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Imagens relacionadas às urnas eletrônicas se destacam no WhatsApp no 2º turno

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.out.2018 | 20h20 |

As urnas eletrônicas – e a dúvida sobre seu bom funcionamento – foram o assunto mais frequente entre as imagens mais trocadas no WhatsApp ao longo do segundo turno. Dando continuidade ao trabalho feito com o projeto Eleições sem Fake, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no primeiro turno, a Lupa analisou – dia a dia – as três imagens mais compartilhadas por 347 grupos públicos de WhatsApp e selecionou as que eram passíveis de verificação. Veja a seguir o que foi visto de falso e verdadeiro no aplicativo de mensagens usado por cerca de 120 milhões de brasileiros.

Dia 8/10

“Só o Haddad teve 9909 votos em uma seção com 777 eleitores. Como assim?”

FALSO

No primeiro dia do segundo turno, a imagem que mais circulou pelos 347 grupos públicos de WhatsApp acompanhados pelo projeto Eleições sem Fake, da UFMG, foi de um boletim de urna do primeiro turno no qual o candidato Fernando Haddad (PT) aparecia com 9.909 votos, embora o número total de eleitores aptos para votar naquele local seja de 777 eleitores.

A foto é falsa. A Lupa checou a informação no mesmo dia. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviou à reportagem o boletim original, com os mesmos códigos de verificação mostrados na imagem e informou que a urna em questão fica na cidade japonesa de Nagóia. O boletim real mostra que Haddad teve nove votos, Bolsonaro, 372 e Alckmin, 11. No falso, há indícios óbvios de manipulação: os dígitos 9 estão desalinhados.


Dia 09/10

“Esta figura [Laura Chinchilla] é uma laranja do sistema que está aqui apenas para corroborar falsamente sobre a pseudo confiabilidade das urnas”

VERDADEIRO, MAS

No dia 9, uma sequência de imagens verdadeiras viralizou nos grupos monitorados pela UFMG, mas com aparente objetivo de colocar em dúvida o posicionamento de Laura Chinchilla, ex-presidente da Costa Rica e responsável pela missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que veio ao Brasil para acompanhar o primeiro turno das eleições. Laura havia dito que o pleito do dia 7 de outubro tinha sido considerado seguro e a urna eletrônica, inviolável.

A imagem que mais circulou foi de Laura acompanhada do ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez e do ex-presidente de Cuba Raúl Castro. O registro é de fevereiro de 2010, quando Laura era a presidente eleita da Costa Rica e participou de uma reunião entre líderes de países da América Latina – antes, portanto, de ela começar a trabalhar na OEA.

A segunda é o registro de um encontro de Laura com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto de 2011, quando o petista visitou o país.


Dia 10/10

 

“A Hidrelétrica de Tumarín, Nicarágua, foi bancada pelo BNDES. Custo: US$ 1,1 bilhão”

FALSO

Essa foi uma das três imagens que mais circularam no dia 10 de outubro mas a informação é falsa. A hidrelétrica de Tumarín, na Nicarágua, nunca foi financiada pelo BNDES, de acordo com informações disponíveis na seção de perguntas e respostas do próprio banco.

A obra seria feita, na verdade, por um consórcio formado por Eletrobras e Construtora Queiroz Galvão, e teve seu início autorizado em abril de 2014 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Porém, a Eletrobras deixou a obra em julho de 2016, de acordo com comunicado divulgado pela empresa. À época, já havia investido R$ 87,8 milhões no empreendimento. Dois meses antes da oficialização da saída da estatal do consórcio, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou irregularidades no repasse de recursos para a Nicarágua, e determinou que a Eletrobras parasse de enviar recursos para a obra.


Dias 11, 20, 21, 22 e 23/10

“Citation Sovereign. Um dos jatos mais luxuosos do momento. Fretado para atender o candidato dos pobres”

VERDADEIRO

Em pelo menos quatro dias do segundo turno, imagens do interior de um jatinho supostamente usado pela campanha o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, viralizaram nos grupos de WhatsApp monitorados pela UFMG. No dia 11, esta apareceu em 35 grupos. As imagens se repetiram entre as três mais compartilhadas entre os dias 20 e 23 de outubro. Veja aqui e aqui.

