A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Veja seis contradições de Jair Bolsonaro sobre seus ministérios desde que foi eleito

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.nov.2018 | 07h00 |

Desde que foi eleito presidente, no fim de outubro, Jair Bolsonaro (PSL) voltou atrás em algumas decisões referentes à estrutura de seu governo. Em ao menos seis temas, ele disse que faria algo e, depois, mudou de ideia. A Lupa selecionou alguns desses casos.

“[Trabalho] Vai continuar com status de ministério”
Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, em entrevista no dia 13.nov.2018

CONTRADITÓRIO

No dia 7 de novembro, após participar de um almoço com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Bolsonaro afirmou, em entrevista, que o Trabalho seria “incorporado a algum ministério” – mas não deu detalhes sobre à qual pasta se referia. Seis dias depois, na última terça (13), o presidente eleito voltou atrás. “O Ministério do Trabalho vai continuar com status de ministério, não vai ser secretaria. Vai ser ‘Ministério Disso, Disso e do Trabalho’”, afirmou, comparando a situação com a do Ministério da Indústria e Comércio. Procurado, Bolsonaro não retornou.


“A princípio, [o ensino superior] vai ser mantido no Ministério da Educação mesmo”
Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, em entrevista no dia 13.nov.2018

CONTRADITÓRIO

No dia 1º de novembro, quatro dias depois de ser eleito, Bolsonaro disse que o Ensino Superior seria responsabilidade do Ministério de Ciência e Tecnologia. No mesmo dia, ele confirmou o astronauta Marcos Pontes como titular da pasta. Segundo o presidente eleito, a mudança na gestão do ensino superior daria um “gás muito especial” para as universidades brasileiras. Na última terça (13), pouco antes de um encontro no Tribunal Superior do Trabalho (TST), Bolsonaro recuou e afirmou que deve manter a gestão das universidades federais sob a responsabilidade do Ministério da Educação. Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Comunico a todos a indicação do General-de-Exército Fernando Azevedo e Silva para o cargo de Ministro da Defesa”
Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, no Twitter, no dia 11.nov.2018

CONTRADITÓRIO

Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o general Augusto Heleno chegou a ser anunciado, ainda durante a disputa do segundo turno, como futuro ministro da Defesa. Após a eleição de Bolsonaro, em entrevista, Heleno detalhou seus planos para a pasta. Mas na última terça (13), o presidente eleito anunciou outro general para comandar o ministério. “Comunico a todos a indicação do General-de-Exército Fernando Azevedo e Silva para o cargo de Ministro da Defesa”, publicou em sua conta no Twitter. No dia 7 de novembro, o próprio general Heleno havia sinalizado o recuo, ao afirmar que assumiria o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). “O presidente escolheu”, disse em evento no Comando da Aeronáutica. Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Não deve existir ministério com esse nome [Ministério da Família]”
Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, em conversa com jornalistas no dia 07.nov.2018

CONTRADITÓRIO

A declaração de que não deverá ser criado um Ministério da Família foi dada um dia depois de Bolsonaro dizer que era “possível” que o senador Magno Malta (PR-ES) assumisse a pasta, que seria criada para gerenciar os programas sociais do governo federal. Malta é um dos aliados mais próximos de Bolsonaro – chegou a ser cotado como vice em sua chapa, mas preferiu disputar a reeleição para o Senado, acabou derrotado e perderá o mandato no fim de 2018. O senador esteve ao lado do presidente eleito em seu primeiro pronunciamento, logo após o anúncio do resultado da eleição. Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Pelo que está parecendo, vão ficar distintos [os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente]”
Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, em entrevista no dia 1º.nov.2018

CONTRADITÓRIO

Promessa de campanha, a unificação dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente ficou pelo caminho. A proposta estava em consonância com o interesse da bancada ruralista, mas, segundo o presidente eleito, “os próprios ruralistas acharam que não era o caso, para evitar pressões internacionais entre outras coisas”. Assim, no dia 1º de novembro, Bolsonaro afirmou que manteria as duas pastas: “pelo que está aparecendo, [os ministérios] vão ficar distintos, mas eu que vou nomear os dois ministros.” Dois dias antes, o ministro extraordinário do governo de transição, Onyx Lorenzoni, havia insistido na unificação. “Ninguém recuou nada. A questão da agricultura, alimentação e meio ambiente é uma decisão desde os primeiros passos do plano de governo”, disse. Bolsonaro já anunciou a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como ministra da Agricultura. Procurado, Bolsonaro não retornou.


“Acho que seria prematuro um país anunciar uma retaliação sobre uma coisa que não está decidida ainda [a mudança da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém”
Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, em entrevista no dia 06.nov.2018

CONTRADITÓRIO

No dia 1º de novembro, Bolsonaro indicou, em entrevista ao jornal israelense Israel Hayom, que transferiria para Jerusalém a embaixada brasileira em Israel – que hoje fica em Tel Aviv. No mesmo dia, disse no Twitter: “Como afirmado durante a campanha, pretendemos transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Israel é um Estado soberano e nós o respeitamos”. Em dezembro de 2017, os Estados Unidos reconheceram Jerusalém como a capital de Israel e informaram que mudariam para lá sua embaixada. Apesar de Israel defender que Jerusalém é sua capital, a cidade também é reivindicada como capital pelos palestinos e não há consenso sobre a situação na Organização das Nações Unidas. A declaração de Bolsonaro gerou reação negativa no Oriente Médio – o Egito chegou a cancelar uma visita do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Em 6 de novembro, o presidente eleito negou o atrito e disse que a mudança “não estava decidida ainda”. Procurado, Bolsonaro não retornou.

Editado por: Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo