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Governo RJ: Checamos, em tempo real, debate entre Paes e Witzel na Globo

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.out.2018 | 21h35 |

Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM), que disputam o segundo turno da eleição para o governo do Estado do Rio de Janeiro, se encontraram em debate promovido pela TV Globo na noite da quinta-feira (25).

A Lupa e o Instituto Igarapé acompanharam o evento em tempo real, avaliando a veracidade das frases ditas por ambos. As checagens também foram publicadas no Twitter. Os candidatos e suas campanhas foram avisados sobre o trabalho da Lupa e podem enviar suas observações sobre elas a qualquer tempo.

A Lupa também checa, em tempo real, o debate entre João Doria e Marcio França, candidatos ao governo de São Paulo. Clique aqui para acompanhar.

“Esse cara [o advogado Luiz Carlos Azenha], em uma troca de WhatsApp, disse a você [Witzel] que ele o representa”
Eduardo Paes (DEM)

VERDADEIRO

Reportagem da revista Veja  revelou uma série de mensagens trocadas por Luiz Carlos Azenha, advogado que ficou conhecido por ter defendido o traficante Nem, da Rocinha, e Witzel. Em entrevista à publicação, Azenha declarou ter amizade com o candidato do PSC e afirmou que tem uma relação profícua com o ex-juiz. Em uma das mensagens obtidas pela Veja, Azenha lamenta que Witzel tenha saído mais cedo de um evento em que os dois estavam presentes. “Você me representa”, respondeu o candidato do PSC ao advogado.

Nem foi preso em 2011 após ser encontrado dentro do porta-malas do carro dirigido por Luiz Carlos Azenha. Ele tentou subornar os agentes na abordagem e chegou a ser preso.


“[Witzel] recebia sempre acima do teto [como juiz federal]”
Eduardo Paes (DEM)

FALSO

Uma busca no site do Tribunal Federal Regional da 2ª Região mostra que, em diversos meses de 2017, Witzel não recebeu salário líquido acima do teto constitucional. Em fevereiro de 2017, foram R$ 29.094,99. Em abril, R$ 26.453,86. Em maio, R$ 25.378,86. Em junho, R$ R$ 30.169,99. Desde 2015, o teto do Judiciário é de R$ 33.763,00.


“Na minha época [na Prefeitura do Rio], o valor do bilhete [de ônibus na cidade] era o mesmo [de São Paulo]”
Eduardo Paes(DEM)

VERDADEIRO

Eduardo Paes foi prefeito do Rio de Janeiro entre 2009 e 2016. Em seu primeiro ano de governo, a passagem de ônibus custava R$ 2,10. Em São Paulo, no mesmo ano, R$ 2,30. Em 2016, seu último ano de seu mandato, o valor do bilhete do Rio era R$ 3,80 – o mesmo cobrado em São Paulo. Hoje, o carioca paga R$ 3,95 nos ônibus, e o paulistano, R$ 4.


“Ele [Witzel] deu cerca de R$ 200 mil para a campanha do Bornier”
Eduardo Paes (DEM)

FALSO

Segundo o DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reúne informações sobre a eleição, a campanha de Wilson Witzel contribuiu com R$ 62.550,52 para a candidatura de Nelson Bornier a deputado federal pelo PROS. Para a de Felipe Bornier – também a deputado federal e também pelo PROS – foram R$ 72.856,58. Somadas, as quantias totalizam R$ 135.407,10 – 64 mil abaixo do total citado por Paes no debate.


“Ele [Eduardo Paes] deu um soco na cara de uma pessoa”
Wilson WItzel (PSC)

VERDADEIRO

Em 2013, Eduardo Paes agrediu com dois socos o músico Bernardo Botkay, durante uma discussão travada em um restaurante no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Bernardo admitiu ter agredido verbalmente o ex-prefeito e não registrou queixa.


“Eu estava no restaurante sozinho. Não estou acostumado a andar com tantos seguranças [como você, Witzel]”
Eduardo Paes (DEM)

FALSO

Em 2013, Eduardo Paes se envolveu em uma confusão em um restaurante no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, e acabou agredindo o músico Bernardo Botkay. Em entrevista dada à BandNews, Paes disse que não estava sozinho – mas na companhia de sua mulher e também na de seguranças. “Eu estava num gesto raro da minha vida, infelizmente mais raro do que eu deveria fazer, de convivência com a minha mulher e dois casais de amigos. Estou jantando tranquilamente sentado numa mesa com esses amigos, conversando, quando sou abordado por um casal, pareciam completamente alcoolizados e, enfim, me xingando de tudo quanto era nome”, afirmou o então prefeito. Em nota enviada para comentar o caso, Paes completou dizendo que seus seguranças agiram na confusão.


“Você [Eduardo Paes] recebeu apoio do PT”
Wilson Witzel (PSC)

FALSO

O Partido dos Trabalhadores (PT) não anunciou apoio público ao candidato Eduardo Paes (DEM). No primeiro turno, o partido lançou a candidatura de Márcia Tiburi no estado. Ela conseguiu 5,85% dos votos. A assessoria da ex-candidata informou que Tiburi não apoia publicamente nenhum dos dois candidatos que se encontram no segundo turno.


“Tem até irmão de traficante que foi candidato pelo PHS no seu grupo [de Eduardo Paes]”
Wilson Witzel (PSC)

VERDADEIRO

O irmão do traficante Marcinho VP, o vereador Cristiano Santos, foi candidato a deputado estadual pelo PHS. Cristiano será suplente do cargo na próxima legislatura.


