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Washington Post: três em cada 10 americanos acreditam em falsas afirmações de Trump

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.dez.2018 | 13h40 |

Que os políticos mentem há décadas e em todas as partes do mundo não restam dúvidas. Mas, no mundo do fact-checking profissional, costumamos nos perguntar: será que os cidadãos realmente acreditam em tudo que ouvem? Pois na última sexta-feira (14), o The Washington Post Fact Checker publicou o resultado de uma pesquisa realizada com 1.025 americanos e que concluiu que não: apenas três de cada 10 pessoas com mais de 18 anos engolem certos dados falsos que o presidente Donald Trump vem repetindo à exaustão.

Glenn Kessler, líder da plataforma de checagem do WP e uma das grandes referências da International Fact-checking Network (IFCN) – rede de checadores da qual a Agência Lupa faz parte – bolou uma estratégia. Junto com a Universidade de Chicago, entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro deste ano, apresentou aos entrevistados um conjunto de 18 duplas de frases e pediu que eles indicassem qual era a verdadeira. Nessas duplas, uma estava correta. A outra era falsa.

Onze dessas afirmações eram dados equivocados que vêm sendo ditos por Trump desde que chegou à Casa Branca. Quatro eram frases falsas também repetidas diversas vezes por líderes democratas. No conjunto, havia ainda um “verdadeiro” do presidente americano e duas afirmações genéricas e factualmente corretas.

Ao serem expostos a essas duplas de frases, os entrevistados não tinham acesso à informação da autoria. Foi o jeito que os checadores do Washington Post e da Universidade de Chicago encontraram de tentar tirar da jogada a fidelidade partidária. E foram em frente.

Kessler colocou, por exemplo, a seguinte dupla para validação: “Há cerca de uma década, a maioria dos senadores democratas votou contra a instalação de uma grade com centenas de milhas de extensão na fronteira entre os EUA e o México” e “Há cerca de uma década, a maioria dos senadores democratas votou a favor instalação de uma grade com centenas de milhas de extensão na fronteira entre os EUA e o México”. O teste foi feito por telefone e também ficou (e segue) disponível online.

Mas além de coletar dados sobre a crença dos entrevistados, a pesquisa tinha uma dinâmica interessante: ensinava. No caso do exemplo acima, quem clicava na primeira resposta, apostando em sua veracidade, recebia a informação de que ela era falsa e o convite para ler mais fatos sobre aquilo (“Read about the facts”).

Na pergunta número dois, o entrevistado tinha a opção de escolher entre essas duas afirmações: “Nos EUA, cerca de 15% das armas são vendidas sem comprovação de antecedentes dos compradores” e “Nos EUA, cerca de 40% das armas são vendidas sem comprovação de antecedentes dos compradores”. Uma questão de dado puro e duro. Bem coisa de fact-checker mesmo. A resposta correta é a primeira, mas observe, na imagem a seguir, que quase 40% dos americanos não têm certeza sobre a informação – mesmo se tratando de um tema tão quente por lá.

Ao divulgar a pesquisa entre os checadores profissionais, Kessler comemorou os resultados. Classificou-os como gratificantes. “Menos de três em cada 10 entrevistados selecionaram como sendo verdadeiras as afirmações falsas de Donald Trump”, explicou.

Mas, para a comunidade de fact-checkers, ainda mereceu destaque o resultado de uma pergunta extra feita aos entrevistados. O Washington Post quis saber se eles consideravam aceitável que os líderes políticos usassem informações falsas algumas vezes. A resposta foi retumbante: 70% respondeu “never acceptable to say thing that are false” (nunca é aceitável dizer algo que é falso).

Da posse ao dia 30 de outubro, Trump já foi pego em 6.420 informações incorretas, segundo o The Washington Post Fact Checker. Só em 2018, foram 4.440.

A margem de erro de todo o estudo divulgado na sexta-feira é de 4,5 pontos percentuais.

Editado por: Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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