A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Jair Bolsonaro eleito: veja aqui 110 frases ditas por ele e checadas pela Lupa em 2018

por Equipe Lupa
28.out.2018 | 20h00 |

Jair Bolsonaro foi eleito Presidente da República na noite de domingo (28), derrotando o petista Fernando Haddad (PT) com 55% dos votos válidos. Desde o início do ano, a Lupa acompanha falas de Bolsonaro em diferentes emissoras de televisão, rádios e publicações. As frases foram classificadas com diferentes etiquetas, seguindo a metodologia utilizada pela agência com todos os outros políticos observados nas eleições de 2018. O resultado é este apanhado de 110 frases ditas pelo novo presidente do Brasil entre janeiro e a semana anterior à votação do segundo turno. Veja a seguir o resultado:

“Eu – dentro do hospital, baixado, de cama – cresci muito mais do que ele [Haddad] nas ruas”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista à Band, no dia 21 de outubro de 2018

FALSO

No período em que esteve hospitalizado – após sofrer um atentado em ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais -, Bolsonaro cresceu nove pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Ibope e seis nas aferidas pelo Datafolha. Fernando Haddad, no mesmo período, cresceu 15 pontos percentuais, segundo o Ibope, e 13, de acordo com o Datafolha.

Na pesquisa Ibope divulgada no dia 4 de setembro (dois dias antes do atentado), Bolsonaro tinha 22% das intenções de voto. Em 1º de outubro, dois dias depois de ele deixar o hospital, esse percentual havia crescido para 31%. Nos mesmos levantamentos, Haddad tinha 6% e 21%, respectivamente, das intenções de voto.

Já nas pesquisas do Datafolha, Bolsonaro saiu de 22% em 22 de agosto (a mais recente antes do atentado) para 28% em 10 de setembro, a primeira divulgada depois de ele receber alta. Haddad, por sua vez, passou de 9% para 22% das intenções de voto nestes levantamentos.

Procurado, o candidato não retornou.


“Ele [Haddad] e sua coligação tiveram mais de R$ 500 milhões para a campanha”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista à Band, no dia 21 de outubro de 2018

FALSO

O candidato Fernando Haddad (PT), cabeça de chapa da coligação “O povo feliz de novo”, recebeu R$ 32.466.866,33 para sua campanha – valor que equivale a 6,5% do mencionado por Bolsonaro. Desse total, R$ 29.658.261,50 de despesas haviam sido, de fato, contratadas até o dia 23 de outubro.

Vale ressaltar que a minirreforma eleitoral, estabelecida em 2017, fixou o limite de gasto da campanha para presidente em R$ 70 milhões para o primeiro turno das eleições e em mais R$ 35 milhões no caso de um segundo turno. Ou seja, candidato algum poderia obter mais de R$ 105 milhões para campanha – valor que representa pouco mais de 20% dos R$ 500 milhões citados por Bolsonaro.

Procurado, o candidato não retornou.


“Para nós, coube apenas R$ 3 milhões, e eu não usei a parte desse fundo partidário”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista à Band, no dia 21 de outubro de 2018

VERDADEIRO

O candidato Jair Bolsonaro e sua coligação “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” receberam R$2.547.640,20 em recursos para a campanha de 2018. Desse total, R$1.721.537,42  foram contratados até o dia 23 de outubro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os recursos oriundos do fundo partidário utilizados pela campanha, de fato, são irrisórios: representaram 0.81% da arrecadação total.


“A Inglaterra, há 20 e poucos anos atrás, diminuiu a sua carga tributária”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista à Band, no dia 21 de outubro de 2018

“Alguns anos atrás, a Inglaterra baixou sua carga tributária de 28% para 21%”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

A carga tributária do Reino Unido – que compreende Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales – era, em 2016, equivalente a 33,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 1996, ou seja, 20 anos antes, ela era de 29,7% do PIB. Assim, o que houve foi um aumento na carga tributária, e não uma diminuição.

Há oito anos, o Reino Unido começou a reduzir a corporate tax, imposto que incide sobre o lucro das empresas. Essa redução foi feita gradativamente, de 30% para 20%. Mas, além de isso não ter ocorrido “há 20 e poucos anos”, como diz Bolsonaro, não é o mesmo que redução da carga tributária – já que, com relação ao PIB, ela não diminuiu.

Procurado, o candidato não retornou.


“Os cargos comissionados são muito importantes para a governabilidade”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista à Band, no dia 21 de outubro de 2018

CONTRADITÓRIO

Assessor do núcleo duro de Bolsonaro, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) recentemente defendeu um corte drástico no número de cargos comissionados do governo federal. Apontado como possível chefe da Casa Civil em um eventual governo do candidato do PSL, Lorenzoni disse, em entrevista ao jornal O Globo, que 25 mil cargos comissionados seriam extintos logo no primeiro dia de governo. À Band, Bolsonaro afirmou que serão cortados “pelo menos metade” desses cargos.

Procurado, o candidato não retornou.


“Nós temos em torno de 23 mil cargos comissionados [no governo federal]”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista à Band, no dia 21 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

O painel estatístico de pessoal do Ministério de Planejamento mostra que há hoje 23.112 cargos comissionados de direção e assessoramento sendo ocupados pelo governo federal. Em nota, a pasta afirma que os cargos em comissão disponíveis chegam a 24.937 – ou seja, nem todos estão, atualmente, ocupados. Desses, apenas 6.099 podem ser preenchidos por servidores não concursados.

Além disso, o número citado por Bolsonaro não engloba os comissionados da Administração Federal Direta, agências reguladoras, universidades e institutos federais de ensino e cargos de natureza especial. Conforme o Painel Estatístico de Pessoal, se considerados os comissionados de todas as naturezas, esse número atualmente é de 32.589.


“O outro lado que está disputando comigo [Haddad] diz, em seu próprio plano de governo, [que vai exercer] controle social da mídia”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

FALSO

O plano de governo de Fernando Haddad fala em um “novo marco regulatório da comunicação social eletrônica”, mas não cita “controle social da mídia”. “As comunicações devem ser livres da ação de controle das autoridades e governantes, impedindo todo e qualquer tipo de censura, mas também da dominação de alguns poucos grupos econômicos”, diz o plano, que fala em promover reformas no sentido de “democratizar largamente a comunicação social e impedir que beneficiários das concessões públicas e controladores das novas mídias restrinjam o pluralismo e a diversidade”.

Procurado, o candidato não retornou.


“[O plano de governo de Haddad propõe] Aumentar o imposto para pessoa física”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

A proposta tributária de Haddad fala no aumento de impostos para pessoa física, mas somente para o que chama de “super ricos”. Segundo o plano do candidato, pessoas que ganham até cinco salários mínimos estarão isentas do tributo. Em compensação, os mais ricos deverão pagar mais impostos – a faixa de valor não é especificada. O projeto de reforma tributária do candidato petista também fala na unificação “gradual” dos “impostos indiretos” em um único imposto sobre valor agregado (IVA), visando a simplificação do sistema, e na cobrança de impostos sobre lucros e dividendos.


“[O plano de governo de Haddad propõe] Criar mais estatais”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

FALSO

O plano de governo de Haddad não fala na criação de nenhuma nova empresa estatal. O programa propõe “suspender a política de privatização de empresas estratégicas” e o fortalecimento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), mas não cita a criação de novas empresas.

Procurado, o candidato não retornou.


“Eu levo sugestões, e ele [Paulo Guedes] que decide”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

CONTRADITÓRIO

Apesar de afirmar que Paulo Guedes terá autonomia na política econômica em seu governo, Bolsonaro desautorizou fala de seu futuro ministro da Fazenda recentemente. Em setembro, Guedes disse, em evento fechado com investidores, que iria criar um tributo semelhante à extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Bolsonaro, que ainda estava no hospital se recuperando do atentado que sofreu, afirmou, pelo Twitter, que não criaria novos impostos. “Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!”, publicou.

Procurado, o candidato não retornou.


“O policial, hoje em dia, tem que esperar o bandido atirar para reagir (…). Por isso queremos mexer no Código Penal”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao SBT Brasil, no dia 16 de outubro de 2018

FALSO

O Código Penal não impede que um policial atire em um criminoso que coloque a segurança dele ou de terceiros em risco, independentemente de este criminoso atirar antes ou não. O policial, assim como qualquer cidadão, tem direito à legítima defesa, prevista no Código Penal. De acordo com o artigo 25, “entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.” Ou seja, o próprio código penal já prevê que o policial pode atirar para evitar uma ação violenta que está prestes a acontecer.

Um exemplo é o caso da policial militar Katia Sastre, que reagiu a um assalto na porta da escola de sua filha e matou o assaltante antes que ele atirasse. Além de ser homenageada pelo governador de São Paulo, Márcio França, pelo seu ato, Katia foi eleita deputada federal pelo Partido Republicano. Com 264.013 votos, ela teve a sétima maior votação no Estado.

Procurado, o candidato não retornou.


“Eles [PT] tentaram também censurá-la [a internet], via Marco Civil da internet”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao RedeTV News, no dia 11 de outubro de 2018

FALSO

O Marco Civil da Internet não trata de censura à internet. A lei, sancionada em 2014, estabelece direitos e garantias aos usuários da rede com “respeito à liberdade de expressão”, e em momento algum sugere qualquer tipo de controle ao tráfego de informações. A lei garante a “inviolabilidade e sigilo de fluxo” de comunicações privadas e proíbe a suspensão dos serviços exceto por falta de pagamento (artigo 7), impede que o responsável pelo tráfego de informações privilegie ou prejudique qualquer tipo de conteúdo (artigo 9), e impede que provedores de internet sejam responsabilizados por conteúdos de terceiros, salvo em caso de descumprimento de ordem judicial específica (artigo 19), entre outras disposições contrárias à ideia de censura.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Não temos qualquer comprovação de que são médicos [os cubanos que fazem parte do programa Mais Médicos]”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao RedeTV News, no dia 11 de outubro de 2018

FALSO

A lei 12.871/2013, que instituiu o Mais Médicos no Brasil, exige que o candidato estrangeiro que pretende fazer parte do programa apresente comprovação de formação. Segundo a lei, o médico intercambista – como são chamados os estrangeiros que integram o projeto – precisa apresentar o diploma (expedido por instituição de educação superior estrangeira) e a habilitação para o exercício da Medicina no país de formação. Os estrangeiros do Mais Médicos não precisam fazer a revalidação do diploma para atuar no Brasil, mas não significa que estejam liberados de apresentar comprovação de sua formação. Além disso, a lei também prevê que os intercambistas sejam fiscalizados pelo Conselho Regional de Medicina.

