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Rio de Janeiro -  No Complexo Penitenciário de Gericinó, zona norte da cidade os agentes penitenciários continuam em greve. (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - No Complexo Penitenciário de Gericinó, zona norte da cidade os agentes penitenciários continuam em greve. (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Apenas 1,7% dos presos do Rio de Janeiro trabalham – e recebem por isso

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.nov.2018 | 17h18 |

1,7%. Esse é o percentual de presos no Rio de Janeiro que trabalham em alguma atividade remunerada. São apenas 872 das 51.972 pessoas detidas no estado, que é um dos que mais têm presos ociosos. Minas Gerais, por exemplo, com a segunda maior população carcerária do Brasil, tem 30% dos presos exercendo algum trabalho remunerado. Os dados são de um estudo feito pelo Instituto Igarapé e divulgado nesta quinta-feira (29).

A grave crise financeira em que o Rio de Janeiro está contribuiu para que o número – que já era baixo – reduzisse ainda mais. Em julho deste ano, os presos que prestam serviços gerais para as próprias unidades prisionais, os chamados “faxinas”, deixaram de receber. O trabalho que eles fazem passou a ser classificado como voluntário pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

Durante a elaboração do último Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, divulgado no ano passado pelo Ministério da Justiça, o Rio de Janeiro foi o único estado brasileiro que não informou o número de presos em atividades laborais. O tema chegou a ser discutido durante o debate entre os candidatos ao governo do RJ na TV Globo. A situação do estado só não é pior do que a do Rio Grande do Norte, onde só 1% dos apenados exerce algum tipo de atividade laboral, segundo o Infopen. O levantamento mostra que, em todo o Brasil, o percentual de presos que trabalham chega a 15%.

No Rio de Janeiro, dos 872 presos que trabalham, 216 estão em regime fechado. Isso equivale a apenas 1% dos 18.936 apenados nessa situação no estado. Nenhum deles, porém, cumpre pena no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, onde estão detidos os presos da Operação Lava Jato no RJ, como o ex-governador Sérgio Cabral. Entre os presos em regime semiaberto ou aberto, o percentual é maior: 5,4% dos 11.968 apenados desses regimes exerce algum tipo de trabalho remunerado.

De acordo com o estudo, pesquisas feitas nos Estados Unidos indicam que atividades laborais desenvolvidas durante o tempo de cumprimento de pena têm impactos positivos, como a geração de renda e o ganho de experiência profissional. “Dessa forma, mitigariam os impactos de organizações criminosas sobre aqueles indivíduos”, argumentam as pesquisadoras Dandara Tinoco e Ana Paula Pellegrino, responsáveis pelo levantamento. Além disso, o investimento em trabalho dentro do sistema prisional pode ser um instrumento para evitar a reincidência de egressos das prisões fluminenses. Leia o estudo completo aqui.

A pesquisa divulgada hoje também atualiza uma série de dados sobre a situação dos presos do Rio de Janeiro. Veja:

Editado por: Natália Leal

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