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#Verificamos: É falsa informação de que advogado Cristiano Zanin é réu na Lava Jato

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.dez.2018 | 19h13 |

Circula nas redes sociais a “informação” de que o advogado Cristiano Zanin, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se réu em um desdobramento da Operação Lava Jato. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Advogado de Lula vira réu por embolsar R$ 68 milhões da Fecomércio”
Texto que aparece na imagem que, até as 15h30 do dia 18 de dezembro de 2018, já tinha tido mais de 110 compartilhamentos no Facebook

FALSO

A imagem analisada pela Lupa faz referência à Operação Jabuti, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF) em fevereiro deste ano e que é um dos desdobramento da Operação Lava Jato. O alvo da Jabuti era uma ramificação do esquema de corrupção comandado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e que envolvia o então presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) Orlando Diniz, preso na ocasião. Ele foi solto por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) em junho.

Cristiano Zanin, que aparece na imagem e que atua como advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é réu no processo, segundo consta no site da Justiça Federal. Além disso, o Ministério Público Federal informou que Zanin não foi denunciado em nenhuma ação da Lava Jato.

O valor atribuído a Zanin pelo viral falso foi retirado de uma reportagem publicada em fevereiro pelo jornal Valor Econômico. Nela, é mencionada a existência de um relatório da Receita Federal que aponta o pagamento de R$ 68 milhões pela Fecomércio ao escritório de Zanin, o Teixeira Martins e Advogados. À Lupa, o escritório informou que atua na defesa da Fecomércio na disputa entre a entidade e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) pelo controle do Sesc-Rio desde 2012.  

No caso da Operação Jabuti, a Fecomércio é investigada por supostamente ter usado usado R$ 180 milhões de verba pública do Sesc/Senac para contratação irregular de escritórios de advocacia. Um dos escritórios investigados no caso é o de Adriana Ancelmo, esposa de Sérgio Cabral, que teria recebido  R$ 19,9 milhões.

Zanin não é réu no caso que ficou nacionalmente conhecido. No entanto, um dos advogados de Lula, Roberto Teixeira, sócio do Teixeira Martins e Advogados, foi denunciado duas vezes no âmbito da Lava Jato. Isso ocorreu no caso do terreno para construção do Instituto Lula e no do sítio de Atibaia.

Em nota enviada à Lupa, o escritório Teixeira e Martins Advogados alegou que Roberto Teixeira “tem mais de 45 anos de atuação e sempre se pautou pela ética e pela legalidade”. “As acusações dirigidas a ele dizem respeito à prática de atos inerentes à advocacia, conforme manifestação do Conselho Federal da OAB. Busca-se, por meio de tais acusações, a intimidação e a criminalização da advocacia”.

*Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Cristina Tardáguila

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