A contratação dos médicos cubanos é feita por uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), regida pelo Termo de Cooperação Técnica TC (80) assinado pelos dois órgãos em agosto de 2013. De acordo com nota da OPAS, a quem compete selecioná-los, “os médicos cubanos que estão trabalhando no Brasil são profissionais experientes com mais de 10 anos de prática clínica em sua maioria, experiência internacional em uma ou mais missões e especialização em saúde da família”.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“No referendo de 2005, o povo decidiu que quer ter o direito de comprar armas e munições”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao RedeTV News, no dia 11 de outubro de 2018

VERDADEIRO

O Estatuto do Desarmamento entrou em vigor em 2003 e previu para 2005 a realização de um referendo sobre o comércio de armas e munições no Brasil. Em outubro daquele ano, os brasileiros foram às urnas para responder à pergunta “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” –  63% dos eleitores votaram “não”. Assim, os brasileiros votaram pela manutenção do comércio desses artigos.


“[Trabalharemos pela] Redução da nossa maioridade penal, que é o povo quer e deseja”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 8 de outubro de 2018

VERDADEIRO

O programa de governo que o candidato Jair Bolsonaro enviou ao TSE, de fato, propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O documento informa que essa medida irá auxiliar na redução de homicídios, roubos, estupros e outros crimes. Segundo pesquisa divulgada no início do ano pelo Datafolha, 84% dos brasileiros eram favoráveis à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Apenas 14% dos entrevistados se declarou contra, e 2% deles não responderam. Dentro dos 84% que querem a redução, 64% acreditavam que a lei deveria valer para qualquer crime e somente 36% acreditava que ela deve ser para crimes específicos. Em 2015, estudo semelhante, também feito pelo Datafolha, indicava que 87% dos brasileiros concordavam com a redução da maioridade penal.  


“Nunca alguém que fez oposição ao PT teve votação tão expressiva [no Nordeste]”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 8 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo dados do TSE, Bolsonaro teve 7.453.186 votos no Nordeste no último domingo (7). Em números absolutos, o resultado do deputado do PSL-RJ foi o melhor obtido por qualquer candidato não-petista em pleitos presidenciais desde 2006 (ano em que Lula tentou sua primeira reeleição e, a partir do qual já se podia falar em “oposição ao PT” no governo federal). O segundo melhor desempenho observado até agora em primeiros turnos tinha sido registrado por Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006. No primeiro turno daquele ano, o tucano teve 6.514.319 votos no Nordeste. Mas, se considerada a proporção que esses números representam sobre o total de votos válidos da região, Alckmin foi melhor. Em 2006 fez 26,15% dos votos válidos, contra os 25,86% de Bolsonaro no último domingo.


“Por ocasião da Ação Penal 470, do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa me cita como o único deputado que não foi comprado pelo PT”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevistas à Record, no dia 4 de outubro, ao jornalista Boris Casoy no dia 28 de setembro, ao Jornal Nacional, no dia 28 de agosto, ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto, ao Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

EXAGERADO

Durante o julgamento do mensalão, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa mencionou Jair Bolsonaro como um dos parlamentares que votou contra a aprovação da Lei das Falências, feita em 2013. Essa votação foi usada pelo ministro como exemplo de compra de votos no Congresso. O atual candidato do PSL não, foi, entretanto, o único mencionado por Barbosa. Textualmente, o magistrado afirmou o seguinte: “os líderes dos quatro partidos [PTB, PP, PL e PMDB] cujos principais parlamentares receberam recursos em espécie do PT orientaram suas bancadas a aprovar o projeto (…). Somente o sr. Jair Bolsonaro, do PTB, votou contra a aprovação da referida lei”. Além dele, acrescentou Barbosa, “vários parlamentares do PT também desobedeceram à orientação da liderança do partido e do governo e votaram contra”. Em 2018, o ex-ministro do STF disse em entrevista que considera Bolsonaro “um risco para o país”.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“As pesquisas [eleitorais]… todo mundo desconfia no Brasil”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevista à Record, no dia 4 de outubro de 2018

CONTRADITÓRIO

Bolsonaro têm questionado com frequência os institutos que realizam pesquisas eleitorais no Brasil, mas usa os números aferidos por eles quando o favorecem. Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, ao falar dos resultados de pesquisas eleitorais recentes afirmou: “a grande surpresa positiva virá do Nordeste, tenho aceitação maior do que o Aécio [Neves] quando disputou com a Dilma [Rousseff]”. Em 2014, na última semana de campanha, a pesquisa Datafolha revelou que Aécio Neves (PSDB) tinha 7% das intenções de votos no Nordeste – a pesquisa foi divulgada no dia 1º/10, véspera do debate realizado pela TV Globo. Na última quinta-feira (4), levantamento do Datafolha mostrou que Bolsonaro tinha 20% das intenções de voto na mesma região. Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Lamento o Lula ter sido preso”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, no dia 4 de outubro de 2018

CONTRADITÓRIO

No dia 24 de agosto, Jair Bolsonaro foi incisivo ao criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, classificava-o como “malandro” e “bandido”. Ao comentar sua prisão, o presidenciável afirmava o seguinte: “Temos um presidiário [Lula] ocupando espaço em rádio, jornais e televisão como possível candidato. Tem que estar preso, e não concorrendo à eleição presidencial. Isso é uma vergonha. Instituto de pesquisa botando o nome desse malandro, desse bandido, desse presidiário e mentindo no tocante aos números”.

Procurado, Bolsonaro não retornou.  


“Nunca o [general Hamilton] Mourão falou em acabar com o 13º”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevista à Record, no dia 4 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, de fato, não falou “em acabar com o 13º” salário’, mas fez duras críticas ao benefício. Num evento realizado no Rio Grande do Sul no mês passado, Mourão disse que o 13º era uma “jabuticaba” e, logo em seguida, foi repreendido pelo próprio Bolsonaro, que, em suas redes sociais, disparou: “Criticá-lo [o 13º salário], além de uma ofensa a quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”. Apesar disso, na última terça-feira (02), Mourão voltou a atacar o benefício. Afirmou que, com ele, “todos saímos prejudicados”.


“[Fernando Haddad] Sequer conseguiu passar para o 2º turno em São Paulo”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevista à Record, no dia 4 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Nas eleições municipais de 2016, quando o petista Fernando Haddad tentava a reeleição na cidade de São Paulo, o tucano João Doria venceu com 53,29% dos votos já no primeiro turno do pleito. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, naquela disputa, Haddad teve 16,70% dos votos e ficou em segundo lugar.


“Ele mesmo [Palocci] diz: ‘nas últimas campanhas, Dilma Rousseff gastou em torno de R$ 1,5 bilhão'”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevista à Record, no dia 4 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Em delação premiada à Polícia Federal, o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci afirmou que, em 2010, a campanha de Dilma Rousseff (PT) custou R$ 600 milhões e que, em 2014, custou R$ 800 milhões. Juntas, elas somariam cerca de R$ 1,4 bilhão.


“[O voto eletrônico] É um sistema eleitoral que não existe em nenhum lugar do mundo”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, no dia 28 de setembro

FALSO

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (IDEA Internacional) informam que 32 países utilizam a tecnologia do voto eletrônico para garantir o processo eleitoral. Entre essas nações estão Suíça, Canadá, Austrália e Estados Unidos (em alguns estados). Na América Latina, o México e o Peru também fazem uso do sistema. Contudo, vale ressaltar que o TSE aponta que o Brasil é um dos poucos países que expandiram esse sistema para a “quase totalidade dos eleitores”.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Eu não estou coligado com ninguém”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao RedeTV News, da RedeTV, no dia 28 de setembro

FALSO

Segundo o TSE, a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) tem o apoio do PRTB. À coligação formada pelos dois partidos foi dado o nome “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.  

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Me achem um áudio, uma imagem minha dizendo que mulher tem que ganhar menos do que homem. Não existe”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, no dia 28 de setembro de 2018

“É mentira que defendi em qualquer época da minha vida que mulher deve ganhar menos [que homem]”
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, no debate da RedeTV, no dia 17 de agosto de 2018

“Essa declaração [de que mulheres devem ganhar menos do que homens no mercado de trabalho] não é da minha boca. Botaram na minha conta”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

“Aponte um áudio meu dizendo que mulher tem que ganhar menos do que homem”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao programa Agora É Com Datena, da Band, no dia 22 de abril

FALSO

Há registros públicos da afirmação do candidato sobre mulheres ganharem salários menores do que os dos homens. Em 2016, em entrevista à apresentadora Luciana Gimenez na RedeTV!, Bolsonaro afirmou o seguinte (5min28seg): “eu não empregaria [homens e mulheres] com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente”.

À época, ele fazia referência à origem dessa polêmica, causada por uma declaração ao jornal Zero Hora em 2014. O jornal disponibilizou os áudios daquela entrevista e, neles, é possível ouvir que o deputado diz: “Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? ‘Poxa, essa mulher está com aliança no dedo. Daqui a pouco engravida. Seis meses de licença-maternidade’ (…) Por isso que o cara paga menos para a mulher. É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual”.

Segundo o IBGE, as mulheres ganham em média R$ 542 a menos do que os homens no Brasil.

Das quatro vezes em que a Lupa checou este tema, apenas na primeiras Bolsonaro respondeu à agência. Em abril, o deputado disse que a declaração dada à Rede TV! buscava explicar sua posição sobre o tema e que considera injusto usá-la para dizer que hoje ele diz isso sobre esse assunto. “Se houve um mal entendido em 2016, paciência”. À época, perguntado sobre sua opinião atual sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, disse que não tem nenhuma.


“Tem uma passagem falsa dele [Adélio Bispo de Oliveira, agressor de Bolsonaro] pela Câmara dos Deputados no dia 6 de setembro”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista à Rádio Jovem Pan no dia 24 de setembro

FALSO

Os registros de uma suposta passagem de Adélio Bispo de Oliveira pelo Congresso Nacional no dia 6 de setembro – data em que ele esfaqueou Bolsonaro durante ato político em Juiz de Fora (MG) – foram feitos por engano, segundo a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados. De acordo com o diretor da PL, Paul Pierre Deeter, no dia do atentado, um funcionário da Casa tentou verificar se Oliveira já havia passado pelo local e acabou inserindo registros de visita de forma equivocada. Uma investigação sobre o caso chegou a ser aberta – e já foi arquivada.

A história veio à tona no dia 19 de setembro, quando o site O Antagonista divulgou um ofício da PL sobre as supostas entradas de Adélio na Câmara, no dia 6, e sugeriu que se tratava de um possível “álibi forjado”.

