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De olho em Haddad: veja 66 frases do presidenciável checadas pela Lupa em 2018

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.out.2018 | 07h00 |

Fernando Haddad é o candidato do PT que disputa a Presidência da República com Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo (28), no segundo turno das eleições no país. Desde que a possibilidade de que o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação dos governos Lula e Dilma fosse o candidato do partido neste pleito ganhou fôlego, a Lupa o acompanhou.

Falas dele a diferentes emissoras de televisão, rádios e publicações impressas e digitais foram classificadas de acordo com a metodologia utilizada pela agência. O resultado é este apanhado de 66 frases ditas por Haddad desde antes da campanha até a semana anterior à votação. Veja:

“Nunca vi o Lula pronunciar essa palavra [fascista] para se referir a ninguém”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em sabatina com O Globo, Extra, Época e Valor Econômico no dia 22 de outubro de 2018

FALSO

O ex-presidente Lula, preso em Curitiba desde abril, usou o termo fascista para criticar o próprio candidato Jair Bolsonaro (PSL). No ano passado, no 6º Congresso Estadual do PT de SP, ao comentar sobre o momento político do país, Lula disse: “o resultado (…) é o crescimento de um fascista chamado Bolsonaro na pesquisa de opinião pública”. Veja o trecho aqui. Além disso, em carta divulgada no dia 24 de outubro, Lula menciona duas vezes que há uma “ameaça fascista que paira sobre o Brasil”. No documento, o ex-presidente pede uma união de diversos setores em torno da candidatura de Haddad.  

Procurado, o candidato não retornou.


“Hoje, está [custando] R$ 80 o gás [de cozinha]”
Fernando Haddad (PT), candidato à Presidência da República,  em ato em São Luís, no Maranhão, no dia 21 de outubro de 2018

EXAGERADO

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, um botijão de 13 quilos de GLP, o gás de cozinha, custava R$ 68,48, em média, no país em setembro de 2018. Neste ano, o preço médio mais alto do produto no Brasil foi atingido no mês de junho, quando o botijão de gás chegou a custar R$ 68,77. Em setembro, em apenas três dos 27 estados brasileiros o preço do gás de cozinha estava próximo de R$ 80: no Acre (R$ 79,91), em Roraima (R$ 80,25) e em Mato Grosso (R$ 96,75).

Procurado, Haddad não retornou.


“O [general] Mourão [vice de Bolsonaro] foi, ele próprio, torturador”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em sabatina com O Globo, Extra, Época e Valor Econômico no dia 22 de outubro de 2018

FALSO

Haddad repetiu frase dita pelo cantor Geraldo Azevedo, que acusou o vice de Bolsonaro, General Mourão, de ter sido torturador na ditadura militar. Em show na cidade de Jacobina, na Bahia, no dia 21 de outubro, Azevedo classificou o período da ditadura militar como “indigente” e contou que foi preso duas vezes e torturado – em 1969 e em 1974. Dois dias depois, o cantor disse que se enganou ao falar sobre Mourão.

Quando Azevedo foi preso pela primeira vez (aqui, aqui e aqui), Mourão tinha 16 anos e ainda não integrava o Exército. O vice de Bolsonaro, hoje general, entrou para a corporação em 1972. Em 1974, na segunda prisão do cantor, no Rio de Janeiro, Mourão estava em formação na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, a cerca de 170 quilômetros da capital fluminense. O general afirmou que denunciará o cantor por “declaração difamatória”.

Haddad reconheceu o erro publicamente: “Foi o que eu recebi de uma fonte fidedigna. Geraldo Azevedo realmente foi torturado e disse que tinha sido que torturado por Mourão. Eu me solidarizo com ele. Toda pessoa que foi torturada está sujeita a ter esse tipo de confusão.”


“A estimativa é que 100 mil pessoas já cumpriram pena no sistema prisional [por pequenos delitos] e não têm advogado para obrigar a Justiça a liberá-los”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista à Rádio Globo no dia 18 de outubro de 2018

INSUSTENTÁVEL

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ministério de Segurança Pública (por telefone) afirmam que não há estimativas no Brasil sobre o número de pessoas que seguem presas mesmo após terem cumprido suas sentenças.

De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), 40% dos presos brasileiros estão detidos sem condenação – o equivalente a 292.450 pessoas. O Infopen, no entanto, não tem informações sobre a questão mencionada por Haddad.

Procurado, o candidato não retornou.


“Ontem [21 de outubro], ele [Bolsonaro] fez um vídeo muito grave (…) dizendo que [os adversários] não terão lugar no Brasil, ou a cadeia ou o exílio”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em ato em Tuca, em São Paulo, no dia 22 de outubro de 2018

VERDADEIRO

No dia 21 de outubro, Jair Bolsonaro (PSL) divulgou em, sua conta no Twitter, um vídeo em que diz que “essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia”. O deputado chegou a dizer ainda que os “marginais de vermelho” seriam expulsos do Brasil.  


“O meu patrimônio (…) é muito inferior ao dele [Bolsonaro], diga-se de passagem”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em encontro no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro no dia 19 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o patrimônio de Fernando Haddad (PT) é de R$ 428.451,09. O de Jair Bolsonaro chega a R$ 2.286.779,48, de acordo com o informado pelo candidato ao TSE. Assim, o valor dos bens declarados pelo deputado federal à justiça eleitoral equivale a cinco vezes o dos bens do petista.


“Meu adversário (…) falou que nordestinos deviam comer capim”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Roda Viva no dia 22 de outubro de 2018

FALSO

Em momento algum Bolsonaro declarou que nordestinos deveriam comer capim. Há duas polêmicas envolvendo a campanha de Bolsonaro e capim. Em abril de 2018, o deputado gravou vídeooferecendo capim aos “eleitores do Lula”, sem mencionar o Nordeste. Em setembro, apoiadores de Bolsonaro distribuíram capim em uma carreata no Recife a “eleitores do PT”, sem o envolvimento direto do candidato, que não estava presente. Como o caso ocorreu no Nordeste, apoiadores do candidato noticiaram que estavam distribuindo capim “a nordestinos”. Apoiadores de Bolsonaro, por outro lado, chegaram a afirmar que se tratava de uma fraude cometida por infiltrados, o que foi desmentido pelo site Boatos.org.