As fotos são verdadeiras. São frames de uma reportagem da TV Globo sobre uma aeronave do modelo Citation Sovereign, com capacidade para 11 passageiros, e que consta no catálogo de jatinhos da Icon, empresa contratada pela campanha de Haddad.

De acordo com a prestação de contas de Haddad no TSE, a Icon recebeu R$ 883.191,67 da campanha do petista. Ela é uma das quatro que prestaram algum serviço de táxi aéreo para o candidato em 2018. Juntas, elas receberam R$ 1,49 milhão, 4% dos R$ 34,4 milhões gastos pelo presidenciável na campanha.


Dias 12 e 13/10

“Venezuela. Não se enganem. Poderia ser aqui”

FALSO

Nos dias 12 e 13, uma série de imagens de “venezuelanos” em situação de miséria passou a ocupar o posto de mais compartilhados no WhatsApp. A imagem acima, que ficou em primeiro lugar no dia 12, não mostra, no entanto, uma cena na Venezuela, mas na Síria. A foto aparece em galeria publicada pela rede de televisão americana CBS em 2016. Segundo a CBS, não é possível saber o dia exato da foto, mas ela foi tirada na cidade de Madaya.


Dia 14/10

“Livro de Haddad defende sexo entre pais e filhos”

FALSO

Uma das imagens mais populares do dia 14 foi a que atribuiu ao candidato do PT ao Palácio do Planalto a autoria de um livro que defende a prática de sexo entre pessoas de uma mesma família. O livro “Em defesa do socialismo”, de Fernando Haddad, foi lançado em 1998 pela editora Vozes. Diferentemente do que circula nas redes, a obra não tem citações sobre incesto nem defende que o “tabu do incesto” precise ser derrubado para implantar o socialismo.

O filósofo e escritor Olavo de Carvalho publicou texto sobre esse assunto em outubro de 2018, mas depois que ele começou a se tornar viral, apagou o post de sua rede social. Pouco depois, voltou a publicar – desta vez, reconhecendo que o trecho não existia no livro de Haddad. Carvalho escreveu: “Em sentido literal e material, não é exato o que escrevi às pressas num post que logo em seguida retirei de circulação, segundo o qual o Haddad ‘defende’ ou ‘prega’ a prática do incesto. Ele apenas subscreve integralmente o programa da ‘sociedade erótica’ pregado pela Escola de Frankfurt”. Veja todo o post aqui.

O site do Partido dos Trabalhadores (PT) também desmentiu essa notícia. O partido informa que a obra traz uma pesquisa sobre textos teóricos de revolucionários que citam formas de alterar a sociedade. “Entre essas estratégias, alguns falam de subverter o conservadorismo ao dar maior liberdade sexual aos jovens. Tenha em mente que esses textos foram escritos nas primeiras décadas do século XX, quando os costumes eram muito mais rigorosos. Isso poderia significar algo hoje corriqueiro, como sexo casual, um verdadeiro escândalo na época”, informou o PT.


Dia 15 e 16/10: As três imagens mais compartilhadas nesses dois dias foram textos irônicos e/ou de opinião, que fogem à metodologia de verificação da Lupa


Dia 17/10

  

“Olha o eleitor do Bolsonaro que foi xingar o Haddad na Missa. Na verdade, é um petista passando por eleitor do Bolsonaro”

FALSO

A imagem acima ficou entre as três mais compartilhadas do dia 17 por sua relação com um vídeo publicado pelo deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP). Ele disse que o presidente do PT de Ubatuba, Gerson Florindo, teria se disfarçando de eleitor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) para agredir verbalmente o petista Fernando Haddad e, consequentemente, criar confusão. Segundo Frota, Florindo teria entrado em uma igreja em que Haddad estava rezando para fazer acusações e xingamentos. Contudo, o site Boatos.org afirma que várias informações propagadas pelo deputado federal eleito estão erradas. Entenda o caso aqui.


Dias 18, 19, 23 e 24/10

“Reportagem da Folha de S.Paulo hoje”

VERDADEIRO

O monitoramento da UFMG mostra que, nesses quatro dias, as imagens que mais movimentaram os grupos foram reproduções da reportagem da Folha de S.Paulo sobre empresários apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) que, supostamente, estariam bancando uma campanha para espalhar informações equivocadas sobre o PT no WhatsApp.