Adélio visitou a Câmara em 6 de agosto de 2013, mas não há informação sobre a quais partes do prédio ele se dirigiu naquele dia, já que a Casa não faz esse tipo de registro.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“A própria ex-mulher [Ana Cristina Valle], na matéria, desmente muita coisa”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao programa Brasil Urgente, no dia 28 de setembro

EXAGERADO

Bolsonaro se referia à reportagem da revista Veja, publicada em 28 de setembro, que mostra detalhes do processo do divórcio dele de Ana Cristina Valle, ocorrido em 2008. À época, Ana Cristina acusou o candidato do PSL de ocultar patrimônio, furtar um cofre do Banco do Brasil e tratá-la com “desmedida agressividade”. Procurada pela revista, ela disse que, “brava, fala besteira” e que, “quando você está magoado, fala coisas que não deveria”.

No processo, Ana Cristina afirmava que, em 2006, a renda mensal do parlamentar ultrapassava R$ 100 mil mensais  – R$ 26,7 mil do salário de deputado federal, R$ 8,6 mil referentes ao salário de militar da reserva, e “outros proventos” que não são identificados no processo. Perguntada sobre isso, disse à Veja “não se lembrar” do que havia afirmado em 2008.

Ana Cristina também anexou ao processo uma cópia da declaração do imposto de renda do deputado à época, o que demonstraria uma ocultação de patrimônio da Justiça Eleitoral. De acordo com o documento, Bolsonaro omitiu a propriedade de três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes de terras em sua declaração de bens registrada nas eleições de 2006. Em entrevistas concedidas nos últimos dias, Ana Cristina disse que mentiu no processo.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“No governo do PT, umas 50 [empresas estatais] foram criadas”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista à Rádio Jovem Pan no dia 24 de setembro

VERDADEIRO

Ao todo, 54 empresas estatais foram criadas durante o governo do PT – de 2003 a 2016. Segundo o Ministério do Planejamento, o Brasil tem 144 empresas estatais.


“Temos até a estatal do trem-bala”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista à Rádio Jovem Pan, no dia 24 de setembro

VERDADEIRO

A Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A. (ETAV) foi criada na gestão de Dilma Rousseff (PT), em maio de 2011, para financiar a construção de um trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Em dezembro de 2012, a ETAV mudou de nome e passou a se chamar Empresa de Logística e Planejamento, com o objetivo de ser “referência em planejamento (nacional, integrado, sustentável)  de transportes e logística até 2020”. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada em agosto deste ano, mostrou que a EPL tem orçamento anual de R$ 69,36 milhões.


“Está previsto na CLT que mulher e homem têm que ter salário parecido, desde que a diferença de tempo de serviço entre ambos não seja superior a dois anos”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, no dia 28 de setembro, e ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

“Na CLT já se garante isso, o salário compatível [entre homens e mulheres]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

De fato, o artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) afirma que trabalhadores em funções idênticas devem receber o mesmo salário ao prestarem “trabalho de igual valor” para o mesmo empregador em um mesmo local, “sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade”. Mas, de acordo com o parágrafo 1º, a diferença no tempo de serviço entre os trabalhadores em questão não pode ser superior a quatro anos – e não a dois, como mencionado pelo candidato.

Além disso, o parágrafo 2º estabelece que o artigo 461 pode não ser levado em conta para fins de equiparação salarial caso a empresa tenha um plano interno de cargos e salários, mesmo que ele não tenha sido homologado ou registrado em órgão público.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua Trimestra (Pnadc/T),feita pelo IBGE, no segundo trimestre de 2018, o rendimento médio de uma mulher era 76,6% do rendimento médio de um homem. Elas recebiam, em média, R$ 1.874, enquanto os homens recebiam R$ 2.446. Essa pesquisa não avalia escolaridade e cargo ocupado.

A Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, mostra que, em 2016, entre pessoas com empregos formais, os salários médios dos homens foram maiores que os das mulheres em todos os níveis de escolaridade.

Ainda há uma pesquisa recente da Catho, publicada em março de 2018, que mostra diferenças de salário significativas em quase todos os níveis de educação, áreas de atuação e cargos exercidos.


“Eu não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, no dia 28 de setembro

CONTRADITÓRIO

Dois dias após dizer ao apresentador José Luiz Datena que não aceitaria o resultado das eleições caso não vencesse, Bolsonaro voltou atrás. Disse, ao jornal O Globo: “sei que não tenho nada para fazer [em caso de derrota]. O que quis dizer é que não iria, por exemplo, ligar para o Fernando Haddad depois e cumprimentá-lo por uma vitória”. Na segunda-feira (1º), o vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão (PRTB), manteve o tom. Ele afirmou que não acredita em contestação do resultado, mas criticou a possibilidade de retorno do PT ao poder.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Quem criou a CPMF foi o Fernando Henrique Cardoso”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, no dia 28 de setembro

VERDADEIRO

A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) entrou em vigor em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. A previsão inicial era durar dois anos, terminando em 1998. Contudo, a CPMF se estendeu até 2007. Naquele ano, por 45 votos a favor e 34 contra, o Senado rejeitou a prorrogação da emenda até 2011.

Vale lembrar que a CPMF não foi a primeira taxa a incidir sobre a movimentação financeira no país. Em 1993, no governo de Itamar Franco, houve a criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), que vigorou até dezembro de 1994.  


“No governo Lula, o senhor Jaques Wagner defendeu o fim do 13º [salário], enquanto ministro do Trabalho”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao programa Brasil Urgente, no dia 28 de setembro

VERDADEIRO, MAS

Em 2003, no começo do primeiro mandato do ex-presidente Lula, o então ministro do Trabalho, Jaques Wagner, disse à Folha de S.Paulo que o pagamento do 13º salário poderia ser extinto para pequenas empresas, e o dinheiro pago, incorporado ao salário mensal. A proposta, porém, não foi adiante.

O 13º salário é um benefício garantido aos trabalhadores de carteira assinada, previsto em lei desde 1962. Bolsonaro foi instado a comentar o tema porque, na semana passada, o general Hamilton Mourão (PRTB), vice de sua chapa, fez críticas ao 13º salário.   


“O próprio José Dirceu acabou de declarar que ganhar eleição é uma coisa, assumir o poder é outra”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao RedeTV News, da RedeTV, no dia 28 de setembro

VERDADEIRO

Questionado pelo jornal El País sobre o que achava de uma possível vitória do PT, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou que “dentro do país é uma questão de tempo pra gente [PT] tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”.


“Eu defendo a castração química para estupradores”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, no debate da RedeTV, no dia 17 de agosto de 2018

“Tenho projeto de lei que visa a castração química [para o condenado por estupro]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL no debate da Band, no dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

Não é a primeira vez que Bolsonaro levanta esta bandeira, que já havia sido verificada pela Lupa no debate da Band. De fato, em 2013, o candidato propôs o Projeto de Lei 5398/13, que estabeleceria a castração química de condenados por crime de estupro como condição para que voltassem à vida em sociedade. No entanto, desde lá, três deputados já foram selecionados como relatores da proposta: Iriny Lopes (PT-ES), Renata Abreu (PTN-SP) e Ronaldo Fonseca (PROS-DF). Os três, porém, devolveram o projeto de lei sem se manifestarem sobre ele. Pela ficha de tramitação, a proposta aguarda a designação de um deputado relator na Comissão de Justiça e de Cidadania.


“O senhor [Henrique Meirelles] foi presidente do Banco Central por oito anos, depois foi para a JBS/Friboi”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, no debate da RedeTV, no dia 17 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Meirelles ficou de 2003 a 2011 no comando do Banco Central. Depois de um ano de quarentena, assumiu, em 2012, a presidência do Conselho de Administração da J&F, holding de empresas que controla a JBS.


“Para abrir uma empresa no Brasil se leva 90 dias”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, no debate da RedeTV, no dia 17 de agosto de 2018

“Para abrir uma empresa se leva, em média, 100 dias no Brasil”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

EXAGERADO

Os dados do Banco Mundial mostram que, em 2017, o tempo médio necessário para abrir um negócio no Brasil era de 79,5 dias – número inferior ao citado pelo candidato Jair Bolsonaro. Entre os países analisados, o Brasil apareceu com o sexto pior índice. Ficando atrás apenas da Venezuela, Camboja, Haiti, Suriname e Eritreia.


“Cotão: usei metade disso [do valor a que tinha direito]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, no debate da Band no dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Todos os deputados federais têm direito a receber a chamada Cota para exercício da atividade parlamentar, conhecida como Cotão. É uma verba destinada a custear os “gastos dos deputados exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar”. Deputados do Rio de Janeiro podem gastar até R$ 429.108 por ano em passagens aéreas, telefonia, manutenção de escritórios, alimentação, locação ou fretamento de aeronaves e automóveis, contratação de consultoria, entre outros – o que equivale a um gasto mensal de R$ 35.759. Em 2017, Bolsonaro gastou R$ 222.949. O valor é R$ 8.395 acima do que o parlamentar diz ter gasto. Ele é o 47º no ranking dos parlamentares fluminenses que mais usaram o cotão: Veja aqui a lista completa.


“70% dos professores já foram agredidos física ou moralmente por alunos ou pais”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL no debate da Band, no dia 9 de agosto de 2018

EXAGERADO

A pesquisa a que Bolsonaro faz referência é do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e foi publicada em 2012. O levantamento não é nacional e se refere a um universo mais restrito do que o mencionado por Bolsonaro: 70% dos professores paulistas que sofrem de estresse disseram ter sido agredidos física ou moralmente pelos alunos das escolas. Em 2015, 44% dos professores paulistas afirmaram já ter sofrido algum tipo de agressão.


“No referendo de 2005, [o Brasil] foi desarmado”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL no debate da Band, no dia 9 de agosto de 2018

FALSO

O referendo de 2005 não “desarmou” o Brasil. A discussão daquele ano, feita por plebiscito, foi sobre a venda de armas e munições, sob os critérios estabelecidos no próprio Estatuto do Desarmamento, e não debateu o porte ou a posse de armas. Os eleitores foram questionados da seguinte forma: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. A maioria da população respondeu “não”.  Assim, a manifestação da população foi favorável à manutenção da comercialização desses artigos.

De acordo com o estatuto, em vigor desde 2003, só profissionais que trabalham com segurança pública têm autorização para portar armas. Aos cidadãos comuns, é permitida a posse de armas, mas elas só podem ser utilizadas em casa ou no local de trabalho. O estatuto também tornou mais rígidas as regras para a compra de armas e garantiu uma recompensa em dinheiro para aqueles que entregassem sua arma à Polícia Federal.

Tanto o Brasil não foi desarmado após o referendo que, desde 2004, mais de 800 mil armas foram vendidas legalmente no país, segundo dados do Exército obtidos pelo Instituto Sou da Paz via Lei de Acesso à Informação. Também desde 2004, mais de 220 mil novos registros de arma foram concedidos a cidadãos comuns para defesa pessoal. Atualmente, já é possível comprar até seis armas, desde que dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação. Segundo o último levantamento do Datafolha sobre o tema, publicado em janeiro deste ano, 56% dos brasileiros são contrários à extensão do porte legal de armas a todos os cidadãos.


