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#Verificamos: Patrícia Campos Mello não foi condenada por acusar Bolsonaro de espalhar fake news via WhatsApp

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.dez.2018 | 21h05 |

Circula nas redes sociais a “notícia” de que a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, teria sido condenada a pagar R$ 200 mil de indenização ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), “por acusá-lo de propagar fake news via WhatsApp”. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que o material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Por seis votos a cinco, colunista da @folha de São Paulo Patrícia C. Mello, foi condenada a pagar 200 mil reais ao presidente eleito Bolsonaro, por acusá-lo de propagar fake news no celular”
Imagem que, até as 16h40 do dia 17 de dezembro de 2018, já havia sido compartilhada mais de 2,3 mil vezes no Facebook

FALSO

Procurada, a assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF) informou que esta decisão não consta no sistema da corte. Em sua conta de Twitter, a jornalista da também afirmou que se trata de uma “fake news”.

Ainda vale ressaltar que o Twitter verificado do STF é @STF_oficial. A imagem analisada pela Lupa traz um print de um endereço que é uma corruptela do original e que se chama @STF_Oficianal. Trata-se de um perfil de sátiras que carrega logotipo semelhante ao do STF. A semelhança com original é tão grande que a piada passou a ser levada a sério, com milhares de compartilhamentos.

A Folha de S.Paulo também desmentiu esse boato. O jornal esclarece que, após a publicação da reportagem em que indicou que empresários bancavam envios em massa de mensagens anti-PT pelo WhatsApp, os advogados do então candidato Bolsonaro protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação contra o candidato do PT, Fernando Haddad, sua vice, Manuela D’Avila (PC do B), o presidente do Grupo Folha, Luiz Frias, a diretora Editorial e de Redação da Folha, Maria Cristina Frias, e a repórter do jornal Patrícia Campos Mello. A ação (chamada de Aije, Ação de Investigação Judicial Eleitoral), que ainda corre na Justiça, pede liminar para que sejam apresentados documentos formais relacionados à reportagem – não há, portanto, pedido de indenização feito pelos advogados de Bolsonaro.

Checagem semelhante foi feita pelo site G1.

*Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Chico Marés e Cristina Tardáguila

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