No dia 18, uma imagem com a reportagem foi a mais compartilhada nos grupos acompanhados pela universidade, e apareceu em 17 grupos. No dia 19, as duas imagens mais compartilhadas também faziam referência à reportagem (veja aqui e aqui).

Nos dias 23 e 24, o assunto voltou a ser um dos mais comentados no aplicativo, mas para atacar Patrícia Campos Mello, a jornalista responsável pela reportagem, e os outros dois repórteres (Joana Cunha e Wálter Nunes) que participaram da apuração. No dia 23, circulou em 52 grupos a imagem de uma suposta “conversa” de um jornalista da Folha com José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e que coordena a campanha de Haddad.


“José Sérgio Gabrielli encomendou reportagem à Folha de S.Paulo”

FALSO

A Folha de S.Paulo classificou como “fantasiosa” a suposta conversa entre os repórteres Wálter Nunes e Joana Cunha com José Sérgio Gabrielli. No texto, o jornal também relatou uma série de ameaças feitas aos profissionais que trabalham na publicação.

No mesmo dia, outra das imagens que mais circulou (compartilhada em 51 grupos)  mostrava uma mulher ao lado de Haddad, apontando que seria Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha de S. Paulo e uma das responsáveis pela reportagem sobre a participação de empresários na campanha de difamação do PT via WhatsApp.


“Essa é a jornalista Patrícia Campos Mello, que fez matéria contra Bolsonaro na Folha. Petista de carteirinha”

FALSO

A mulher que aparece na imagem não é Patrícia Campos Mello. O registro que foi usado para produzir a informação falsa é de outubro de 2012, quando Haddad concorreu e venceu as eleições para prefeitura de São Paulo. A imagem foi captada pelo fotojornalista Fábio Braga, da Folhapress, e é de um ato de campanha do petista na zona leste de SP. A informação também foi desmentida pela campanha do PT, pela Folha e pelo site Boatos.org.

 


Dia 22 /10

“Urnas estavam preenchidas com voto para o Haddad com pelo menos 81%”

FALSO

A Lupa mostrou que era falsa a informação de que quatro urnas foram apreendidas numa caminhonete particular e que três delas “estavam preenchidas com voto” para o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad.

O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e a Polícia Militar emitiram uma nota conjunta informando que as fotos são verdadeiras e que o carro era do TRE-AM. Contudo, é falsa a informação de que as urnas continham votos em favor do petista. “Na abordagem foi constatado que não haviam irregularidades porém, um dos policiais fotografou as urnas sendo transportadas, e divulgou em sua rede social de forma equivocada”, diz a nota.


Dia 24/10

“Quadrilha tenta sacar cheque de R$ 68 milhões para Haddad na Bahia”

FALSO

No dia 24 de outubro, a imagem mais compartilhada foi de um cheque de R$ 68 milhões que uma quadrilha estaria tentando sacar para a campanha do candidato Fernando Haddad (PT). De fato, houve um esquema na cidade de Poções, na Bahia, em que uma quadrilha foi presa ao tentar sacar R$ 68 milhões com um cheque falso. Contudo, esse acontecimento não tem ligação com a campanha do petista. O diretor do Departamento de Polícia do Interior, delegado Flávio Góis, descartou qualquer ligação da quadrilha com grupos políticos e classificou como “lamentável” o uso equivocado da informação. O site Boatos.org verificou essa informação no dia 24. Saiba mais aqui.

 


Dia 25/10

“Carlos Vereza afirma: ‘O PT não é um partido. É uma organização criminosa. Aparelharam os poderes do país. Aparelharam os poderes do país’”

VERDADEIRO

Uma das três imagens mais compartilhadas no dia 25 é um meme que traz uma declaração do ator Carlos Vereza contra o PT. A imagem apareceu em 20 grupos monitorados.

Durante a campanha para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, o ator Carlos Vereza gravou um vídeo em que chamou o PT de “organização criminosa”. Há diversos outros vídeos em que ele faz críticas aos petistas, como neste.  

Em setembro deste ano, Vereza visitou o candidato à Presidência do PSL Jair Bolsonaro, enquanto ele estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

 

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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