O filho do Pastor Everaldo era o subsecretário de saúde do Pezão até muito pouco tempo atrás”
Eduardo Paes (DEM)

VERDADEIRO

Filipe Pereira, ex-deputado federal do PSC, foi subsecretário de Saúde de julho de 2016 a 31 de março deste ano, durante o governo de Luiz Fernando Pezão (MDB). Filipe Pereira também foi secretário estadual de Prevenção à Dependência Química durante o governo de Sérgio Cabral (MDB). Pereira é filho do Pastor Everaldo, candidato à Presidência em 2014.


“O filho [de Jorge Picciani] era secretário municipal de transportes do meu adversário”
Wilson Witzel (PSC)

VERDADEIRO

Rafael Picciani, filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Jorge Picciani (MDB) foi secretário municipal de transportes no segundo mandato de Eduardo Paes (então no MDB) na Prefeitura do Rio. Ele ficou no cargo entre dezembro de 2014 e junho de 2016. Jorge Picciani foi um dos deputados presos na Operação Cadeia Velha, em novembro de 2017.


“Nosso programa mostra como vamos fazer o programa Comunidade Cidade”
Wilson Witzel (PSC)

FALSO

Nem no programa de governo que o candidato submeteu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nem no que está disponível em seu site há menções a programa com este nome: “Comunidade Cidade”. Em ambos, o candidato trata de saneamento básico, mas não faz relação com outros serviços citados no debate como abertura de ruas.


“Eu não tenho nenhum apoio dele [Marcelo Crivella, prefeito do Rio]”
Wilson Witzel (PSC)

FALSO

No dia 12 de outubro, o PRB, partido do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, decidiu apoiar o candidato Wilson Witzel para o governo estadual. Antes disso, o próprio Crivella já havia elogiado o ex-juiz federal em um evento realizado no Palácio da Cidade, dizendo que Witzel era um “excelente candidato”.


“[Há] Baixa capacidade de elucidação [dos crimes cometidos no RJ]”
Wilson Witzel (PSC)

VERDADEIRO

O Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão estadual responsável por compilar e analisar os dados sobre violência e criminalidade no RJ, mostrou que poucos casos de letalidade violenta foram solucionados no Rio de Janeiro. Foram solucionados apenas 19,8% de todos os casos de homicídios dolosos, homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial, lesão corporal seguida de morte e roubo seguido de morte. Levantamento feito pela Lupa com base na Lei de Acesso à Informação mostrou que apenas 6,5% dos homicídios dolosos ocorridos em 2016 foram esclarecidos até junho de 2018 – apenas 331 de 5042 registros.

*Esta checagem foi feita em parceria com o Instituto Igarapé


“A partir de janeiro mais 3 mil policiais na rua. Mais de 200 milhões de reais para fortalecimento de policiais”
Wilson Witzel (PSC)

DE OLHO

O programa de governo que o candidato Wilson Witzel registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não tem as propostas de colocar mais três mil policiais na rua e investir R$ 200 milhões na polícia. Contudo, informa que, entre as medidas vitais de uma eventual gestão está fazer um “investimento significativo para acabar com a precariedade estrutural” PMERJ.


“[A relação de Witzel com Luiz Carlos Azenha, advogado do traficante Nem, da Rocinha] foi retirada da propaganda do meu adversário”
Wilson Witzel (PSC)  

VERDADEIRO

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE) determinou na quarta-feira (24) a suspensão do vídeo da propaganda de Eduardo Paes (MDB) que relaciona Wilson Witzel ao advogado Luiz Carlos Azenha, condenado por ter transportado o traficante Nem, da Rocinha, em seu carro. Reportagem da revista Veja mostrou que Witzel e Azenha possuem relações. À publicação, o ex-advogado de Nem afirmou que, em nome de sua amizade com o candidato do PSC, tornou-se coordenador de campanha informal de Witzel, com o pedido de doações e organização de almoços e jantares.


“Mais de 1,3 milhão de cidadãos sem condição de trabalhar
Wilson Witzel (PSC)

VERDADEIRO

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) mostra que 1,32 milhão de pessoas estavam desocupadas no segundo trimestre de 2018 no Rio de Janeiro. No primeiro trimestre do ano o número era inferior: 1,2 milhão de desempregados.


“Ele diz que, ameaçado, pediu para sair [da Vara de Execuções Criminais]”
Eduardo Paes (DEM)

VERDADEIRO

Em 2011, em entrevista ao G1, Wilson Witzel, candidato ao governo do RJ pelo PSC, relatou que foi ameaçado de morte duas vezes por conta de seu trabalho como juiz da Vara de Execuções Criminais nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. À reportagem, disse: “Eles [criminosos] conseguiram me intimidar e isso me fere profundamente. Eles intimidaram um juiz federal. Desde que comecei a ser ameaçado, nunca mais deixei de usar colete à prova de balas”. E completou: “Minha segurança e da minha família estava à mercê dos bandidos. Foi ali que eles me venceram e eu deixei a Vara Criminal”.

No debate entre candidatos ao governo do RJ realizado pela Record, em setembro, o ex-juiz afirmou: “vim para cá [Vara de Execuções Fiscais no Rio de Janeiro] porque a Justiça Federal não tinha condição de dar segurança para minha família”.

Editado por: Natália Leal e Cristina Tardáguila

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