Procurado, Haddad não retornou.


“Bati recorde de investimento [na prefeitura de São Paulo] em quatro anos, R$ 17 bilhões”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Roda Viva no dia 22 de outubro de 2018

EXAGERADO

Segundo os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO), São Paulo investiu, em valores corrigidos pela inflação, R$ 14,2 milhões entre os anos de 2013 e 2016. Além de ser um gasto menor do que o citado pelo candidato, não se tratou de um recorde: em valores reais, o investimento foi ligeiramente inferior ao do segundo mandato de Gilberto Kassab (PSD), entre 2009 e 2012, que também investiu cerca de R$ 14,2 bilhões. A grande diferença é que, na época de Kassab, a receita corrente era menor: Haddad investiu o equivalente a 7,2% de sua receita no período, enquanto Kassab investiu 8,2% no seu segundo mandato.

Procurado, Haddad não retornou.


“Tem uma tabela de frete hoje, que o Supremo [Tribunal Federal] já declarou constitucional”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Roda Viva no dia 22 de outubro de 2018

FALSO

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não julgou o caso da tabela de frete. O relator do caso, ministro Luiz Fux, decidiu no final de agosto levar a plenário a ADI 5956, uma das várias ações que tratam desse conflito. O ministro tentou um acordo entre caminhoneiros e o setor produtivo em audiência, mas como isso não aconteceu, o caso deve ser decidido pelo pleno. Nesse meio tempo, segue valendo a lei 13.703, reivindicação dos caminhoneiros.

Após a greve dos caminhoneiros, o presidente Michel Temer (MDB) promulgou a Medida Provisória 832 (posteriormente convertida na lei 13.703), que institui Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Essa lei estabelece um tabelamento com preços mínimos para o transporte de cargas, que serão publicados duas vezes a cada ano pela ANTT. Entidades do setor produtivo, apoiados pelo Cade, entraram com ações na Justiça questionando a constitucionalidade da tabela.

Procurado, Haddad não retornou.


“A mudança de jurisprudência [sobre prisão após condenação em segunda instância] foi feita em 2016 (…), pelo visto, com vistas ao caso dele [ex-presidente Lula] (…), porque desde 2009 o Supremo [Tribunal Federal] tem outro entendimento”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Roda Viva no dia 22 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Em outubro de 2016, julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que pessoas possam ser presas a partir da condenação em segunda instância – o ex-presidente Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na primeira instância em julho de 2017, e na segunda instância em janeiro deste ano. Ou seja, não há como estabelecer uma relação entre a jurisprudência definida pelo STF e o processo do ex-presidente. A decisão de 2016 marcou a mudança de uma interpretação da Corte que vigorava desde 2009: em julgamento naquele ano, o plenário do Supremo decidiu que o cumprimento da pena só poderia se dar a partir do momento em que estivessem esgotados todos os recursos nos tribunais superiores.


“Em 2016, eu dei uma entrevista dizendo que havia uma ameaça de extrema-direita no Brasil, sem saber quem seria o candidato”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Roda Viva no dia 22 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Em entrevista dada à Folha de S. Paulo, em novembro de 2016, Haddad declarou que “direita e extrema direita” se tornariam o polo das próximas disputas eleitorais. “O desafio da esquerda é maior do que nunca. A gente nunca conviveu com uma situação tão adversa”, declarou.


“A Assembleia Legislativa do Ceará me concedeu um título de Cidadão Cearense”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Roda Viva no dia 22 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Em 2009, quando ainda era ministro da Educação no governo Lula, Fernando Haddad recebeu o título de Cidadão Cearense. A honraria foi concedida pela Assembleia Legislativa do Ceará, por iniciativa do deputado estadual Artur Bruno (PT).


“Fui ministro da Educação por sete anos, gerenciei R$ 100 bilhões ao ano”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 17 de outubro de 2018

EXAGERADO

Fernando Haddad foi ministro da Educação de junho de 2005 a janeiro de 2012. Nesse período, o orçamento da pasta atingiu o patamar de R$ 100 bilhões apenas nos dois anos finais: em 2011 (R$ 107,3 bilhões) e em 2012 (R$ 125,9 bilhões), considerando valores corrigidos pelo IPCA. Na média, o orçamento do Ministério da Educação durante sua gestão foi de R$ 78,2 bilhões. Os dados constam na plataforma Siga Brasil, mantida peo Senado Federal.

Procurado, o candidato não retornou.


“Só 8% dos homicídios levam alguém para a cadeia. Noventa e dois em cada 100 criminosos estão soltos”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 17 de outubro de 2018

INSUSTENTÁVEL

De acordo com o Ministério da Segurança Pública, não há dados sobre homicídios solucionados e investigados em todo o país. Segundo o Instituto Sou da Paz, frequentemente se diz que apenas 8% dos homicídios do Brasil são investigados e esclarecidos, mas a pesquisa que identificou essa taxa é de 1996 e trata apenas do panorama de homicídios no estado do Rio de Janeiro no ano de 1992, como mostra esse levantamento. Um levantamento realizado pela Lupa em setembro de 2018 mostrou que somente 6,5% dos homicídios ocorridos no Estado do Rio de Janeiro em 2016 tinham sido esclarecidos até junho de 2018.

Procurado, o candidato não retornou.


“Cid [Gomes] mandou vídeo para nós gravando uma mensagem forte a favor da nossa candidatura”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 17 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Senador eleito pelo Ceará e irmão de Ciro Gomes (que concorreu à Presidência pelo PDT e ficou em terceiro colocado no primeiro turno), Cid Gomes (PDT) gravou um vídeo de apoio a Haddad em que dizia o seguinte: “Que não fique nenhuma dúvida: neste segundo turno, Haddad é o melhor para o Brasil”. Mas, poucas horas antes, em evento realizado em seu estado, Cid tinha feito duras críticas ao PT de Haddad: “É bem feito [o partido] perder a eleição”. O senador eleito exigia que o partido fizesse um mea culpa público por aquilo que considera terem sido erros no passado recente. “O PT tem que fazer um mea-culpa (…) Tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”.


