A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil, Reprodução YouTube, Gabriel Yacob, Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil, Reprodução YouTube, Gabriel Yacob, Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O que dizem os quatro deputados federais mais votados de SP?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.nov.2018 | 06h00 |

Eduardo Bolsonaro (PSL), Joice Hasselmann (PSL), Celso Russomanno (PRB) e Kim Kataguiri (DEM) foram os quatro deputados federais mais bem votados desta eleição em São Paulo. A Lupa checou frases ditas por eles em suas redes sociais e em entrevistas recentes. Veja o resultado:

“Daqui a pouco, ele [o governador João Doria] estará colocando deputado do PSOL no governo, como o caso emblemático da Soninha na Prefeitura, que ele pôs em secretaria”
Eduardo Bolsonaro, deputado federal eleito pelo PSL, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, no dia 12 de novembro de 2018

EXAGERADO

Eduardo Bolsonaro usa o exemplo da indicação da vereadora de São Paulo Soninha Francine para a secretária de Assistência Social da prefeitura João Doria para criticar uma possível tendência à composição que seria adotada pelo novo governador. Mas, ao contrário do que sugere o deputado eleito, Soninha nunca foi filiada ao PSOL nem estava em um partido de oposição quando assumiu a secretaria municipal. Apesar de ter iniciado sua carreira política no PT, Soninha estava filiada ao PPS havia dez anos quando entrou na gestão municipal de Doria. O partido fez parte da coligação de 13 siglas que o elegeu prefeito. Ela tinha sido coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual no governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e subprefeita da Lapa na gestão de Gilberto Kassab (PSD). Procurado para comentar, Eduardo Bolsonaro não retornou.


“A esmagadora maioria desses 52 deputados [do PSL] vão chegar novinhos na Câmara”
Eduardo Bolsonaro, deputado federal eleito pelo PSL, em entrevista ao programa Poder em Foco, do SBT, no dia 4 de novembro de 2018

VERDADEIRO

Dos 52 deputados federais que vão compor a bancada do PSL na Câmara, 39 nunca tinham sido eleitos ao Legislativo ou ao Executivo. Destes, 25 concorreram a um cargo na política pela primeira vez neste ano. Na próxima legislatura, o PSL terá a segunda maior bancada da Câmara, atrás apenas do PT. Os dados são da própria Casa e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


“Para entrar no programa [Mais Médicos], (…) você tem que estar desempregado”
Joice Hasselmann, deputada federal eleita pelo PSL, em seu canal do Youtube, no dia 19 de novembro de 2018

FALSO

De acordo com o Ministério da Saúde, o médico que deseja concorrer a uma vaga no Mais Médicos não precisa estar desempregado. Também não há proibição de que o profissional tenha outro emprego além do programa, algo mencionado por Joice no mesmo vídeo. Segundo a pasta, a única exigência feita é que o médico cumpra o contrato com o governo, que prevê dedicação de 40 horas semanais. Procurada, Joice informou, via WhatsApp, que, de acordo com médicos com quem conversou, do Conselho Regional de Medicina, há relatos de que o sistema de inscrição do Mais Médicos travava quando o número de registro profissional era inserido.


“[Sou] a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados”
Joice Hasselmann, deputada federal eleita pelo PSL, em entrevista concedida à Leda Nagle no dia 12 de novembro de 2018

VERDADEIRO

Segundo o TSE, em 2018, Joice recebeu 1.078.666 votos e se tornou a única mulher na lista de deputados federais eleitos com mais de 1 milhão de votos. Só quatro deputados federais se elegeram com mais votos do que Joice: Eduardo Bolsonaro (PSL, 1.843,735, em 2018), Celso Russomano (PR, 1.524.361, em 2014), Tiririca (PR, 1.353.820, em 2010) e Enéas Carneiro (Prona, 1.573.642, em 2002). Todos representavam SP.


“Aluguel de escritório? Também não uso”
Celso Russomanno, deputado federal reeleito pelo PRB, em vídeo publicado em seu Facebook no dia 6 de outubro de 2018

EXAGERADO

Segundo a Câmara, de fevereiro de 2015 a novembro de 2018, Russomanno gastou R$ 19,4 mil com “manutenção de escritório de atividade parlamentar”. Entre as notas fiscais apresentadas pelo deputado, não há comprovantes de pagamento de aluguel, mas há registros de quitação de contas de energia elétrica, água e IPTU de um local na Zona Sul da capital paulista. A assessoria de Russomanno informou que as contas são do escritório político do deputado.


“Apresentei 1.150 propostas e projetos de lei na Câmara dos Deputados”
Celso Russomanno, deputado federal reeleito pelo PRB, em vídeo publicado em seu Facebook no dia 6 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Eleito deputado federal pela sexta vez, Celso Russomanno já apresentou 1.153 propostas à Câmara dos Deputados – dentre projetos de lei, propostas de emendas à Constituição, projetos de decreto legislativo e outros.

*Correção feita às 9h50 do dia 24 de novembro de 2018: por falha do sistema, a etiqueta originalmente impressa nesta checagem saiu como “falsa”. A correta é “verdadeira”, como indica o texto.


“PSOL entrou na justiça para cassar o mandato dele [Cabo Daciolo]”
Kim Kataguiri, deputado federal eleito pelo DEM, ao BTG Pactual Digital, no dia 15 de novembro de 2018

FALSO

Em maio de 2015, o PSOL expulsou de seus quadros o deputado federal Cabo Daciolo, mas, ao contrário do que afirma Kataguiri, não reivindicou seu mandato à Justiça. Segundo o PSOL, Daciolo contrariou diretrizes da legenda ao defender policiais envolvidos na morte do pedreiro Amarildo Dias de Souza, no RJ, em 2013, e ao sugerir a inclusão da frase “todo poder emana de Deus” no preâmbulo da Constituição Federal. O partido consultou o TSE sobre a possibilidade de reivindicar o mandato, mas, segundo seu atual presidente, Juliano Medeiros, não chegou a fazer o pedido.

À época, o TSE afirmou que “não cabe ao partido propor ação de perda de cargo eletivo por desfiliação partidária quando a legenda expulsa o parlamentar”. Assim, Daciolo saiu do PSOL, mas manteve o mandato. Ele concorreu à Presidência neste ano pelo Patriota. Procurado, Kataguiri afirmou que “a jurisprudência vigente à época (…) resultaria na cassação do mandato do cabo”. No entanto, segundo o TSE, a regra não era essa. Assim como ocorre hoje, em caso de expulsão do parlamentar pelo partido, o mandato não fica com a legenda.


“Em 2015, (…) a Justiça do Trabalho custou aos cofres públicos R$ 17 bilhões”
Kim Kataguri, em vídeo publicado no Facebook, em 15.nov.2018

VERDADEIRO

Segundo o Siga Brasil, portal de Orçamento do Senado Federal, em 2015, a Justiça do Trabalho gastou, em valores nominais, R$ 17,1 bilhões. Corrigindo esse valor pelo IPCA, o custo da Justiça do Trabalho naquele ano foi de R$ 20,3 bilhões.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo