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Notícias falsas contra Bolsonaro usam links que pedem senhas de Facebook

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.dez.2018 | 16h00 |

A semana passada foi (muito) ruim para o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Seu nome voltou a ser alvo de uma quantidade alarmante de notícias falsas – algumas inclusive escondidas em links que buscavam capturar o login e senha de usuários de Facebook. Entre os dias 4 e 7, quem se dedica à verificação de informações de forma profissional “soube”, por exemplo, que Bolsonaro havia renunciado ao mandato presidencial antes mesmo de assumir, que um de seus principais aliados no Amapá “tinha acabado de ser preso pela Polícia Federal” e que, com medo de morrer envenenado, o novo presidente havia contratado um degustador. Tudo mentira.

Nesse conjunto de notícias falsas – que até a última sexta-feira (7) já tinham sido compartilhadas por cerca de 3 mil pessoas – a que mais alarmou os checadores da Agência Lupa foi a da suposta renúncia de Bolsonaro. Não tanto pelo teor, que se revelava enganoso em segundos, mas pela forma como ela foi apresentada.

Consistia num post de Facebook com uma foto de Jair Bolsonaro visivelmente preocupado diante de dezenas de microfones. No texto, a seguinte informação: “EXTRA Bolsonaro renuncia mandato de presidência antes de assumir”. Folha de São Paulo 06/12/2018 às 16h17. Em comunicado extra-oficial, Jair Messias Bolsonaro, renuncia seu futuro cargo eleito. Veja a matéria na íntegra.


Em seguida, a postagem oferecia um link – em formato encurtado, um bitly – que remetia o leitor a um site com uma mensagem do tipo “Clique agora para ler a matéria”. Ao clicar, a página passava então a pedir que o usuário informasse seu login e sua senha naquela rede social. Os fact-checkers usaram então o site Whois para descobrir que se tratava, na verdade, de uma página de empregos e que ela estava registrada em nome de uma pessoa física de Belo Horizonte sem qualquer relação aparente com a Folha de S.Paulo. Obviamente, não havia notícia de renúncia alguma no site do jornal paulista, e o link estava usando conteúdo malicioso para capturar informações pessoais do Facebook. O alerta foi postado nas redes sociais da agência, mas consiste em prática perigosa. Algo que deve ganhar ainda mais destaque nos meios de comunicação. Notícias falsas podem, sim, esconder fraudes.

Mas, na semana passada, também ficou claro que o modelo notícia-velha-tratada-como-nova está em voga no mundo das fake news criadas contra o futuro presidente.

Teve mais de 1,4 mil compartilhamentos, a informação postada na terça-feira (4) de que o “principal aliado de Bolsonaro no Amapá” tinha acabado de ser preso pela Polícia Federal. A postagem trazia uma foto de Moisés Rivaldo Pereira, promotor de Justiça aposentado e ex-secretário municipal de Educação de Macapá. Pereira foi realmente detido na operação Minamata da PF. Mas há mais de um ano, em 30 novembro de 2017. No universo da desinformação, porém,isso não importa, não é? O trator passa primeiro.


Vieram, então, os tuítes sobre a contratação de um degustador para Bolsonaro, seguida de uma crítica ácida ao novo presidente: “Parecendo Império Romano. Além de tudo é psicótico!”.

A assessoria de Bolsonaro foi direta e eficiente ao apoiar os checadores profissionais nessa avaliação. Em nota enviada em poucos minutos, afirmou que a frase era “mentira” e acrescentou o seguinte comentário: “quem falou é louco.” Apesar da presteza do entorno do novo presidente, a notícia falsa já tinha mais de 2 mil compartilhamentos no Facebook quando foi flagrada. Prova de que Bolsonaro está na mira dos mentirosos. E isso tudo a menos de um mês de sua posse e do início de seu mandato presidencial.

*Esta coluna foi publicada no site da revista Época em 10 de dezembro de 2018.

Editado por: Natália Leal

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