“Em dezembro, ela [Walderice Santos da Conceição, servidora do gabinete de Bolsonaro] estava de férias”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL no debate da Band, no dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

De acordo com o Suplemento ao Boletim Administrativo da Câmara dos Deputados, Walderice Santos da Conceição, servidora do gabinete de Bolsonaro, de fato, estaria de férias do dia 26 de dezembro de 2017 ao dia 24 de janeiro de 2018. Reportagem do jornal Folha de São Paulo revelou que ela era dona do comércio “Wal Açaí”, ao lado da casa de Bolsonaro em Mambucaba, na cidade de Angra dos Reis. Moradores da região afirmaram que o marido de Wal trabalhava como caseiro na casa do deputado em Mambucaba. Walderice seria uma “funcionária fantasma” do gabinete do deputado. A Folha esteve em Mambucaba no dia 11 de janeiro, portanto durante o período que corresponde às férias da servidora.


“Se armas causassem uma explosão de mortes, os Estados Unidos seriam o país mais violento do mundo”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

EXAGERADO

A frase de Bolsonaro foi dada em resposta a uma pergunta que relacionou o alto número de armas de fogo em circulação em um país com o índice elevado de homicídios.

Os Estados Unidos são o país onde mais circulam armas de fogo legais e ilegais nas mãos de civis: eram 393,3 milhões em junho deste ano, de acordo com a organização Small Arms Survey. O número é maior do que a população americana, estimada em 325,7 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o país tem uma taxa de homicídios superior a de outros que estão no mesmo nível econômico. Em novembro de 2017, uma reportagem do jornal The New York Times mostrou que, em 2009, a média de assassinatos cometidos com o uso de armas de fogo nos EUA foi de 33 a cada 1 milhão de habitantes, bem maior do que a de países como o Canadá – 5 a cada 1 milhão de habitantes – e o Reino Unido – 0,7 a cada 1 milhão de habitantes.

Além disso, a taxa de homicídios americana supera a dos 15 países com os maiores Índices de Desenvolvimento Humano do mundo. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime mostram que, em 2015, os EUA tiveram 4,88 homicídios intencionais a cada 100 mil habitantes. O segundo colocado no ranking foi o Canadá, com 1,68 homicídios a cada 100 mil habitantes. No comparativo com os países que formam o G7, as taxas de homicídios nos EUA também são superiores.

Vale ressaltar ainda que, segundo a organização americana Campanha Brady para Prevenção da Violência Armada, citada em levantamento do Instituto Sou da Paz sobre o controle de armas no Brasil em 2015, “a taxa média de mortes por armas de fogo dos dez estados americanos com legislações mais fracas de controle de armas foi o dobro da taxa média dos estados com legislações mais fortes em 2013”.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Eu quero fazer valer o referendo de 2005. Tem que ser respeitada a vontade daquelas pessoas que decidiram por ter o direito à posse de arma de fogo”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

FALSO

Bolsonaro cometeu o mesmo erro de Alvaro Dias. O referendo de 2005 já está valendo. O que foi discutido naquele ano, através de consulta popular, foi a venda de armas e munições, de acordo com as regras propostas pelo próprio Estatuto do Desarmamento – e não o porte ou a posse de armas.

Desde 2004, mais de 800 mil armas foram legalmente vendidas no Brasil, segundo dados do Exército obtidos pelo Instituto Sou da Paz via Lei de Acesso à Informação. Também desde 2004, mais de 220 mil novos registros de arma foram concedidos a cidadãos comuns para defesa pessoal. Atualmente, já é possível comprar até seis armas, desde que dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação.

De acordo com o último levantamento do Datafolha sobre o assunto, publicado em janeiro deste ano, 56% dos brasileiros são contrários à extensão do porte legal de armas a todos os cidadãos.

Procurado, Jair Bolsonaro não respondeu.


“Eu nunca fui homofóbico”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

FALSO

Em novembro de 2017, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou a condenação de Bolsonaro por dano moral coletivo após dar declarações com teor homofóbico ao programa CQC, da TV Bandeirantes, em 2011. A pena estabelecida em 2015 havia sido uma indenização de R$ 150 mil. No programa de TV, o deputado foi perguntado sobre o que faria se tivesse um filho gay. “Isso nem passa pela minha cabeça, porque eles tiveram uma boa educação. Eu sou um pai presente, então não corro esse risco”, afirmou. O processo ainda tramita na Justiça.

Há outras declarações famosas de Bolsonaro com teor homofóbico. Por exemplo, em debate na TV Câmara, o candidato declarou: “O filho começa a ficar assim, meio gayzinho, leva um couro, ele muda o comportamento. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.

Em 2011, em entrevista à revista Playboy, disse: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”. Na mesma entrevista, afirmou: “Se um casal homossexual vier morar do meu lado, isso vai desvalorizar a minha casa! Se eles andarem de mão dada e derem beijinho, desvaloriza”.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“[Durante a ditadura militar] A nossa economia passou da 49ª para a 8ª economia do mundo”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

EXAGERADO

Segundo o Banco Mundial, a economia brasileira não era a 49ª do mundo em 1964, quando o golpe militar ocorreu. Dos 104 países para os quais existem dados para aquele ano, o Brasil aparece como a 12ª maior economia, atrás de Estados Unidos, França, Reino Unido, Japão, Itália, China, Índia, Canadá, Argentina, Austrália e Espanha. A lista só mostra países que existem atualmente, portanto, não fazem parte dela Estados que, à época, eram relevantes economicamente, porém não existem mais, como a União Soviética, a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ainda que eles estivessem à frente do Brasil neste ranking, o país ocuparia, no mínimo, a 15ª posição – e não a 49ª.

Em 1985, ano em que os civis voltaram ao poder, o Brasil aparece como 10ª maior economia, tendo ultrapassado Austrália, Espanha e Argentina (para esse ano, já há dados para a Alemanha, ainda que o país tenha sido reunificado quatro anos depois).

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Eu detesto o PT, como regra, desde há muito tempo (…), [por]que eu conheço esse pessoal, alguns, desde 1970”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

CONTRADITÓRIO

Em pelo menos três ocasiões, Bolsonaro fez elogios públicos ao ex-presidente Lula, principal expoente do PT. Em 1999, o então deputado afirmou no programa Câmara Aberta, na Bandeirantes, que “votaria no Lula” contra Fernando Henrique Cardoso e que o via “como uma pessoa honesta”.

Após as eleições de 2002, em discurso no plenário da Câmara, admitiu que votou em Lula no segundo turno das eleições, se referiu ao presidente eleito como “companheiro, já que está na moda” e em seguida elogiou a competência e honestidade de José Genoino, quadro histórico do PT, para ocupar o Ministério da Defesa. Ainda no período pós eleitoral daquele ano, Bolsonaro afirmou que Lula representava uma “esperança” e afirmou que admirava e respeitava o petista por seu “passado e conquista”.

Em outubro de 2017, em entrevista à jornalista Mariana Godoy, o deputado justificou seu apoio ao ex-presidente dizendo que “o Lula era, até aquele momento ali (2002), virgem. A não ser as suas greves ruidosas, que participou no passado, não tinha as mãos sujas de sangue por parte de grupo terrorista nenhum”, opondo o petista ao tucano José Serra, que foi membro da Ação Popular e adversário de Lula na eleição daquele ano.   

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“A população nossa, 80% [está] inadimplente”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

EXAGERADO

Segundo o Sistema de Produção de Crédito (SPC), o número de pessoas inadimplentes no Brasil chega a cerca de 63 milhões. Os dados são de julho deste ano. Isso equivale a 40% da população adulta do país, segundo o próprio SPC. (30% da população brasileira, estimada em 208 milhões pelo IBGE).

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Eu fui citado pelo senhor Alberto Youssef, por ocasião de sua delação premiada,  [como] um dos três deputados que não foi pegar dinheiro na Petrobras”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

VERDADEIRO

O doleiro Alberto Yousseff, um dos personagens centrais do escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, de fato, afirmou, em vídeo, que Bolsonaro foi um dos três deputados que “não recebia” valores desviados da Petrobras. No depoimento, revelado em março de 2015, Yousseff relatou pagamentos mensais de até R$ 500 mil para líderes partidários envolvidos no esquema. Além de Bolsonaro, o doleiro também citou o deputado Paulo Maluf e a senadora Ana Amélia como políticos que não recebiam esses pagamentos.


“R$ 1,7 bilhão [vai] para este fundão [fundo eleitoral]”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Em junho deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou que R$ 1,7 bilhão será transferido aos diretórios dos 35 partidos brasileiros para a eleição deste ano. O valor é do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Michel Temer em outubro de 2017.


“Eu votei contra o fundão [fundo eleitoral]”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

VERDADEIRO

O Projeto de Lei 8703/17, que institui o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, foi aprovado pelo plenário da Câmara no dia 4 de outubro de 2017. Bolsonaro foi um dos 209 parlamentares que votaram contra o projeto. Outros 223 foram a favor e três se abstiveram.  


“A China tem 1,4 bilhão de habitantes. Revogaram a ‘lei do filho único’, o controle de natalidade, há pouco tempo. A sua população está se transformando em urbana”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Segundo o Banco Mundial, a China tinha 1 bilhões e 386 milhões de habitantes em 2017. No ano anterior o número era pouco menor: 1 bilhão e 379 milhões. O país aboliu a política do filho único em 2015 e estendeu o limite para dois filhos por casal. A lei, que impedia que os casais tivessem mais do que um filho, começou a valer no início dos anos 1980 para reduzir a superpopulação chinesa. Segundo o Banco Mundial, a população urbana do país cresce de forma ininterrupta desde 1973 – quando apenas 17,2% dos chineses viviam nas cidades. Desde 2011, no entanto, mais da metade da população vive em centros urbanos. Em 2017, a população urbana chinesa era 57,9% do total.


“[A] proposta inicial [da reforma da Previdência] falava em 65 anos [como idade mínima para a aposentadoria], inclusive para o policial militar”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

A proposta original da Reforma da Previdência previa que as disposições do artigo 40 da Constituição passariam a valer também para policiais e bombeiros militares. Ela consta na Mensagem 635, enviada ao Congresso em 6 de dezembro de 2016. O artigo 40 regulamenta a aposentadoria de servidores civis, indicando idade e tempo de contribuição para obter o benefício, entre outras coisas.

A proposta do governo fixava idade mínima de 65 anos para todos servidores públicos. Logo, estabelecia, sim, idade mínima de 65 para policiais militares. Mas, no dia seguinte, o governo federal retirou esse dispositivo do projeto.

