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Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil

Marcado por prisões, governo Pezão chega ao fim sem cumprir promessas

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.dez.2018 | 12h00 |

Esta publicação foi corrigida às 14h26 do dia 19 de dezembro de 2018. Veja abaixo.

Luiz Fernando Pezão assumiu o governo do Rio de Janeiro em abril de 2014, com a renúncia de Sérgio Cabral, que pretendia concorrer ao Senado pelo RJ – e depois desistiu -, mas acabou preso em novembro de 2016*. Na corrida ao Palácio Guanabara ainda em 2014, Pezão registrou junto ao Tribunal Superior Eleitoral o seu programa de governo, com diversas promessas. Mas uma vez eleito, viu seu mandato abalado por escândalos de corrupção, prisão de líderes políticos e uma grave crise econômica. Como seu antecessor, acabou preso no mês passado e saiu do governo sem ter cumprido muito do que prometeu. Confira a análise da Lupa:

“Vamos chegar a um efetivo de 60 mil policiais militares”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do Rio de Janeiro, em entrevista ao G1 no dia 1º de janeiro de 2015

FALSO

De acordo com a Polícia Militar, o efetivo da corporação em dezembro de 2018 é de 43.804 policiais – 16.196  a menos do que o prometido por Pezão em 2014. O efetivo é inferior ao verificado em 2017, quando a Lupa também checou essa promessa: à época, o Rio de Janeiro tinha 44.487 policiais.

Procurado, o governo do RJ informou que a crise financeira do estado atrasou a convocação dos policiais militares aprovados em concurso realizado em 2014. Não foram realizados concursos desde então. De acordo com a nota, 800 policiais já estão no curso do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças e devem participar do patrulhamento nas ruas no ano que vem.


“Vamos criar os batalhões [da Polícia Militar] em Araruama, Nova Iguaçu e Itaguaí”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do RJ, em entrevista ao G1 no dia 1º de janeiro de 2015

FALSO

De acordo com a PM do Rio de Janeiro, as três cidades mencionadas no plano de governo de Pezão continuam sem batalhões próprios. Itaguaí, na Região Metropolitana do estado, é atendida pelo 24º Batalhão da Polícia Militar (BPM), de Queimados. Araruama, na Região dos Lagos, não recebeu seu próprio batalhão e é atendida pelo efetivo do 25º, de Cabo Frio. Já a cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, está sob a responsabilidade do 20º BPM, de Mesquita.

Procurado, o governo do RJ informou que, como a segurança do estado está sob intervenção federal, o questionamento deveria ser feito à Secretaria de Segurança. Esta, por sua vez, não respondeu.


“Implantação de uma rede de corredores metropolitanos de BRT, integrando com linhas rápidas de ônibus os municípios da Região Metropolitana”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do RJ, em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2014

FALSO

A promessa de Pezão era ambiciosa: criar corredores expressos de ônibus conectando cidades da Região Metropolitana. Eles seriam nomeados Via Light, Via Dutra, Washington Luiz, Transbaixada, Leito Ferroviário (Niterói-Alcântara), RJ-104 (Niterói-Manilha), RJ 106 (Tribobó-Maricá), BR 101 (Niterói-Manilha), Arco e Ponte Rio Niterói.

No entanto, nenhum desses corredores saiu do papel. Em 2015, quando o governo do estado lançou o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), a ideia já tinha sido parcialmente abandonada: apenas o BRT que seria instalado na RJ-104, entre as cidades de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, foi mencionado.

Em nota, o governo do RJ informou que apenas alguns dos BRTs foram selecionados durante o desenvolvimento do PDTU e que mesmo estes “não puderam ser implementados por falta de recursos”.


“Serão inaugurados um novo hospital regional de alta complexidade na região do Médio Paraíba (…)”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do RJ, em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2014

VERDADEIRO

Em março deste ano, o então governador Luiz Fernando Pezão inaugurou o Hospital Regional Zilda Arns Neumann em Volta Redonda, região do Médio Paraíba. O hospital tem 80 leitos, sendo 40 de tratamento intensivo (UTI) e 40 de enfermaria, além de espaço para realização de exames de imagens. As obras começaram em 2011, ainda no governo Sérgio Cabral, e chegaram a ser interrompidas em 2013.


“Construção de nova sede do Rio Imagem em Niterói”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do RJ, em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2014

FALSO

O Rio Imagem II, planejado para ser referência em exames de diagnóstico em Niterói, ainda não teve suas obras concluídas. Reportagem do jornal O Dia publicada em setembro deste ano mostrou que R$ 2,4 milhões foram gastos para demolir o Hospital Santa Mônica, em 2012, e, assim, dar início às obras do Rio Imagem II. A previsão era de que o espaço fosse inaugurado em dezembro de 2014, mas as obras estão paradas desde 2016. Em julho daquele ano, moradores de Niterói chegaram a organizar um protesto contra a suspensão.

O Rio Imagem que existe e funciona, localizado no Centro da capital, oferece ressonâncias magnéticas, tomografias, mamografias e outros exames de diagnóstico via Sistema Único de Saúde para todo estado – mas sempre com uma longa fila de espera para a marcação.

Em nota, o governo do RJ disse que a obra do Rio Imagem II foi paralisada em função da crise financeira do estado.


“Colocar o Rio de Janeiro no 1º lugar do Ideb”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do RJ, em seu discurso após a vitória no primeiro turno das eleições de 2014

FALSO

O Rio de Janeiro não conseguiu bater nenhuma das metas estipuladas pelo governo federal para o Indíce de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017, e, além disso, foi um dos sete estados que apresentou queda de rendimento no comparativo com a edição 2015 do exame.

Em vez do primeiro lugar pretendido por Pezão, a rede estadual de ensino do Rio de Janeiro ficou em 20º lugar nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), 23º nos anos finais do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano)  e 21º lugar no Ensino Médio. O Ideb é o principal indicador de desempenho da educação básica no Brasil.

Em nota, o governo do RJ informou que a queda de rendimento no Ensino Médio era “previsível” em função da greve de professores em 2016 e que gerou reposições de aulas até 2018. O governo também fez críticas às mudanças nos critérios de cálculo do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que serve de base para a elaboração do Ideb.


“A compra de novos trens possibilitará que, até 2016, todos os trens do sistema sejam refrigerados”
Luiz Fernando Pezão, ex-governador do RJ, em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2014

FALSO

A meta não foi cumprida  – nem em 2016, conforme prometido, nem mesmo agora, ao fim do governo. Em abril deste ano, o governo informou que estava em curso a última fase do processo de climatização da frota de trens da SuperVia, concessionária responsável pela administração do sistema. Mas o texto também deixa claro que parte da frota que está em circulação ainda não conta com sistema de refrigeração.

Reportagem do jornal Extra, publicada em abril deste ano, mostrou que 12 trens com mais de 40 anos de uso devem circular pelos ramais da SuperVia até pelo menos o ano de 2020.

Em nota, o governo do RJ informou que a Supervia receberá o último dos trens da nova frota do estado na próxima semana, “reduzindo a idade média das composições para 13 anos”. Assim, a frota passará a ser considerada totalmente climatizada.

*Correção feita às 14h30 do dia 19 de dezembro de 2018: Sergio Cabral renunciou ao cargo de governador em 2014 com a intenção de concorrer ao Senado, mas desistiu da eleição – e não “não se elegeu”, como esta publicação havia informado. O texto original foi corrigido.

Editado por: Natália Leal

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