“Ministros de FHC estão me apoiando”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 17 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Na terça-feira (16), um grupo de juristas e professores lançaram um manifesto a favor da candidatura de Fernando Haddad. Segundo o jornal o Estado de S.Paulo, entre os apoiadores que assinaram o documento, está o ex-ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso, José Carlos Dias, e o ex-secretário dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro.

Além deles, outros ministros do governo FHC já declararam apoio ao petista. Luiz Carlos Bresser-Pereira publicou nesta terça (17)artigo no jornal Folha de S.Paulo intitulado “A democracia ainda tem uma chance”, no qual defende o voto em Haddad. Bresser-Pereira foi ministro da Administração e Reforma do Estado, entre 1995 e 1998, e Ciência e Tecnologia, em 1999.

O senador Renan Calheiros, que foi ministro da Justiça entre 1998 e 1999, apoia Haddad desde o primeiro turno das eleições deste ano.


“Nós praticamente triplicamos o número de universitários no Brasil no meu período como ministro da Educação”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao RedeTV News, no dia 11 de outubro de 2018

“Eu, praticamente, tripliquei o número de universitários no Brasil”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, durante debate na Record TV, no dia 30 de setembro de 2018

FALSO

O total de matrículas universitárias em cursos de graduação – presenciais e à distância – cresceu 59,5% no país no período em que Haddad esteve à frente do ministério da Educação – longe, portanto, de triplicar, como o candidato afirma. Em 2004, antes de ele assumir a pasta, o Brasil tinha 4.223.344 matrículas universitárias ativas. Em 2011, último ano do petista no ministério, a soma das matrículas era de 6.739.689 – uma diferença de 2.516.345. Os dados são da Sinopse Estatística da Educação Superior do Inep.

Vale destacar que o número de matrículas à distância cresceu 16 vezes no mesmo período: um salto de 59.611 matrículas em 2004 para 992.927 em 2011. Nos cursos presenciais, o aumento foi de 38% – de 4.163.733 matrículas em 2004 para  5.746.762 em 2011.

Procurado, Haddad não retornou.


“O governo Temer dobrou o preço do gás [de cozinha]”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao RedeTV News, no dia 11 de outubro de 2018

FALSO

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio de um botijão de gás de 13 quilos subiu 27,5% entre abril de 2016, último mês completo de Dilma Rousseff (PT) como presidente, e setembro de 2018, dado mais recente. A variação sugerida por Haddad – 100% – é quase quatro vezes a real. Em 2016, o valor médio de um botijão no país era de R$ 53,68. Hoje, está em R$ 68,48.

Procurado, Haddad não retornou.


“[Com o Programa Mais Médicos] 60 milhões de brasileiros que não tinham atendimento médico passaram a ter”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao RedeTV News, no dia 11 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Ao todo, 63 milhões de brasileiros passaram a ter atendimento médico com a instalação do Programa Mais Médicos, em 2013, segundo o site do programa. A Sala de Apoio à Gestão Estratégica (Sage) do Ministério da Saúde informa que a cobertura do Mais Médicos na atenção básica é de 72,69% em outubro de 2018.


“Tendo apenas 20 dias de campanha, atingi 29% dos votos, mais de 30 milhões de votos”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 8 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Fernando Haddad se tornou candidato à Presidência da República pelo PT no dia 11 de setembro, 26 dias antes do primeiro turno das eleições. Antes, ele posicionava-se publicamente como o candidato a vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo registro de candidatura foi indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O nome Haddad como cabeça de chapa foi aceito pelo TSE no dia 25 de setembro. No domingo (7), ele recebeu 31,3 milhões de votos – 29,28% dos válidos.  


“[Nosso plano de governo] Prevê isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, proposta defendida por nós desde janeiro de 2018”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 8 de outubro de 2018

VERDADEIRO

A proposta citada por Haddad no Jornal Nacional consta na página 5 do plano de governo registrado por Haddad no TSE: “Quem vive do seu trabalho e recebe até 5 salários mínimos, por exemplo, ficará isento do pagamento do Imposto de Renda. Em compensação, o “andar de cima”, os super-ricos, pagarão mais”. Em dezembro de 2017, a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, noticiou que a cúpula petista já estudava propor a ideia no plano de governo do então pré-candidato Lula.


“Ainda agora tem um [ministro do PSDB] remanescente [no governo Temer], inclusive elogiando o Bolsonaro”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Globo, no dia 4 de outubro de 2018

EXAGERADO

No dia 27 de setembro, em entrevista à BBC News Brasil, o atual ministro das Relações Exteriores, o tucano Aloysio Ferreira Nunes, quando perguntado se o candidato Jair Bolsonaro representa um risco à democracia respondeu o seguinte: ele “joga de acordo com as regras da democracia”. Em seguida, acrescentou que ainda não vê “‘nenhum retrocesso nas relações internacionais” com sua eventual vitória.


“Bolsonaro propôs cortar o 13º [salário]”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Globo, no dia 4 de outubro de 2018

FALSO

Apesar das críticas feitas ao 13º por parte de seu candidato a vice, o general Hamilton Mourão (PRTB), Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, não propôs que esse benefício fosse cortado. Mourão, por sua vez, fez críticas ao 13º em evento realizado no Rio Grande do Sul no mês passado. Disse que se tratava de uma “jabuticaba”. Mas foi repreendido por Bolsonaro, que publicou em suas redes sociais duras críticas a essa fala: “Criticá-lo [o 13º salário], além de uma ofensa a quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”.


“[Os governos do PT geraram] 20 milhões de empregos em apenas 12 anos”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Globo, no dia 4 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, a diferença entre o número total de pessoas empregadas entre 2002, último ano antes de Lula tomar posse, e 2015, último ano completo do PT no governo, era de 19,4 milhões.

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também do Ministério do Trabalho, mostra que, durante os governos do PT, 14,1 milhões de empregos foram criados. O número é o resultado da soma dos empregos gerados entre o primeiro mês do governo Lula (janeiro de 2003) e o último mês completo do governo Dilma Rousseff (abril de 2016).

Há diferenças importantes entre essas duas fontes oficiais que explicam a diferença nos números. Primeiro, o escopo. O Caged mostra apenas empregos no setor privado, enquanto a Rais também contabiliza empregados na administração pública. Entre 2002 e 2015, a administração pública criou 2,4 milhões de novos postos de trabalho.