Atualmente, cabe aos estados legislar sobre a aposentadoria dos “militares dos estados” (policiais e bombeiros), conforme disposto no artigo 42 da Constituição. A primeira versão da reforma alterava esse artigo, aplicando todas as regras do artigo 40 para esses servidores. Essa mudança foi retirada da proposta. O texto original que consta no site do Congresso já aparece sem alterações no artigo 42.


“Quando essa proposta [de reforma da Previdência] do senhor Michel Temer chegou, eu estava no Piauí. (…) Vi a expectativa de vida lá (…): 69 anos”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

“A expectativa de vida do Piauí é de 69 anos de idade”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo a mais recente tábua de mortalidade do IBGE, a esperança de vida de um piauiense ao nascer era de 71,1 anos em 2016 – ou seja, maior do que o citado pelo candidato. O estado com pior desempenho neste indicador é o Maranhão, com 70,6 anos.

No entanto, vale lembrar que para o debate previdenciário é importante trabalhar com a esperança de vida aos 65 anos, ou seja, o tempo médio de vida que as pessoas que já superaram outras causas de mortalidade como a infantil, por exemplo, ainda devem viver. No Piauí, um indivíduo que completou 65 anos ainda deve viver até os 81,2.  


“Está no Senado uma proposta para modificar a Lei Kandir para cobrar ICMS dos commodities do campo. Cada governador pode cobrar ali 4%, 5%, 6%”
Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 3 de agosto de 2018

VERDADEIRO

A Lei Kandir foi criada para estimular as exportações brasileiras, tornando produtos e serviços destinados para o exterior isentos de ICMS – imposto regulamentado pelos estados. Tramita no Senado um projeto de lei de autoria do senador Wellington Fagundes (PR-MT) para regulamentar a compensação financeira de perdas que os estados tiveram em virtude da não cobrança do ICMS sobre as exportações de bens primários e semielaborados. Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional precisa aprovar ainda neste mês uma regulamentação da Lei Kandir – o tema está pronto para ser discutido por senadores e deputados.


“De acordo com a nossa Constituição, ninguém poderá ser considerado culpado sem uma sentença transitada e julgada. Isso não aconteceu no caso do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

Em 2015, uma condenação contra Carlos Alberto Brilhante Ustra transitou em julgado, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) negou recurso impetrado por ele. O militar foi condenado pela tortura da militante de esquerda Maria Amélia Teles. A ação era declaratória, e, portanto, não estabelecia uma indenização à família ou uma punição ao coronel. O trânsito em julgado, confirmado em dezembro de 2015, foi decretado um mês e meio após sua morte.

Ustra foi o chefe do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de 1970 a 1974. Em 2008, a Justiça de São Paulo reconheceu que o coronel prendeu e torturou Maria Amélia na frente dos dois filhos dela, à época com cinco e quatro anos. Foi a primeira vez que um militar foi reconhecido pela Justiça como torturador.

Ustra recorreu da decisão, mas, em 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu manter a sentença. Ele recorreu novamente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, finalmente, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Marco Aurélio Mello negou prosseguimento pois, no seu entendimento, “o Colegiado de origem procedeu a julgamento fundamentado de forma consentânea com a ordem jurídica”. O processo foi declarado como transitado em julgado no dia 1.º de dezembro de 2015 – um mês e meio após sua morte.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Não defendi em redes sociais [os policiais do Espírito Santo que fizeram paralisação em 2017]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

No dia 6 de fevereiro de 2017, Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais negando a existência da greve da Polícia Militar do Espírito Santo e defendendo os policiais. “O que aconteceu é que alguns familiares bloquearam a saída de alguns batalhões da Polícia Militar. E as viaturas não saindo, o policial não foi para rua”, afirmou o atual candidato.

No entanto, no mesmo dia, a Justiça do ES considerou a paralisação irregular. “O aquartelamento dos militares corresponde a uma ‘greve branca’, uma vez que representa a tentativa de busca de melhores condições salariais, daí a ilegalidade do movimento, haja vista a vedação expressa do exercício do direito de greve aos militares”, diz a decisão do desembargador Robson Luiz Albanez. Também no dia 6, o governo do estado solicitou o apoio das Forças Armadas no policiamento.

Apesar de dizer que não havia greve, Bolsonaro pediu ao governador em exercício à época, Cesar Colnago (PSDB-ES), que abrisse um canal urgente de negociação com quem de direito dentro da PM: “Sabemos das dificuldades que os senhores têm, mas o policial também tem”.

Atualmente, um processo contra participantes da paralisação e parentes de policiais tramita no Tribunal de Justiça do ES. Um dos réus é o Capitão Assumção, ex-deputado federal e aliado mencionado por Bolsonaro no Roda Viva.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Nunca falei em metralhar a Rocinha”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

DE OLHO

Bolsonaro teria falado em “metralhar a Rocinha” em fevereiro, durante evento do banco de investimentos BTG Pactual. Segundo a empresa, não há registros em vídeo ou áudio da fala do deputado, e a imprensa não participou do encontro. Mesmo assim, Folha de S. Paulo, Valor Econômico e Buzzfeed News noticiaram o evento – e não mencionaram que Bolsonaro tivesse falado sobre “metralhar a Rocinha”.

A frase foi atribuída ao deputado pelo colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, em nota publicada no dia 11 de fevereiro, como “receita para resolver a guerra da Rocinha”. “Bolsonaro disse que mandaria um helicóptero derramar milhares de folhetos sobre a favela, avisando que daria um prazo de seis horas para os bandidos se entregarem. Findo este tempo, se a bandidagem continuasse escondida, metralharia a Rocinha”, escreveu o colunista. O texto de Jardim foi atualizado com manifestação da assessoria de imprensa do deputado, que não desmente o uso do verbo metralhar, mas afirma que ele se referia a um episódio específico ocorrido na favela em setembro de 2017, quando “marginais estavam claramente afastados da comunidade e, portanto, passíveis de sofrer efetiva ação policial para prisão”.

O jornalista Augusto Nunes, que entrevistou Bolsonaro no evento do banco, disse à rádio Jovem Pan que ele não usou o termo metralhar. “Ele não falou em nenhum momento sobre metralhar a Rocinha, isso seria demais”.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“A expectativa de vida do policial militar do Rio de Janeiro está muito abaixo de 60 anos de idade”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

INSUSTENTÁVEL

Tanto a Polícia Militar do Rio de Janeiro, quanto o Fórum Brasileiro de Segurança Pública dizem desconhecer estudos sobre expectativa de vida de policiais militares no RJ. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017 indica que a polícia que mais morreu em confrontos no ano de 2016 foi a do Rio de Janeiro, mas não há dados sobre a idade que esses policiais tinham ao morrer.

Procurado, o candidato não respondeu.


“O [então deputado federal] Ulysses Guimarães votou, no dia 11 de abril de 1964, em Castelo Branco para presidente”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO

Deputado federal pelo PSD de São Paulo, em 1964, Ulysses Guimarães votou em Castelo Branco para Presidência da República na sessão do dia 11 de abril daquele ano, 10 dias após a deposição do então presidente João Goulart do poder. Foram 361 votos para Castelo Branco, 72 abstenções, 2 votos para Eurico Gaspar Dutra e 3 votos para Juarez Távora, naquela que foi a primeira eleição indireta realizada durante a ditadura militar.


“Há poucos anos, foi votado, por iniciativa do PSOL, um Projeto de Decreto Legislativo para anular a sessão de 2 de abril de 1964”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO, MAS

Em 21 de novembro de 2013, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Resolução 4/2013, anulando a sessão do dia 2 de abril de 1964. Nesta sessão foi declarada vaga a Presidência da República, então ocupada por João Goulart. A decisão culminou na eleição do Marechal Castelo Branco como presidente do país – em processo de candidato único no Congresso – dando início ao período da ditadura militar brasileira.

Mas a iniciativa de pedir a anulação da sessão não foi apenas do PSOL. O texto é de autoria de dois senadores: Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (à época no PSOL, mas hoje na Rede). A declaração de vacância da Presidência foi considerada inconstitucional porque a perda do cargo só se daria em caso de viagem internacional sem autorização do Congresso e o presidente João Goulart se encontrava no Rio Grande do Sul, local conhecido e dentro do país.


“O pessoal do Rio de Janeiro tem direito a gastar até R$ 400 mil [de Cotão]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO

Bolsonaro fazia referência à Cota para exercício da atividade parlamentar, conhecida como Cotão. Trata-se de uma verba destinada a custear os “gastos dos deputados exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar” e varia conforme o estado pelo qual o político foi eleito. Os deputados do Rio de Janeiro podem gastar até R$ 429.108 por ano em passagens aéreas, telefonia, manutenção de escritórios, alimentação, locação ou fretamento de aeronaves e automóveis, contratação de consultoria, entre outros – o que equivale a um gasto mensal de R$ 35.759.


“Eu não gastei R$ 200 mil [do valor a que tinha direito no Cotão]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO

Bolsonaro usou, em 2017, R$ 222.949 do Cotão. Deixou, portanto, de gastar R$ 206.159 aos quais tinha direito. Com isso, foi o 47º entre os deputados fluminenses no ranking de gastos com essa cota. Veja aqui a lista com valores utilizados por cada congressista.


“O português nem pisava na África [quando houve escravidão]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

Os portugueses, assim como outras nações europeias, participavam ativamente do comércio de escravos na África e estabeleceram feitorias no continente a partir do século 15. Mais tarde, os portugueses colonizaram áreas na África – tanto que, atualmente, cinco países africanos têm o português como língua oficial, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Estima-se que 4,8 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil por europeus entre os séculos 16 e 19, descontando os que morreram durante o transporte. Junto com o Caribe, o Brasil foi o principal destino do tráfico negreiro no período.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Eu nunca ataquei banqueiro”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

Em discurso na Câmara dos Deputados no dia 5 de dezembro de 2002, Bolsonaro fez uma crítica aos banqueiros: “realmente os banqueiros são muito privilegiados neste país, onde falta patriotismo”. O comentário foi feito como um elogio ao pronunciamento da então deputada comunista Vanessa Grazziotin que criticava o sistema bancário no Brasil. Após endossar a parlamentar, Bolsonaro atacou a indicação do embaixador José Viegas ao cargo de ministro da Defesa do primeiro governo petista.  

Em outra ocasião, em 1999, no programa Câmera Aberta, o deputado também atacou o relacionamento entre banqueiros e alguns parlamentares ao falar sobre a CPI dos Bancos, que investigou irregularidades no sistema financeiro.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Os transportadores arcam com prejuízo de R$ 1,5 bilhão por ano, fruto do roubo de cargas no Brasil”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO

Segundo a Associação Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística (NTC&Logística), em 2017, o prejuízo do setor de transportes com roubo de cargas chegou a R$ 1,57 bilhões no país. Foram 25.970 ocorrências em todo o Brasil. De acordo com a entidade, os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo concentram 81,56% dos casos.


