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#Verificamos: Brasil não cedeu área costeira à China durante o governo Dilma Rousseff

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.nov.2018 | 20h05 |

Circula nas redes sociais texto que afirma que a ex-presidente Dilma Rousseff cedeu parte da costa brasileira por 25 anos para a China, e que ataque a barco pesqueiro brasileiro na costa potiguar por navio chinês teria ocorrido porque os brasileiros “invadiram” essa área. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Segundo o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, quem invadiu área de pesca Chinesa foi o barco brasileiro Oceano Pesca I”
Texto publicado no Facebook com 3,9 mil compartilhamentos até as 16h do dia 27 de novembro

FALSO

Na última quinta-feira (22), uma embarcação pesqueira brasileira, Oceano Pesca I, foi atacada por um navio chinês há 676 quilômetros do litoral brasileiro. A motivação seria uma disputa por área de pesca de atum. O ataque aconteceu em águas internacionais. O embaixador chinês, entretanto, não afirmou que o barco brasileiro invadiu território chinês.

A Lupa contatou a embaixada da China no Brasil, que informou que a declaração do embaixador “não procede”. Segundo a embaixada, Li Jinzhang ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas deve falar sobre o assunto em breve. É possível verificar que não há, até as 17h do dia 27 de novembro, manifestação de Li sobre o assunto no site da embaixada chinesa.


“No Governo Dilma foi assinado um tratado onde o Brasil cedeu por 25 anos parte da costa brasileira para pesca chinesa”
Texto publicado no Facebook com 3,9 mil compartilhamentos até as 16h do dia 27 de novembro

FALSO

No site do Ministério das Relações Exteriores, é possível checar todos os acordos assinados pelo Brasil com a China pelo sistema Concórdia. Atualmente, há oito atos em vigor entre Brasil e China assinados pela presidente Dilma Rousseff, incluindo acordo multilateral envolvendo também Índia, Rússia e África do Sul. Nenhum deles trata, em momento algum, de cessão de áreas de pesca. Confira a lista aqui.

Vale destacar, ainda, que há regulamentos internacionais para a pesca de atum e outros peixes, incluindo a Convenção Internacional para a Conservação do Atum e Afins do Atlântico, de 1969, e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982.

A informação também foi verificada pelo site Aos Fatos.

*Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Clara Becker e Leandro Resende

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