Além disso, a periodicidade de atualização das duas fontes é diferente. Como o nome diz, a Rais é anual, enquanto o Caged é publicado todo mês. Por causa disso, pela Rais, não é possível saber quantos empregos foram perdidos entre janeiro e abril de 2016, últimos meses de Dilma no comando do país, enquanto no Caged esse dado está disponível.


“Vocês [PSDB] indicaram quatro ministros [do governo Temer]. Ainda agora tem um remanescente”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Globo, no dia 4 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Quando Temer assumiu a presidência, três ministros indicados eram filiados ao partido: José Serra, das Relações Exteriores, Bruno Araújo, das Cidades, e Alexandre de Morais, da Justiça. Em 3 de fevereiro de 2017, Luislinda Valois, também filiada ao partido, assumiu o Ministério dos Direitos Humanos. Nenhum deles está no governo atualmente. Ainda passaram pelo governo Antônio Imbassahy, que foi ministro da Secretaria de Governo, e Aloysio Ferreira Nunes, que substituiu Serra no ministério das Relações Exteriores – e é o ministro remanescente do PSDB ao qual Haddad se refere.


“A Constituição Federal tem mais de 100 emendas constitucionais”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, durante debate na Record TV, no dia 30 de setembro de 2018

VERDADEIRO

A Constituição Federal, aprovada em 1988, recebeu 100 emendas constitucionais – 99 ECs propriamente ditas e uma assinatura de convenção internacional sobre direitos humanos, que equivale a uma emenda constitucional. A última EC, de número 99, foi promulgada em dezembro de 2017, sobre pagamento de precatórios. Já a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem valor de EC, de acordo com o parágrafo 3 do artigo 5º da constituição, foi assinada em 2007.


“Segundo o IBGE, a cada cinco brasileiros, um tem deficiência grave ou leve”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, durante debate na Record TV, no dia 30 de setembro de 2018

SUBESTIMADO

No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, 45,6 milhões de pessoas declararam ter algum tipo de deficiência – seja visual, auditiva, motora ou mental/intelectual. Esse número representa 23,9% da população – ou seja, está mais perto de uma pessoa com deficiência para cada quatro do que a cada cinco pessoas no país. Assim, a proporção de pessoas com deficiência sobre a população brasileira é maior do que o informado pelo candidato.


“Teto de gastos [foi] aprovado (…) com apoio do PSDB”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, durante debate na Record TV, no dia 30 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em 10 de outubro, a Câmara votou a PEC 241, que estabelecia um teto de gastos para o país – posteriormente, a proposta se tornou a Emenda Constitucional 95, em vigor desde dezembro de 2016. À época da apreciação do assunto na Câmara, 47 deputados do PSDB votaram, e todos eles foram favoráveis à aprovação da PEC. No Senado, dois meses depois, 12 senadores tucanos votaram, e todos eles também foram favoráveis ao teto de gastos.


No ProUni, concedemos 2 milhões de bolsas”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate de Folha, UOL e SBT, no dia 26 de setembro de 2018

“[Foram] Dois milhões de bolsas concedidas a jovens de baixa renda [pelo ProUni]”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Aparecida, no dia 20 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

O Prouni concedeu 2,5 milhões de bolsas a estudantes no Brasilentre 2004, quando foi criado, e julho de 2018, dado mais recente fornecido pelo Ministério da Educação. Mas, se analisado apenas o período em que Haddad esteve à frente do Ministério da Educação, de 2005 a 2012, o número de bolsas concedidas é menor do que o mencionado: foram 1.574.999. Em sua fala, o petista não indica se faz referência à sua gestão à frente do Ministério da Educação ou se a todo o período de vigência do programa. O ProUni começou a ser implementado em 2005 e, em seu primeiro ano, ofereceu 112.275bolsas para que jovens entrassem na universidade.


“[Como ministro da educação, levei] banda larga para todas as escolas urbanas”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate de Folha, UOL e SBT, no dia 26 de setembro de 2018

EXAGERADO

Em 2012, ano em que Fernando Haddad deixou o Ministério da Educação, 59,9 mil instituições de ensino eram atendidas pelo programa Banda Larga nas Escolas, criado em 2008, durante a gestão dele na pasta. O número equivalia a 86% – e não à totalidade – das 69,6 mil instituições de ensino urbanas, segundo o censo escolar de 2010, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação. Em abril de 2018, o Brasil contava com 63.459 mil escolaspúblicas urbanas com internet gratuita. Os dados são da Anatel.


“Você [Marina Silva] participou desse movimento [para o impeachment de Dilma Rousseff]”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate de Folha, UOL e SBT, no dia 26 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em abril de 2016, Marina Silva admitiu ser favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.


O Pronaf, a agricultura familiar, nunca recebeu tantos recursos como no governo Lula”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Aparecida, no dia 20 de setembro de 2018

FALSO

O governo Dilma investiu mais do que o governo Lula no Pronaf, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Dilma transferiu R$ 56,2 bilhões apenas nos primeiros três anos somados e R$ 22,1 bilhões na safra 2015/2016 – totalizando R$ 78,3 bilhões. Lula, em oito anos, destinou R$ 66 bilhões ao programa. As informações são do site do próprio PT. Só na safra 2015/2016, a agricultura familiar teve investimento recorde de R$ 28,9 bilhões pelo Pronaf. Na primeira safra do governo Lula, por exemplo, o crédito disponível foi da ordem de R$ 2,3 bilhões.

O governo Temer destinou R$ 61 bilhões ao Pronaf em dois anos – R$ 30 bilhões na safra 2016/2017 e R$ 31 bilhões na 2018/2019. Ou seja, proporcionalmente, Temer também investiu mais do que Lula: foram R$ 30,5 bilhões a cada ano, enquanto no governo Lula essa média foi de R$ 8,25 bilhões.


“Bispos católicos do Brasil se manifestaram textualmente contra a Reforma Trabalhista”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Aparecida, no dia 20 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em julho do ano passado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assinou uma nota criticando o projeto de Reforma Trabalhista. À época, o projeto estava pronto para ser votado pelo Senado. Segundo o texto, a reforma aprovada tinha “inúmeras, evidentes e irreparáveis inconstitucionalidades e retrocessos de toda espécie, formais e materiais”. A nota foi assinada também pelo Ministério Público do Trabalho e pela Ordem dos Advogados do Brasil, entre outros órgãos.


“Tasso Jereissati assumiu que sabotou o governo desde a reeleição, aprovando medidas que o próprio PSDB era contra”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, no debate da TV Aparecida, no dia 20 de setembro de 2018

EXAGERADO

Na entrevista citada por Haddad, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, Jereissati diz que o PSDB votou contra “princípios básicos nossos [do PSDB], sobretudo na economia, só para ser contra o PT”. Ele não afirma, em qualquer momento, que tenha havido uma “sabotagem”. Presidente do Instituto Teotônio Vilella, órgão de formação política do PSDB, Jereissati também classificou como “erros memoráveis” o apoio dado pelo partido a Michel Temer e “questionar o resultado eleitoral” de 2014.


“A ONU (…) disse que o pleito [apresentado por Lula à entidade] era legítimo, em razão da fragilidade da acusação contra ele”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 19 de setembro de 2018

FALSO

No dia 17 de agosto deste ano, o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas – e não a ONU como organização nem mesmo seu Conselho de Direitos Humanos – emitiu um comunicado que não fazia qualquer menção à suposta “fragilidade” do processo pelo qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado e está preso. No dia 10 de setembro, o comitê reiterou sua manifestação.

O texto publicado pelo comitê em agosto, disponível para leitura em inglês no site do Instituto Lula, recomendou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantivesse o petista entre os presidenciáveis de 2018 até que todas as apelações relativas a sua condenação fossem definitivamente julgadas. Também solicitava que o TSE garantisse a Lula condições de exercer plenamente seus direitos políticos como candidato. O argumento era de que, no caso de uma futura absolvição do ex-presidente, ele teria sido vítima de “dano irreparável” a seus direitos políticos. No último parágrafo do documento, o comitê frisou que a análise do mérito do caso apresentado por Lula à entidade ainda não havia sido concluída.

Vale frisar que, embora o ex-presidente ainda esteja recorrendo de sua pena, a Lei da Ficha Limpa prevê inelegibilidade para condenados em segunda instância, mesmo que eles ainda possam recorrer da decisão – o que é o caso de Lula.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU é formado por especialistas independentes (ou seja, que não representam seus países de origem) e tem como foco a análise da aplicação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e de seus dois protocolos opcionais. O Brasil ratificou todos esses documentos. O órgão não deve ser confundido com o Conselho de Direitos Humanos e/ou com o Alto Comissariado de Direitos Humanos, que têm processos e finalidades distintas.

Procurado, Haddad não retornou.


“Não existe nenhum lugar do mundo que tenha aplicado essa medida [teto de gastos]”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 19 de setembro de 2018

FALSO

O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) Fiscal Rules At Glance, publicado em 2015 e revisado em 2017, mostra que pelo menos 28 países têm algum tipo de regra ativa de restrição de aumento de gastos (e outros nove chegaram a ter em algum momento dos últimos 30 anos). A Constituição da Dinamarca, por exemplo, determina um teto de gastos para o governo central que é definido de quatro em quatro anos.

Vale destacar, no entanto, que nenhum dos países listados estabelece um teto fixo de gastos por um período tão longo como os 20 anos determinados recentemente no Brasil, por meio da Emenda Constitucional 95.

Procurado, Haddad não retornou.


“Temer (…) nomeou o segundo da lista [para o cargo de Procurador-Geral da República]”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 19 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

No dia 28 de junho de 2017, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) protocolou na Presidência da República uma lista tríplice com os nomes mais votados para substituir o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Seguindo tradição do setor, os membros do Ministério Público haviam feito uma eleição e consolidado os três nomes mais votados um dia antes. O subprocurador-geral da República Nicolao Dino encabeçava a lista, seguido por Raquel Dodge e Mario Bonsaglia. O presidente Michel Temer, então, escolheu Raquel Dodge – a segunda colocada – como a nova procuradora-geral da República. Ao preterir Dino, Temer quebrou uma tradição iniciada no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2003. Tanto Lula quanto a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) sempre escolheram o primeiro colocado da lista tríplice para liderar a PGR.

Mas não há qualquer determinação legal para que o presidente escolha para o cargo de procurador-geral o primeiro colocado na lista elaborada pelo MP. A nomeação pode ser feita, inclusive, a alguém que nem sequer entrou na lista final oriunda da ANPR.


“Cinco bancos, inclusive dois públicos, concentram mais de 80% do crédito”
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 19 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O Relatório de Economia Bancária, publicado pelo Banco Central, mostra que, em 2017, cinco bancos concentravam 83,5% das operações de crédito no segmento bancário brasileiro. O Relatório de Estabilidade Financeira de abril de 2018, também do BC, indica que Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal concentram 78,5% do crédito bancário do país atualmente.  


“A população queria elegê-lo [Lula] no primeiro turno. Não é no segundo. É no primeiro turno”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em sabatina de Folha, UOL e SBT, no dia 17 de setembro de 2018

FALSO

As principais pesquisas de intenção de voto publicadas antes de a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva ser vetada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostravam o ex-presidente na liderança, mas com menos da metade das intenções de votos em candidatos – ou seja, a disputa iria para o segundo turno. Segundo levantamento feito pelo Ibope e publicado no dia 20 de agosto, Lula teria 37%, e seus adversários somariam 41%. A diferença, de quatro pontos percentuais, era considerada um empate técnico, por conta da margem de erro de dois pontos percentuais. O Ibope  não simulou cenários de segundo turno. A pesquisa Datafolha de 22 de agosto mostrou Lula com 39% das intenções de voto, e seus adversários com 47%. Nela, o petista venceria todos os cenários de segundo turno.

Procurado, Haddad não respondeu.


“Provavelmente, vai ter uma reforma partidária no ano que vem (…) em função do fim da cláusula de barreira”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em sabatina de Folha, UOL e SBT, no dia 17 de setembro de 2018

FALSO

Na realidade, a aplicação da cláusula de barreira vai começar – e não acabar – após as eleições de 2018. Em 2017, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 97, que recria a figura da cláusula de barreira. Por essa regra, nas eleições de 2020, os partidos precisarão atingir um mínimo de votos para receber recursos do fundo partidário e ter acesso ao horário eleitoral gratuito. Inicialmente, esse limite será de 1,5% dos votos totais para deputado federal ou a eleição de, no mínimo, nove deputados federais, cada um representando um estado diferente.  Esses limites serão aumentados progressivamente até 2030.

Procurado, Haddad não retornou.


“Mais de 200 mil pessoas [estão] presas por tráfico de drogas [no Brasil]”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em sabatina de Folha, UOL e SBT, no dia 17 de setembro de 2018

EXAGERADO

O Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) mostra que, em de junho de 2016, 176.691 pessoas estavam presas por crimes relacionados a drogas. Desse total, 151.782 pessoas eram por tráfico de drogas, 20.133 por associação com o tráfico e 4.776 por tráfico internacional de drogas. O Infopen informa que esses crimes correspondem a 28% das incidências penais dos pessoas presas condenadas ou que aguardam o julgamento. Vale destacar que o Infopen não documenta o motivo da prisão de 106.129 pessoas. Em 2017, o G1 realizou um estudo com 22 estados e concluiu que o número de presos por tráfico de drogas no Brasil chegava a 182.779 – o que corresponde a 32,6% dos presos no país. Cinco estados não tinham dados sobre o assunto. Procurado, Haddad não retornou.


“[Proponho] Mandato [limitado para a Suprema Corte] de 12, de 15 [anos] como alguns países têm”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em sabatina de Folha, UOL e SBT, no dia 17 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Na Alemanha, membros da Corte Constitucional são eleitos para mandatos de 12 anos, de acordo com estudo elaborado pela Consultoria Legislativa do Senado em maio de 2015, sobre as formas de indicação para os tribunais superiores de sete países. Espanha, França, Itália e Portugal garantem mandatos de 9 anos para os ministros de suas cortes superiores.


“Só tem dois brasileiros que ficaram mais tempo do que eu no Ministério da Educação”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em sabatina de Folha, UOL e SBT, no dia 17 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Haddad foi ministro da Educação por sete anos (de julho de 2005 a janeiro de 2012), nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. De fato, só outros dois ministros ficaram mais tempo no cargo: Paulo Renato, nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002, e Gustavo Capanema, que se manteve no posto por 11 anos (de 1934 a 1945), no período em que Getúlio Vargas governou o Brasil.


“[Lula] Herdou 32% de carga tributária [de FHC] e entregou [a Dilma] com 32,5%”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em sabatina de Folha, UOL e SBT, no dia 17 de setembro de 2018

VERDADEIRO

No final de 2002, a carga tributária equivalia a 32,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Quando deixou o cargo, em 2010, a carga estava em 32,5%. Os dados são da Instituição Fiscal Independente, órgão de controle ligado ao Senado Federal.


“[Em 2016] o PSDB era de santos, o PMDB era de santos, o PP era de santos”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

FALSO

Ao ser questionado sobre o motivo de sua não reeleição, Haddad afirmou que, em 2016, só o PT era alvo de denúncias e notícias negativas. Em suas palavras, o PT tinha virado “o demônio do país”.

No período eleitoral de 2016, no entanto, já era pública a primeira “Lista do Janot”, como ficou popularmente conhecida a lista de políticos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem investigados por suposto envolvimento nos esquemas descobertos na Operação Lava Jato. A PGR, à época comandada por Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra 47 políticos, sendo sete deles do MDB, 32 do PP e um do PSDB. Ainda completavam a lista seis parlamentares do PT e um do PTB.

Procurado, Haddad não retornou.


“[O Brasil tinha] 4,9% de desemprego em dezembro de 2014”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, a taxa de desemprego no mês de dezembro de 2014 foi de 4,3%, um pouco menor do que total citado por Haddad. A taxa média anual foi de 4,8%.

Mas vale destacar que essa pesquisa foi descontinuada em fevereiro de 2016 e substituída pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PnadC), que tem metodologia distinta. Entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2016, as duas foram realizadas paralelamente. Na edição da PnadC do último trimestre de 2014, a taxa de desemprego no país era de 6,5%, a segunda menor da série iniciada em 2012.


“Tasso Jereissati falou: ‘nós cometemos três erros: (…) questionamos o resultado eleitoral (…). Aprovamos uma pauta em que nós não acreditávamos para prejudicar o PT (…). Embarcamos no governo Temer”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo no dia 13, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse o seguinte: “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. (…) O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer”. Ele afirmou, ainda, que os “problemas” de Aécio foram também “a gota d’água”.


“Entreguei [a Prefeitura de São Paulo] com R$ 5,5 bilhões em caixa e R$ 2,2 bilhões para pagar”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O Relatório anual de fiscalização das contas mostra que o caixa bruto da Prefeitura de São Paulo era de R$ 5,34 bilhões no final de 2016, quando Haddad concluiu sua gestão. As despesas que deveriam ser quitadas em curto prazo somavam R$ 2,19 bilhões.


“[Na época das eleições de 2016,] o PT estava sozinho, na berlinda, enquanto todas as delações relativas ao PSDB, PP, PMDB estavam represadas”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidente pelo PT, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 6 de setembro de 2018

FALSO

No período eleitoral de 2016, já era pública a primeira “Lista do Janot”, como ficou popularmente conhecida a lista de políticos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem investigados por suposto envolvimento nos esquemas descobertos na Operação Lava Jato. A PGR, à época comandada por Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra 47 políticos, sendo sete deles do MDB, 32 do PP e um do PSDB. Ainda completavam a lista seis parlamentares do PT e um do PTB.

Procurado, Haddad não retornou.


“Eu sempre fui crítico de financiamento empresarial de campanha”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidente pelo PT, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 6 de setembro de 2018

CONTRADITÓRIO

Apesar de dizer que sempre foi crítico ao financiamento empresarial de campanha, Haddad teve 9% dos recursos arrecadados em 2012 para sua eleição como prefeito de São Paulo vindos diretamente de empresas. Naquele ano, sua campanha registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma receita total de R$ 42,084 milhões, sendo R$ 3,765 milhões oriundos de pessoas jurídicas, entre bancos, seguradoras e empreiteiras.