“Eu nunca disse que queria ser vice do Aécio”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

Em entrevista ao portal Infomoney, publicada no dia 22 de maio de 2014, Bolsonaro disse que se não fosse candidato à Presidência, gostaria de ser vice na chapa de Aécio Neves, presidenciável pelo PSDB naquele pleito. “Seria uma grande honra pra mim”, afirmou.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Como lá na primeira UPP, a do [Complexo do] Alemão (…)”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

FALSO

A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo de favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi inaugurada em 30 de maio de 2012, quase quatro anos depois do início do programa de policiamento de favelas na capital fluminense. A primeira UPP do Rio foi a da Santa Marta, no bairro de Botafogo, na Zona Sul, aberta em dezembro de 2008, durante o governo Sergio Cabral.

Procurado, o candidato não respondeu.


“[Pelo projeto do voto impresso aprovado no Congresso, o eleitor] Não sairia com o papel (comprovante de voto), não”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

VERDADEIRO

No artigo 59-A da Lei das Eleições, incluído pela minirreforma eleitoral aprovada em setembro de 2015 pelo Congresso Nacional, está previsto que no processo de votação eletrônica o registro impresso de cada voto “será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado”. Ou seja, o eleitor não poderia sair com o papel na mão.


“Tenho 500 projetos apresentados [na Câmara dos Deputados]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

EXAGERADO

Em sete mandatos como deputado federal, Bolsonaro apresentou 172 projetos para criar ou mudar leis no país. Desses, 162 são Projetos de Lei (PL), um é Projeto de Lei Complementar (PLC) e cinco são Propostas de Emenda à Constituição (PEC). Há, neste momento, 81 propostas desse tipo de Bolsonaro (ou que tem o deputado como um dos autores) tramitando na Congresso Nacional.

Existem outras 470 proposições apresentadas pelo deputado nos arquivos da Câmara, mas não são projetos de lei. São emendas a processos correntes em comissões, indicações de autoridades para que prestem informações em casos analisados pela Câmara, além de mensagens e manifestações no plenário da Casa.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Nós [a candidatura Bolsonaro] abominamos a tortura”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de julho de 2018

CONTRADITÓRIO

Em entrevista ao programa Câmera Aberta, da TV Bandeirantes, no dia 23 de maio de 1999, Bolsonaro disse ser favorável à tortura. “Sou favorável à tortura, você sabe disso, e o povo também é”, disse.

No mesmo programa, o atual candidato defendeu, na CPI dos Bancos, no Senado,  que Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, fosse submetido ao “pau-de-arara, técnica de tortura na qual a pessoa fica suspensa em um travessão de madeira ou metal, com braços e pés amarrados, enquanto sofre afogamentos, golpes com palmatórias e choques elétricos, por exemplo. Bolsonaro disse, ainda, que fecharia o Congresso Nacional caso fosse presidente e que “através do voto, não vai mudar nada” no Brasil. “[O voto] não muda absolutamente nada. Só vai mudar quando nós partimos para uma guerra civil aqui dentro”.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Eu fui o único a votar contra [a PEC das Domésticas], em dois turnos”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 28 de agosto de 2018

FALSO

Registros oficiais sobre o primeiro turno da votação feita na Câmara dos Deputados sobre a Proposta de Emenda Constitucional 478/2010, mais conhecida como PEC das Domésticas, mostram que dois deputados se posicionaram de forma contrária à proposição: Roberto Balestra (PP) e Zé Vieira (PR). Apesar de ter criticado a proposta publicamente, Jair Bolsonaro não registrou seu voto. No segundo turno, o parlamentar realmente votou contra a PEC em questão – além dele, o deputado Vanderlei Siraque (PT) também foi contra a proposta.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Tinham acabado o 9º Seminário LGBT infantil. Repito: 9º Seminário LGBT infantil”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 28 de agosto de 2018

FALSO

Nunca houve no Congresso um “seminário LGBT infantil”. O que há, anualmente, é um encontro para discutir questões relacionadas à comunidade LGBT, com um tema diferente a cada edição. Em 2012, o tema era “Infância e sexualidade”. As discussões propostas pela Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, que promove o debate, diziam respeito ao combate à violência doméstica contra crianças e adolescentes “que não se enquadram em papéis de gênero”. O Seminário LGBT de 2018 ocorreu em junho e abordou o envelhecimento da população LGBT.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Nós do Exército Brasileiro perdemos três jovens garotos para o crime agora”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Desde que a intervenção federal foi decretada na segurança pública do Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano, quatro militares do Exército foram mortos. Três deles na semana passada, como afirmou Bolsonaro no JN. Um cabo e dois soldados foram atingidos por tiros em uma operação feita pelas forças de segurança nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. O presidente Michel Temer e o comandante do Exército, o general Eduardo Villas Boâs, lamentaram as mortes. No domingo (26), um sargento foi morto em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.


“Nada tenho contra um gay”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional, no dia 28 de agosto de 2018

CONTRADITÓRIO

O candidato Jair Bolsonaro já disse diversas frases polêmicas que contradizem a frase dita no Jornal Nacional. Em 2002, por exemplo, durante entrevista à  Folha de S.Paulo, Bolsonaro afirmou: “se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”.

Em 2010, no programa “Participação Popular” da TV Câmara, o deputado disse que quando “o filho começa a ficar assim, meio gayzinho, leva um couro, ele muda o comportamento. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.

No ano seguinte, à revista Playboy, Bolsonaro declarou que “seria incapaz de amar um filho homossexual. (…) Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”. Na mesma entrevista, acrescentou: “Se um casal homossexual vier morar do meu lado, isso vai desvalorizar a minha casa! Se eles andarem de mão dada e derem beijinho, desvaloriza”.

No final de 2017, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou a condenação de Bolsonaro por dano moral coletivo após declarações com teor homofóbico ao programa CQC, da Band, em 2011. Na ocasião, ao ser questionado sobre o que faria se tivesse um filho gay, o deputado disse: “Isso nem passa pela minha cabeça, porque eles tiveram uma boa educação. Eu sou um pai presente, então não corro esse risco”.

Durante a entrevista ao JN, o candidato do PSL chegou a pedir desculpas e justificou suas falas anteriores pelo “tempo quente” observado em alguns momentos de sua vida pública, referindo-se a manifestações e movimentos feitos por entidades ativistas ligadas à causa LGBT.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Nunca recebi dinheiro de empresa nenhuma para campanha”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas eleições de 2002, 2006 e 2010, Jair Bolsonaro realmente não recebeu doação direta de empresa. Mas vale destacar que a regulamentação vigente nesses anos não exigia que o candidato declarasse o doador original quando a verba vinha de seu partido. Portanto, não é possível saber se Bolsonaro recebeu ou não doações indiretas de empresas. Em 2014, o atual candidato recebeu, através do PP, sua legenda à época, R$ 200 mil oriundos da JBS. A doação, entretanto, foi devolvida e substituída por uma doação de recursos próprios do partido no mesmo valor. O TSE disponibiliza as prestações de contas de campanha de Bolsonaro de 2002 a 2014 aqui.


“Não se consegue produzir um prego no Brasil e colocar de forma competitiva no Paraguai”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

FALSO

Dados estatísticos do Ministério da Indústria, Comércio e Exterior e Serviços mostram que, neste ano, o Brasil já exportou para o Paraguai US$ 2.345.109 em pregos, percevejos e artefatos semelhantes, de ferro fundido, ferro ou aço. Contando todos os outros compradores, o país exportou um total de US$ 4.046.948. Isso significa que o Paraguai foi o maior comprador do produto brasileiro.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“O Plano Nacional de Promoção da Cidadania LGBT: são 180 itens, entre eles a desconstrução da heteronormatividade, ensinando (…) que homem e mulher está errado”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto de 2018

EXAGERADO

O Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, lançado em maio de 2009 pela então Secretaria Nacional de Direitos Humanos, lista “diretrizes e ações para a elaboração de Políticas Públicas voltadas para o público LGBT”. São 51 diretrizes e 121 ações estratégicas, definidas durante a 1ª Conferência Nacional LGBT, realizada em Brasília, de 5 a 8 de junho de 2008.

Apenas um tópico cita a “desconstrução da heteronormatividade” – e ele diz respeito exclusivamente ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo fixado por esse tópico é fazer com que famílias formadas por casais homossexuais, travestis e transexuais sejam incluídas no sistema de informação do SUS, assim como acontece com as formadas por casais heterossexuais.

Heteronormatividade é um conceito que pode ser popularmente resumido como a relação entre um homem e mulher sendo tratada como norma, fazendo com que todo outro tipo de relação seja considerada como desvio. Veja definição, em inglês, no dicionário Oxford.

Ainda vale destacar que o plano não classifica como “errada” a relação entre homem e mulher, como disse Bolsonaro. Textualmente, sugere ações que possam “contribuir para a implementação de políticas educacionais voltadas à superação do preconceito, da discriminação e da violência sexista e homofóbica”.

Procurado, Bolsonaro não respondeu.


“Meninas entre 10 e 19 anos são responsáveis por 20% dos partos do Brasil”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal das 10 no dia 28 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

Levantamento divulgado pela ONU e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2014 sobre gravidez na adolescência mostrou que, em 2011, 21,5% dos partos no Brasil foram de mulheres com menos de 20 anos. Mas os dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam um número um pouco menor do que o citado por Bolsonaro. Em 2016, 17,5% dos partos de bebês nascidos vivos no Brasil foram feitos em menores de 19 anos. Isso significa 501.385 partos dos 2.857.800 contabilizados pelo Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos naquele ano. Entre 1994 e 2009, mães até essa faixa etária representaram 20% ou mais no total de partos, de acordo com o Datasus. O índice vem caindo desde 2010.


“Temos aproximadamente 10 mil cubanos aqui [no programa Mais Médicos]”
Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista ao Jornal das 10 no dia 28 de agosto de 2018

EXAGERADO

A Sala de Apoio à Gestão Estratégica (Sage), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, mostra que, na segunda-feira (27), o Brasil tinha 8.232 médicos cubanos ativos no Mais Médicos. No sistema que monitora o programa eles aparecem como “cooperados” e representavam 50,8% do total de profissionais da iniciativa. Outros 3.308 são intercambistas individuais que, segundo o Ministério da Saúde, vêm de mais de 40 países. O restante da equipe – 4.651 profissionais – é composta por brasileiros graduados no Brasil.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Ninguém tem prova de nada [sobre a morte de Vladimir Herzog]”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República no programa Mariana Godoy Entrevista do dia 6 de julho de 2018

FALSO

Perícia realizada pela Comissão da Verdade (atenção: o documento contém imagens fortes) conclui que – sim – há provas de que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado.

