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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Sob intervenção federal na segurança, Rio de Janeiro vê tiroteios crescerem 56%

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.dez.2018 | 12h05 |

Sob intervenção federal na área da segurança pública, o Rio de Janeiro viu o número de tiroteios crescer 56% desde fevereiro de 2018. No ano passado, entre fevereiro e dezembro, foram registradas 5.238 troca de tiros no estado. No mesmo período deste ano, 8.193. Os número são do relatório sobre os 10 meses da ação do governo federal no RJ, elaborado pelo Observatório da Intervenção (OI).

As escolas são um dos ambientes que mais sofreram esse aumento na quantidade de tiroteios. Segundo levantamento do OI em conjunto com o Laboratório de Dados Fogo Cruzado, 177 colégios da Região Metropolitana do RJ tiveram ao menos uma troca de tiros registrada em um raio de 100 metros de distância de seus prédios no período em que vigora a intervenção federal. Esse total é 156% maior do que o observado no mesmo período do ano passado, de acordo com a publicação.

Só 6% da verba destinada foi, de fato, utilizada

A intervenção federal na segurança pública do RJ foi decretada em 16 de fevereiro de 2018 pelo presidente Michel Temer. À época, ele afirmou que o governo adotaria “respostas duras, firmes” contra o crime organizado no estado.  Desde lá, foram destinados R$ 1,2 bilhões para o Gabinete de Intervenção Federal (GIF).

Esse valor deveria ser utilizado para custear as atividades do GIF e as operações pelo estado durante a intervenção. Mas, segundo o OI, em 10 meses, o gabinete usou apenas 6% desse valor, o que corresponde a  R$ 72 milhões. A maior parte da verba – R$ 61 milhões – foi destinada às Forças Armadas.

Atualização feita as 14:30 do dia 22 de dezembro de 2018: Pelo Twitter, o GIF afirmou que usou 60% da verba destinada às ações da intervenção, mas esse valor corresponde ao que foi empenhado, ou seja, reservado para algum fim. O OI e a Lupa utilizaram os valores efetivamente pagos em ações já concluídas.

Meta de redução de roubos de rua não foi alcançada

Apesar de a intervenção ter começado em fevereiro, foi apenas em julho que o GIF apresentou seu Plano Estratégico, que contém as metas a serem cumpridas durante a ação federal no estado do RJ. A Lupa voltou ao documento para verificar o que, de fato, saiu do papel. Veja o resultado:

“Redução dos índices relacionados a (…) roubo de rua”
Meta do Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro

FALSO

Os roubos de rua aumentaram no Rio de Janeiro no período da intervenção federal. De fevereiro a novembro de 2018, houve 109.952 casos desse tipo registrados no estado. No ano passado, no mesmo período, foram 109.026 roubos de rua, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

Procurado, o GIF não respondeu.


“Integrar as chamadas de emergência  (190, 193, 197 e 199) do Estado do RJ em um sistema unificado (190)”
Meta do Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro

FALSO

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, não há integração dos serviços de chamadas de emergência no estado. Por telefone, a assessoria informou que cada uma dessas chamadas tem a sua própria estrutura e, por essa razão, não existe um planejamento “a curto prazo” para essa unificação.   

Procurado, o GIF não respondeu.


“Empossar na PMERJ pelo menos 1.000 novos concursados já aprovados”
Meta do Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro

EXAGERADO

Em 2018, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro deu posse a policiais que haviam feito concurso para ingressar na corporação em 2014. Contudo, somente 800 policiais conseguiram entrar para a PM neste ano – e não “pelo menos mil”, como o gabinete havia estabelecido como meta. Esses policiais começaram a trabalhar em agosto e outubro.

De acordo com a PM, outros 581 policiais já foram autorizados a ingressar no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). “A incorporação desse último grupo está garantida”, disse a PM, mas não há previsão de quando eles, de fato, estarão integrados ao efetivo da polícia.

O último concurso da PM foi realizado em 2014 e visava preencher 6 mil vagas. Até o início da intervenção, apenas 1.175 aprovados nesta seleção tinham ingressado na PM. Segundo a corporação, o contingente está sendo “incorporado por etapas”.  

Procurado, o GIF não respondeu.


“Redução dos índices relacionados a letalidade violenta”
Meta do Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro

VERDADEIRO

De fevereiro a novembro de 2018, o Rio de Janeiro acumulou 5.594 ocorrências relacionadas a letalidade violenta – que inclui os números de homicídios dolosos, homicídios recorrentes de intervenção policial, latrocínio (roubo seguido de morte) e lesão corporal seguida de morte. Esse número é levemente inferior ao mesmo período de 2017. No ano passado, houve 5.598 casos. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP).


“Redução dos índices relacionados a (…) roubo de veículos”
Meta do Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro

VERDADEIRO

De fato, os roubos de veículos no Rio de Janeiro caíram durante a intervenção federal, na comparação com o mesmo período do ano passado. De fevereiro a novembro de 2018, o Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou 43 mil casos de veículos roubados. Em 2017, o número foi maior: 45.669. A queda foi de quase 6%.


“Redução dos índices relacionados a (…) roubo de carga”
Meta do Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro

VERDADEIRO

Durante a intervenção, o número de roubos de carga diminuiu no RJ. De fevereiro a novembro de 2018,  foram 7.417 casos, contra 8.753 no mesmo período do ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).   

Editado por: Natália Leal

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
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A informação está comprovadamente incorreta
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