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#Verificamos: Estudante que reagiu a assalto e bateu em ladrão em Belo Horizonte não foi preso

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.nov.2018 | 17h36 |

Circula nas redes sociais “informação” que a Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais teria “autorizado” a prisão de um estudante de Belo Horizonte por reagir a um assalto.  Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais (…) conseguiu autorizar a prisão do estudante de 21 anos que reagiu a um assalto com arma de brinquedo e espancou o bandido. (…) De acordo com a presidente da Comissão, Gizelle Rosário Leitte, o jovem agiu com demasiada força e não deu chances de defesa ao assaltante”
Texto publicado no Facebook, com 6,6 mil compartilhamentos até as 17h do dia 28 de novembro de 2018

FALSO
 

Na última quinta-feira (20), um estudante de 20 anos reagiu a um assalto no bairro Camargos, em Belo Horizonte. Ao perceber que o assaltante usava uma arma de brinquedo, o jovem trocou socos com o criminoso, que caiu no chão. O estudante chutou a cabeça do assaltante depois da queda. Logo após, chamou a polícia. As imagens foram gravadas por uma câmera de segurança. Após ser atendido em uma UPA, o assaltante foi preso em flagrante.

Apesar de o caso ser verdadeiro, as “informações” que constam na publicação são falsas. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o estudante, cujo nome não foi revelado, não foi preso. O que há é uma investigação em curso para apurar “um possível excesso da vítima quanto à defesa”, à qual ele responde em liberdade. O assaltante continua preso.

Além disso, não existe um órgão chamado “Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais”. Há diferentes órgãos de direitos humanos em esferas do poder público e da sociedade civil, como a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, a Comissão de Direitos Humanos da OAB e a Secretaria de Direitos Humanos do governo estadual. Nenhum desses órgãos é presidido por uma pessoa chamada Gizelle Rosário Leitte.

Por fim, o texto é acompanhado de duas imagens. A foto da esquerda é uma reprodução do vídeo do assalto. A da direita, porém, que mostra uma pessoa sendo presa, não tem relação com o caso. Trata-se de uma detenção ocorrida em Patos de Minas em 2017.

A informação foi verificada, também, pelos sites e-Farsas e Boatos.Org.

*Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Clara Becker e Leandro Resende

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