Os recursos de empresas também chegaram à campanha de Haddad de forma indireta. A Direção Nacional do PT arrecadou naquele ano R$ 217,1 milhões junto a empresas e distribuiu essa verba entre todos os candidatos do partido. Ao todo, 285 pessoas jurídicas contribuíram com as campanhas petistas. De forma direta, a Direção Nacional da sigla aportou R$ 13,7 milhões na campanha de Haddad.

O Comitê Financeiro Único do PT da capital paulista contribuiu com R$ 24,2 milhões para a campanha do atual candidato a vice-presidente naquele ano, o equivalente a 57,8% do total arrecadado pelo petista – também financiado, em boa parte, por recursos de empresas e do Diretório Nacional. Veja os dados completos aqui.

Em 2015, o Supremo Tribunal Federal proibiu doações de empresas às campanhas eleitorais. No ano seguinte, quando concorreu à reeleição e foi derrotado, Haddad arrecadou R$ 7,6 milhões de pessoas físicas.

Procurado, Haddad não retornou.


“No dia do anúncio do resultado [das eleições presidenciais] de 2014 já havia contestação do resultado”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidente pelo PT, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 6 de setembro de 2018

FALSO

A primeira contestação oficial do resultado foi feita quatro dias depois do segundo turno das eleições de 2014. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita em 26 de outubro daquele ano, derrotando Aécio Neves, candidato do PSDB. No dia 30 daquele mês, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) pediu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria especial no “sistema de votação, apuração e contagem dos votos da última eleição”. Em nota, o partido, então presidido por Aécio, argumentou que a introdução do voto eletrônico tinha se mostrado ineficiente para “tranquilizar os eleitores quanto a não intervenção de terceiros nos sistemas informatizados”.

Em 18 de dezembro daquele ano, o PSDB e a Coligação Muda Brasil pediram ao TSE a cassação dos registros de candidatura e dos diplomas de Dilma e de seu então vice, Michel Temer. Em novembro de 2015, o próprio PSDB concluiu que não houve fraude na eleição.

Procurado, Haddad não retornou.


“Isso está na sentença do Moro: ‘nunca houve um governo que fortaleceu tanto a Polícia Federal, o Ministério Público, Poder Judiciário e a CGU”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidente pelo PT, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 6 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

No dia 12 de julho de 2017, o juiz Sergio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No ponto 793 do relatório que embasou sua sentença, Moro realmente destacou uma série de avanços promovidos pelo governo Lula no combate à corrupção, mas não escreveu que seus dois mandatos foram os que mais combateram este tipo de crime, como sugeriu Haddad na Globonews.

No documento, Moro registrou o seguinte: “é forçoso reconhecer o mérito do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fortalecimento dos mecanismos de controle, abrangendo a prevenção e repressão, do crime de corrupção, especialmente nos investimentos efetuados na Polícia Federal durante o primeiro mandato, no fortalecimento da Controladoria Geral da União e na preservação da independência do Ministério Público Federal mediante a escolha, para o cargo de Procurador Geral da República, de integrante da lista votada entre membros da instituição”.

Entretanto, mais adiante, o juiz ressaltou que “medidas essenciais foram deixadas de lado” nessa batalha contra a corrupção, como a “alteração da exigência do trânsito em julgado da condenação criminal para início da execução da pena”.


“O PT, em 2016, perdeu 60% dos votos no país”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidente pelo PT, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 6 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o Partido dos Trabalhadores, de fato, perdeu 60% dos votos entre as últimas duas eleições municipais. Em 2012, a sigla recebeu pouco mais de 17,2 milhões de votos. Em 2016, 6,8 milhões.


“[Ao estourar a âncora cambial, FHC] Provocou um rombo nas contas externas monumental”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidente pelo PT, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 6 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em 13 de janeiro de 1999, quase duas semanas depois de sua segunda posse presidencial e depois de ter passado meses e meses negando que a paridade entre o dólar e o real chegaria ao fim, o então presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou o período de câmbio controlado no Brasil. Naquela data, “a perda de reservas internacionais já era da ordem de US$ 1 bilhão/dia”, colocando em risco, inclusive, o esforço econômico feito desde a criação do Plano Real.


“Quando nós chegamos no Ministério da Educação, o orçamento era (…) R$ 20 bilhões (…).  E quando eu deixei o Ministério da Educação, o orçamento era da ordem de R$ 100 bilhões”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em evento do Todos Pela Educação, no dia 16 de agosto

EXAGERADO

O candidato à vice-presidência pelo PT, Fernando Haddad, assumiu como ministro Educação em julho de 2005 e ficou no cargo até janeiro de 2012. Segundo dados do SIGA Brasil, portal de orçamento do Senado Federal, o orçamento autorizado (que inclui emendas ao orçamento posteriores à sua aprovação) do ministério em 2005 foi de R$ 22,3 bilhões, número próximo ao citado pelo candidato. Entretanto, o orçamento de 2012 foi menor do que o citado: R$ 85,2 bilhões.

Vale pontuar, ainda, que esse valores são nominais, isto é, sem correção pela inflação. O IPCA acumulado entre janeiro de 2005 e dezembro de 2012 é de 50,17%. Ou seja, considerando a inflação, o orçamento de 2005 seria de cerca de R$ 33,5 bilhões, em valores de 2012.  

Procurado, Haddad não respondeu.


“Nós estamos com mais de 90% de cobertura [escolar na faixa etária] de 4 a 5 anos”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em evento do Todos Pela Educação, no dia 16 de agosto

VERDADEIRO

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), de 2017, a taxa de escolarização de crianças de 4 a 5 anos, faixa correspondente a pré-escola, é de 91,7%. As regiões Nordeste e o Sudeste tiveram as maiores taxas, de 94,8% e 93%, respectivamente. A região Norte, a menor: 85%.