Em seu cadáver, os peritos encontraram dois sulcos distintos de enforcamento, o que indica que o jornalista foi estrangulado e, posteriormente, içado com o objetivo de simular o suicídio. O texto do laudo afirma o seguinte: “A observação desses dois sulcos (ambos com reações vitais) – um deles típico de estrangulamento e o outro característico daqueles observados em locais de enforcamento (ou em locais onde o corpo foi içado com o objetivo de simular enforcamento) – é incompatível com a versão oficial apresentada de que Vladimir Herzog teria se auto-eliminado”.

A perícia também constatou escoriações no tórax de Herzog e concluiu que elas indicam que o corpo do jornalista foi pressionado durante o enforcamento. “Essas marcas não foram citadas no laudo e guardavam características de terem sido produzidas por compressão da região torácica contra suporte rígido, podendo a ação compressiva ter sido aplicada nas costas de Vladimir Herzog, o que gerou o contato do tórax com esse suporte rígido”.

Por fim, para os peritos, a nota de confissão de Herzog apresenta fortes indícios de ter sido ditada pelos agentes. “Não é possível afirmar que o texto lançado no documento foi escrito de forma espontânea. As alterações de calibre e espaçamento interliterais e intervocabulários, bem como variações de pressão e de tonalidades do traçado, configuram falta de fluidez própria das escritas espontâneas”.

Para a Corte Interamericana de Direitos Humanos também não há dúvida de que Herzog foi enforcado. A instituição destaca que o jornalista apareceu morto, pendurado por uma cinta, mas que os macacões do DOI-CODI, onde ele morreu, não tinham cinta por questões de segurança. Além disso, a corte reuniu testemunhas que ouviram gritos no dia da morte de Herzog, o que indica que ocorreu tortura. “Nós dois fomos retirados da sala e levados de volta ao banco de madeira onde nos encontrávamos, na sala contígua. De lá, podíamos ouvir nitidamente os gritos, primeiro do interrogador e depois de Vladimir e ouvimos quando o interrogador pediu que lhe trouxessem a ‘pimentinha’ e solicitou ajuda de uma equipe de torturadores. Alguém ligou o rádio, e os gritos de Vladimir se confundiam com o som do rádio”, relatou Rodolfo Osvaldo Konder, que estava preso no DOI-CODI na ocasião da morte de Herzog, à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Lá [nos Estados Unidos], o número de mortes por 100 mil habitantes é na ordem de cinco vezes menos do que aqui”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República no programa Mariana Godoy Entrevista do dia 6 de julho de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo o Atlas da Violência 2018, publicado em junho, a taxa de homicídios no Brasil em 2016 foi de 30,3 por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, no mesmo ano, estava em 5,4 por 100 mil habitantes. Ou seja, a taxa brasileira é 5,6 vezes a americana.

Entretanto, Bolsonaro atribui essa diferença, ao menos em parte, ao estatuto do desarmamento. Em outros países desenvolvidos com políticas de armas mais restritivas que os Estados Unidos, a taxa de homicídios é consideravelmente mais baixa. Em Inglaterra e País de Gales, por exemplo, a taxa no mesmo período foi de 1,2 por cem mil habitantes (total de 709), enquanto na França, mesmo considerando atentados terroristas, essa taxa estava em 1,3 por cem mil (total de 892). No Japão, em 2015 (último dado disponível), a taxa era ainda mais baixa: 0,7 por cem mil (total de 933).


“O Ceará é um dos estados mais violentos do Brasil, mais até do que o Rio de Janeiro”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República em entrevista ao programa Cidade 190 no dia 29 de junho

VERDADEIRO

O Atlas da Violência 2018 mostra que, em 2016, o Ceará teve taxa de 40,6 homicídios por 100 mil habitantes – a 10ª mais alta entre as 27 unidades federativas brasileiras. O Rio de Janeiro, por sua vez, ficou na 14ª posição, com uma taxa de 36,4 homicídios a cada 100 mil habitantes. O estado com a maior taxa foi Sergipe (64,7), e o com a menor foi São Paulo (10,9).


“Vamos falar a verdade sobre o Trump: o pessoal lá [nos EUA] está gostando”
Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PSL, em entrevista após evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria no dia 4 de julho de 2018

EXAGERADO

A última pesquisa de popularidade feita pelo Gallup nos Estados Unidos mostra que, entre os dias 25 de junho de 1 de julho, 42% dos entrevistados aprovavam o governo Trump enquanto 53% o desaprovavam. A aprovação do republicado estava abaixo da média de 53% registrada pelos ex-presidentes americanos desde 1938. Se comparado a Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton no segundo mês de junho de suas respectivas administrações, Trump tinha a menor aprovação. O site americano RealClearPolitics, que reúne um total de dez pesquisas sobre a presidência americana, mostra que, em nenhuma delas, Trump ultrapassava 48% de aprovação.

Procurado, o pré-candidato não respondeu.


“O fuzil (…) foi para aquela região [Angra dos Reis]”
Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PSL, em evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria no dia 4 de julho de 2018

VERDADEIRO

Ao falar sobre segurança pública, o pré-candidato citou o caso específico de Angra dos Reis, município no sul fluminense. Segundo o Instituto de Segurança Pública do RJ, nos cinco primeiros meses deste ano, cinco fuzis foram apreendidos na área da 166ª Delegacia Policial, que abrange a cidade em questão. Esse total já é maior do que a soma de todos os fuzis apreendidos na região em 2017 e 2016 (dois por ano).


“[General, capitão e sargento] ganham basicamente a mesma coisa”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, em entrevista ao Café na Política do dia 12 de maio de 2018

FALSO

Procurado o Ministério da Defesa informou que um General do Exército – posto mais alto do Exército brasileiro em tempos de paz – recebe, atualmente, R$ 12.763 por mês. Um terceiro sargento, por sua vez, ganha mensalmente R$ 3.584. As remunerações não são, portanto, “basicamente a mesma coisa”, como diz Bolsonaro. Há uma diferença de pelos menos R$ 3 mil entre os salários de sargento e capitão e de outros R$ 3 mil entre as remunerações mensais atuais de capitão e general.

Procurado, Bolsonaro disse que não comentaria.


“Ele [Ciro] continua falando que quer indulto para o Lula”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, em sabatina na Rádio Jovem Pan News, no dia 22 de maio

FALSO

A possibilidade de um indulto ao ex-presidente Lula apareceu pela primeira vez na coluna que a jornalista Mônica Bergamo publicou no jornal Folha de S.Paulo no dia 3 de maio. O texto afirmava que o PT proporia a candidatos de centro-esquerda que apoiassem a medida. “Esse deve ser um dos pontos centrais do discurso de campanha do partido [PT] caso tenha candidato próprio [em 2018]: tirar Lula da cadeia para que possa concorrer em 2022”.

Dois dias depois, o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, falou sobre o assunto e criticou a estratégia, dizendo que seria “uma burrice”. “O presidente Lula está a meio caminho de recursos [na Justiça]. Se a burocracia do PT cria uma campanha pelo indulto, o que ela está dizendo? Que o Lula será condenado em última instância”, afirmou Ciro. ”Isso nega a estratégia dos advogados do Lula (…) Eu não vou cair nessa burrice”.

No dia 15 de maio, na Suécia, Ciro foi questionado mais uma vez sobre o assunto e disse que dar o benefício à Lula seria uma loucura e que o ex-presidente não aprovaria. “Indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias. E Lula ainda está recorrendo da decisão que o condenou”.

Procurado, Bolsonaro disse que não comentaria.


“Todo mundo está próximo disso [rejeição de 50% nas pesquisas]”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, em sabatina na Rádio Jovem Pan News, no dia 22 de maio

EXAGERADO

A última pesquisa Datafolha, divulgada em abril, indica que apenas dois dos 19 nomes cotados como pré-candidatos à presidência da República têm rejeição próxima de 50%. São eles: o atual presidente, Michel Temer (MDB), com 64% de rejeição, e o ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTC-AL), com 41% (página 49).

Lula e Bolsonaro, que se alternam na liderança das intenções de voto nos cenários levantados pelo Datafolha, aparecem com 36% e 31% de rejeição, respectivamente. Geraldo Alckmin tem 29%; Ciro Gomes, 23%; Marina Silva, 22%; e Rodrigo Maia, 21%, enquanto outros onze políticos aparecem com um índice que varia entre 19% e 12%. O levantamento mostra ainda que 4% dos entrevistados rejeita todos os candidatos analisados pela pesquisa.   

Procurado, Bolsonaro disse que não comentaria.


“Estão crescendo 7% [no Paraguai]”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, em sabatina na Rádio Jovem Pan News, no dia 22 de maio

EXAGERADO

De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional, o Paraguai cresceu 4,3% no ano passado. Em 2016, o crescimento foi de 4% e, em 2015, de 3% – bem abaixo dos 7% citados por Bolsonaro. O pré-candidato citou o país latino ao falar de suas ideias sobre política externa e defender a validade de acordos bilaterais.

Procurado, Bolsonaro disse que não comentaria.


“Audiência de custódia: você sabe que o policial prende o marginal em flagrante e, em menos de 24 horas, metade deles são postos em liberdade”
Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, em sabatina na Rádio Jovem Pan News, no dia 22 de maio

VERDADEIRO

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, 46% dos presos em flagrante levados a audiências de custódia são liberados. Mesmo assim, respondem a processo pelo crime que motivou a prisão.

O estudo do CNJ foi divulgado em 2017 e levou em conta 955 audiências de custódia realizadas no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, na Paraíba e em Tocantins, Santa Catarina e São Paulo.


“Em média, 60% desses caras [que passam por audiências de custódia] vão para a rua”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em vídeo publicado no YouTube no dia 11 de março  

“Leva o marginal para a audiência de custódia e, em 90%, dos casos [ele] é posto em liberdade”
Deputado federal Jair Bolsonaro em entrevista à jornalista Leda Nagle no dia 5 de fevereiro de 2018

EXAGERADO

Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça publicado no ano passado mostra que 46% dos presos em flagrante levados a audiências de custódia são liberados – e não 60%, como diz Bolsonaro. As pessoas que são liberadas nesse tipo de audiência seguem respondendo processo pelo crime que motivou a prisão. O estudo levou em conta 955 audiências de custódia. Todas realizadas no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, na Paraíba e em Tocantins, Santa Catarina e São Paulo.

Procurado, Bolsonaro não comentou.


