França em referência aos dados mais recentes divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de SP. A partir da análise das informações de setembro, comparadas com o mesmo período do ano anterior, a Lupa atribuiu a essa frase a etiqueta falso. No entanto, quando observado o acumulado de 2018, em relação a igual período de 2017, os números se alteram. Por isso, a fala de França foi separada em duas checagens – e a elas foram atribuídas etiquetas diferentes (exagerado e verdadeiro, mas). Os textos foram alterados. O original pode ser lido abaixo.

(Setembro foi o último mês com dados publicados no Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Apesar de ter havido melhora em relação ao mesmo mês no ano passado em 17 dos 24 índices publicados, não houve redução no latrocínio ou no roubo a banco. O número de latrocínios dobrou (de 11 para 22) em relação a setembro do ano passado, enquanto o número de roubos a banco foi igual nos dois meses: dois.)


“Zeramos uma fila (…) com 478 mil pessoas que aguardavam por exames”
João Doria (PSDB)

VERDADEIRO, MAS

A gestão do ex-prefeito João Doria (PSDB), de fato, praticamente zerou a fila de exames a serem realizados na capital paulista. Dos 485 mil procedimentos que aguardavam para serem feitos até o fim de 2016, apenas 1.706 (0,35%) não tinham sido realizados até abril de 2017.

Porém, enquanto a prefeitura tentava acabar com a fila já existente, uma nova foi formada: 95.777 novos exames esperavam agendamento em abril do ano passado. À época, a prefeitura reconheceu a existência da nova fila e disse que estava “dentro da normalidade”. Ou seja, o déficit de 485 mil foi zerado, mas um novo déficit foi criado.

Em setembro, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, há 216 mil exames agendados aguardando realização pelo Corujão da Saúde. Outros 67.879 procedimentos esperam agendamento pelo programa.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
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AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
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