“Mais de 50% dos eleitores votariam ‘Lula’ no segundo turno em qualquer cenário, contra qualquer adversário”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

FALSO

Entre as pesquisas de intenção de voto registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgadas antes da entrevista de Haddad ao Canal Livre, apenas uma mostra um cenário em que Lula tem a preferência de “mais de 50% dos eleitores”. É a CUT/Vox Populi, de 26 de julho. Nela, o petista aparece com 52% das intenções de voto na possibilidade de um segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB), que teria 10%. Mesmo neste levantamento, contra outros candidatos, Lula ficaria com 50% das intenções de voto: contra Ciro Gomes (11%), Marina (12%) e Bolsonaro (16%). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Nas demais pesquisas, o índice de preferência de Lula entre os eleitores não atinge 50%. Na mais recente delas, a 13ª rodada da pesquisa XP Investimentos/Ipespe, publicada na última sexta-feira (17), o candidato do PT aparecia com 43%, e Bolsonaro, com 34% no único cenário de segundo turno envolvendo o petista. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais. Lula também aparece com 43% nos dois cenários de segundo turno medidos pelo instituto Real Time Big Data, publicados no último dia 13 – contra Bolsonaro (34%) e Alckmin (31%). No Datafolha de 11 de junho, Lula faz 49% contra Alckmin (27%) e Bolsonaro (32%) e 46% contra Marina Silva (31%). A margem de erro em ambas as pesquisas é de dois pontos percentuais.

Na última segunda (20), depois da entrevista, o levantamento da CNT/MDA mostrou Lula numericamente abaixo de 50% das intenções de voto em três dos quatro cenários de segundo turno apresentados.

Procurado, Haddad não retornou.


“A The Economist, que é uma revista liberal, diz que o Brasil é o único lugar no mundo que o banco (…) ganha na expansão e na retração [da economia]”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

EXAGERADO

Haddad se refere a artigo publicado na edição de 2 de agosto de 2018 da revista The Economist, intitulado, em sua versão online, “Bancos brasileiros: lucrativos em qualquer clima econômico”. O texto diz que os bancos brasileiros ganham em momentos de expansão e de retração da economia e sugere que o funcionamento do setor bancário no país é anormal. No entanto, não diz, literalmente, que se trata de uma situação única no mundo.

“Na recessão, nem o Itaú Unibanco, nem o Bradesco, os dois maiores [bancos privados], viram sua rentabilidade dos capitais próprios (…) abaixo dos 15,9%”, diz o artigo. “A maioria dos bancos europeus não atingem os dois dígitos”.

O artigo pontua que as “distorções” do mercado financeiro, incluindo a força dos bancos públicos, têm consequências positivas e negativas para os bancos. Para pessoas físicas e pequenas empresas, porém, essas distorções significam que os empréstimos são “mais baixos [em volume] e mais caros do que deveriam”.

Procurado, Haddad não retornou.


“Nós [PT] tínhamos 11 vereadores em 55 [eleitos para a Câmara de São Paulo]”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

Haddad se referia ao apoio que tinha na Câmara de Vereadores quando foi prefeito da capital paulista. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o PT elegeu 11 vereadores em 2012 – quando Haddad também conquistou a prefeitura de São Paulo. Mas a base aliada de Haddad era bem maior do que isso. Nos três primeiros anos de sua gestão, ele chegou a ter o apoio de 42 dos 55 vereadores da casa.


“Aprovamos tudo aqui em São Paulo. Não tivemos um projeto meu que não foi aprovado na Câmara”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

FALSO

Em quatro anos como prefeito de São Paulo, Haddad apresentou 151 projetos de lei. Desses, 25 não foram sequer votados. Durante a gestão do petista, 116 projetos do executivo de Haddad foram aprovados pelo plenário da Câmara – sete deles já na gestão João Doria – e outros 10, retirados pelo governo municipal (três na própria gestão Haddad, sete na de Doria). Nenhum projeto proposto pela administração petista foi derrotado em plenário no período em que Haddad comandou a cidade.

Procurado, Haddad não retornou.


“O Piauí ficou em segundo lugar no ranking de eficiência [nos gastos] no quesito segurança pública”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

VERDADEIRO

O Ranking de Eficiência dos Estados, recém lançado pela Folha de S.Paulo e pelo Datafolha, mostra quais estados entregam mais educação, saúde, infraestrutura e segurança à população, utilizando o menor volume de recursos financeiros. No quesito segurança, o estado do Piauí ficou em segundo lugar, atrás apenas de Santa Catarina.


“90% dos deputados do PMDB e do PSDB (…) aprovaram  as medidas do Temer”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

VERDADEIRO, MAS

Na votação da PEC do Teto de Gastos Públicos, proposta pelo Executivo, 100% dos 46 deputados do PSDB e dos 64 do PMDB que estavam na Câmara votaram a favor da medida. A proposta, que limitou por 20 anos as despesas do governo, foi aprovada na Câmara no dia 26 de outubro de 2016 e no Senado no dia 16 de dezembro de 2016. Mas na reforma trabalhista, o percentual foi menor entre os deputados do PMDB: 86% dos 59 parlamentares que estavam na sessão do dia 26 de abril de 2017 votaram a favor da reforma. Já entre os tucanos, 98% dos 44 presentes foram favoráveis: apenas a catarinense Geovânia de Sá votou contra.


“[Lula] Foi o presidente que mais criou universidades”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

VERDADEIRO

Dados do Censo do Ensino Superior do Inep mostram que, durante a gestão de Lula (2003 a 2010), foram criadas 15 universidades federais. Durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995 a 2002), foram quatro e no governo de Dilma Rousseff (PT, 2011 a 2016), cinco. Se contarmos o número total de universidades criadas, incluindo privadas, estaduais e municipais, Lula também fica na frente: 28, contra 27 durante o governo Fernando Henrique e sete no governo Dilma.


“Tem vários ministros tucanos no governo [Temer]”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

EXAGERADO

Atualmente, apenas um ministério do governo Temer é chefiado por alguém do PSDB: o das Relações Exteriores, sob comando do senador licenciado Aloysio Nunes Ferreira. Ele ocupa vaga da cota pessoal do presidente. Aloysio e Luislinda Valois, que comandava a pasta dos Direitos Humanos, foram os únicos tucanos a permanecerem no governo depois que o PSDB se retirou da base, em dezembro de 2017. Luislinda foi demitida em fevereiro deste ano. O PSDB chegou a ocupar quatro ministérios: além dos citados, comandou as pastas da Justiça e das Cidades.

Por telefone, Haddad disse que se referia aos tucanos que já haviam passado pelo governo, e não à situação atual.

Editado por: Clara Becker e Natália Leal

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