“Meu filho, no Rio de Janeiro, deu 7% no sábado [em estimativa de votos, segundo o Datafolha], e, no domingo, ele teve 14% [no resultado da votação]”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao programa Agora É Com Datena, da Band, no dia 22 de abril

VERDADEIRO

Em 2016, Flavio Bolsonaro, filho do deputado federal, foi candidato à prefeitura pelo PSC. Na véspera do primeiro turno, o Datafolha divulgou uma pesquisa dando-lhe 8% das intenções de voto, o sexto lugar. Flavio, no entanto, terminou a eleição em quarto lugar, com 14% dos votos – um total de 424.307.


“[Raquel Dodge] Entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para acabar com o voto impresso”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao programa Agora É Com Datena, da Band, no dia 22 de abril

VERDADEIRO

Em fevereiro deste ano, a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, propôs uma ação contra a obrigatoriedade do voto impresso, aprovada com os votos de 433 deputados na minirreforma eleitoral em 2015. Bolsonaro é o autor da emenda, à qual apenas sete deputados se opuseram.

Segundo Dodge, a impressão fere o anonimato e a preservação de sigilo dos votos, ambos previstos na Constituição. A PGR também lembra que, em 2009, o STF decidiu por unanimidade que a impressão era inconstitucional. O TSE estimava em R$ 2,5 bilhões o custo total da impressão dos votos em todo o país e considera essa medida um “inegável retrocesso”.

Bolsonaro é defensor do voto impresso e foi autor da emenda, aprovada por 433 deputados, que instituiu esta obrigatoriedade, em 2015. Apenas sete deputados se opuseram ao texto.


“Inventaram cota para as academias militares, das Forças Armadas”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao programa Agora É Com Datena, da Band, no dia 22 de abril

VERDADEIRO, MAS

No início de abril, o STF reconheceu, por unanimidade, que a Lei de Cotas também vale para as Forças Armadas. Sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, a medida reserva até 20% das vagas em concursos públicos para negros auto-declarados.

Mas a lei não é uma “invenção”, como afirma, Bolsonaro. Trata-se de uma lei considerada constitucional pelo plenário do STF. De acordo com o ministro Luís Roberto Barroso, ela é “motivada por um dever de reparação histórica decorrente da escravidão e de um racismo estrutural existente na sociedade brasileira”.

Procurado, Bolsonaro disse que fazia referência à decisão tomada pelo STF na última semana: “o Supremo resolveu, mais uma vez, legislar”.


“O PSDB atrapalhou a redução da maioridade penal na votação da Câmara”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista publicada no Estadão no dia 14 de março

VERDADEIRO, MAS

A PEC 171/1993, que buscava reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos, foi analisada em dois turnos pelos deputados federais em 2015. Nas duas sessões, a orientação da bancada do PSDB foi ser a favor da proposta. No primeiro turno, no entanto, três dos 52 tucanos votaram contra a proposta, assim como outros 152 deputados. A sessão também registrou duas abstinências. No segundo turno, o cenário se manteve. Três deputados do PSDB votaram “não”, igual a outros 149 parlamentares. Procurado, Bolsonaro afirmou que a PEC era simples, mas o PSDB não aceitava votar a proposta. Segundo ele, a margem de votos foi bastante apertada. Contudo, ainda vale lembrar que a PEC foi aprovada na Casa com um total de 320 votos – 12 a mais do que era necessário.


“Militar das Forças Armadas não tem poder de polícia”
Jair Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista ao Huffington Post Brasil, no dia 21 de fevereiro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Normalmente, as Forças Armadas não têm poder de polícia. Entretanto, o decreto 3.897/2001, que regulamenta o emprego dos militares na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), lhe permite “desenvolver as ações de polícia ostensiva, como as demais, de natureza preventiva ou repressiva”. Isso ocorre caso os “meios previstos” de atuação para a Polícia Militar estejam “indisponíveis, inexistentes, ou insuficientes”.

Decreto de 28 de julho de 2017 autoriza “o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem” no Rio de Janeiro. O prazo, inicialmente, ia até 31 de dezembro de 2017, mas, no final do ano passado, um novo decreto estendeu a validade  até dezembro de 2018. Ou seja, há um decreto de GLO vigente no estado do Rio atualmente.


“Eu não tenho [foro privilegiado]”
Deputado federal Jair Bolsonaro, em entrevista à Rádio Jovem Pan, no dia 5 de fevereiro

FALSO

O foro especial por prerrogativa de função, conhecido popularmente como foro privilegiado, está previsto na Constituição Federal e vale para todos os deputados e senadores em exercício de mandato, de acordo com o artigo 53. O parágrafo 1º, por exemplo, estabelece o seguinte: “deputados e senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal”. No 2º, determina que nenhum deputado ou senador pode ser preso em flagrante, salvo em caso de crimes inafiançáveis.

Há iniciativas para mudar isso. No ano passado, o Senado aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir o foro privilegiado para crimes comuns. A proposta foi remetida à Câmara, onde aguarda a formação de uma comissão especial para ser discutida.

No Supremo Tribunal Federal (STF), um processo sobre o mesmo tema também está parado. O ministro Dias Toffoli pediu vista na última vez que a Corte analisou a questão e não há previsão de nova data para a continuação do julgamento.

Procurada, a assessoria de Bolsonaro disse que o foro privilegiado serve para casos ocorridos dentro da Câmara e que “os outros (deputados) têm mais mordomia” do que ele, sem explicitar quais seriam.


“Todo mundo que recebe o Bolsa Família é tido como empregado”
Deputado federal Jair Bolsonaro em entrevista ao site O Antagonista, no dia 7 de fevereiro

FALSO

O IBGE, órgão que realiza as principais pesquisas sobre emprego no país, informa que quem recebe o Bolsa Família não é considerado empregado. O benefício é tido como “fonte de renda” – não um emprego. No início deste ano, o Bolsa Família foi revisado e, agora, rende uma média de R$ 178,45, cerca de 20% do salário mínimo, de R$ 954,00.

Procurada, a assessoria de Bolsonaro disse que pesquisas feitas sobre o Bolsa Família consideram que quem recebe o benefício não está desempregado, mas não especificou a que pesquisas se referia.


“Eu sou o que menos dou despesa [com auxílio moradia]”
Deputado federal Jair Bolsonaro, em entrevista à Rádio Jovem Pan, no dia 5 de fevereiro

FALSO

Jair Bolsonaro está na lista dos 75 deputados que recebem da Câmara um auxílio-moradia em espécie. A Casa não informa quanto pagou individualmente. Divulga apenas uma média mensal gasta com cada deputado desse grupo. Em 2017, foi de R$ 4.155,80.

Há ainda outras duas formas de a Câmara pagar auxílio-moradia aos deputados: por meio de reembolso ou pela ocupação de imóvel funcional.

No sistema de reembolso, o parlamentar paga a despesa com seu próprio dinheiro e recebe o valor posteriormente. Em 2017, a média de reembolso também foi de R$ 4.155,80. Há nesse grupo 73 parlamentares.

Com os deputados que ocupam imóvel funcional, a Câmara calcula um gasto mensal individual inferior ao dos grupos anteriores: de R$ 3.624. Esse valor corresponde a uma média de gastos que a Casa tem para manter cada um dos imóveis. Atualmente, há 335 deputados e oito ministros (licenciados de mandato) ocupando imóveis funcionais. O presidente da Casa também mora em residência oficial, bancada pela Câmara.

Assim sendo, um deputado hospedado num imóvel funcional custa, em média, menos do que aquele que recebe reembolso ou auxílio-moradia em espécie, como é o caso de Bolsonaro. Ainda há deputados que moram em casa própria e não requerem o auxílio.

Procurada, a assessoria do deputado afirmou que a Câmara tem um gasto mensal de cerca de R$ 6 mil para os deputados que usam imóveis funcionais, enquanto Bolsonaro recebe R$ 3,5 mil.


“Eu sou o que menos gasta [com passagem aérea]”
Deputado federal Jair Bolsonaro, em entrevista à Rádio Jovem Pan, no dia 5 de fevereiro

FALSO

Jair Bolsonaro foi o 77º deputado que mais gastou com passagens aéreas em 2017. Recebeu R$ 5.210,82 de ressarcimento da Câmara. No ano passado, dos 513 deputados da Casa, 294 foram reembolsados por gastos com passagens aéreas. Os demais não solicitaram esse benefício.

Na atual legislatura, iniciada em 2015, 489 deputados receberam esse tipo de benefício. Bolsonaro foi o 148º que mais gastou no período, somando R$ 9 mil. Curiosamente, o filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) foi o segundo que mais gastou: R$ 513,1 mil em três anos.

Procurado, o deputado não retornou.


“Eu sou o parlamentar aqui que tem o maior volume de seguidores”
Deputado federal Jair Bolsonaro em entrevista a jornalistas asiáticos em janeiro de 2018

VERDADEIRO

No dia 8 de fevereiro de 2018, Bolsonaro contabilizava 5,2 milhões de seguidores no Facebook e, de fato, era o parlamentar com o maior volume de fãs nesta rede social. O segundo lugar era ocupado pelo deputado Marco Feliciano, com 4,4 milhões de seguidores.

Além disso, o deputado foi apontado como o político mais influente do Brasil em redes sociais em 2017 pelo ranking  FSB Influência Congresso, elaborado pela FSB Comunicação. Outro estudo, publicado pela plataforma de dados Zeeng em novembro de 2017, indicava que Bolsonaro era o presidenciável “com o maior ativo digital” do Brasil. Na época, o deputado tinha 4,7 milhões de seguidores no Facebook.


“Fui acusado de racista, e o STF arquivou o processo”
Deputado Jair Bolsonaro em entrevista ao canal Na Lata com Antonia Fontenele, do Youtube, em 29 de janeiro de 2018

VERDADEIRO, MAS

O Supremo Tribunal Federal arquivou, em maio de 2015, um processo aberto em 2013 no qual Bolsonaro era acusado de racismo contra a cantora Preta Gil. O caso ocorreu em uma entrevista concedida pelo parlamentar ao programa CQC, da Band. Nela, Preta perguntava como ele reagiria se um de seus filhos namorasse uma mulher negra, e ele respondia que não “discutiria promiscuidade”. Na época, o ministro Luís Roberto Barroso acolheu a recomendação da Procuradoria-Geral da República, que entendeu que não havia indícios suficientes para comprovar que Bolsonaro tinha cometido crime de racismo.

No entanto, o deputado foi condenado em outubro de 2017 em outro processo sob a mesma acusação, na 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Em uma palestra, Bolsonaro teria dito o seguinte: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”. O deputado está recorrendo.

*A coleção sobre Fernando Haddad pode ser lida aqui.

**Demais checagens sobre a disputa presidencial de 2018 estão reunidas aqui.

Editado por: Clara Becker e Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo