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Foto: Valter Campanato, Agência Brasil
Foto: Valter Campanato, Agência Brasil

Da Academia Militar ao Planalto: ano a ano, conheça a trajetória de Jair Bolsonaro

por Equipe Lupa
01.jan.2019 | 07h01 |

Eleito presidente do Brasil em outubro, Jair Bolsonaro (PSL) toma posse nesta terça-feira (1). O novo presidente deve deixar a Granja do Torto por volta das 15h, em direção à Esplanada dos Ministérios. Deve fazer uma parada na Catedral de Brasília e seguir para o Congresso Nacional. Lá, será recebido pelos atuais presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (MDB-CE), e se encaminhar para o Palácio do Planalto. Lá, receberá a faixa presidencial das mãos de Michel Temer e fará seu primeiro discurso como mandatário. O dia chega ao fim com um coquetel no Itamaraty.

Militar criado em São Paulo, mas com carreira política extensa no Rio de Janeiro, Bolsonaro construiu sua trajetória defendendo posições duras e controversas. Com discursos fortes na área da segurança pública, atua, principalmente, nas frentes ligadas à liberação da posse de armas e a proteção de agentes de segurança, como policiais e integrantes das Forças Armadas. Cristão, pauta suas falas no que chama de “defesa da família”. Critica a atuação das bancadas ativistas, como a LGBT, e popularizou a frase “quem ensina sexo para a criança é o papai e a mamãe”, ao se opor à discussão sobre gênero em escolas.

Expoente de um pensamento conservador que se espalhou pelo Brasil nos últimos anos, o capitão reformado do Exército sobe a rampa do Planalto na tarde de hoje para entrar para a história como o primeiro presidente que se coloca à direita no espectro político desde a redemocratização. Defensor de regimes como a ditadura militar implantada no Brasil a partir de 1964 e de figuras como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado pela prática de tortura durante o regime, Bolsonaro conquistou 57,8 milhões de votos no segundo turno das eleições do último ano. Carrega para dentro do Planalto a esperança daqueles que se dizem fartos de corrupção e que buscam uma ação mais enérgica do governo federal na segurança pública.

Ao longo das últimas semanas, a Lupa pesquisou em bases de dados públicas e em acervos de jornais e revistas as trajetórias pessoal, acadêmica e política do novo presidente. Pinçou alguns momentos e links que marcaram sua vida. Conheça, na linha do tempo a seguir, um pouco do que Bolsonaro fez – ano a ano – antes de se tornar o 38º chefe de Estado brasileiro. 

Nota da redação: Este conteúdo só pode ser replicado, copiado ou redistribuído com autorização prévia da Agência Lupa

1974

Ingressa na Academia Militar das Agulhas Negras, a Aman, em Resende, no Rio de Janeiro.

1977

Conclui o curso de formação da Aman.

Conclui o curso de paraquedismo militar na Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro.

1979

Chega à patente de capitão no Exército Brasileiro.

1981

Nasce seu primeiro filho, Flávio, eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018.

1982

Nasce seu segundo filho, Carlos – que, hoje, é vereador na cidade do Rio de Janeiro.

1983

Jair Bolsonaro conclui a formação em educação física na Escola de Educação Física do Exército.

Torna-se mestre em saltos pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro.

1984

Nasce Eduardo, seu terceiro filho, que se elegeu como o deputado federal mais votado da história, por São Paulo, em 2018.

1986

Serve como capitão no 8º Grupo de Artilharia de Campanha.

Ganha projeção nacional ao escrever o artigo intitulado “O salário está baixo”, publicado na seção Ponto de Vista da revista Veja. O texto era uma reclamação contra os baixos soldos pagos pelo Exército aos oficiais.

Fica preso por 15 dias, sob a justificativa de, ao escrever o artigo, ter infringido o regulamento disciplinar do Exército.

1987

Cursa a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).

É alvo de uma investigação do Exército. Havia a suspeita de que Bolsonaro planejava atentados a bomba nos quartéis do RJ, como forma de protesto contra os baixos vencimentos dos militares. O plano, publicado pela revista Veja, só seria executado se o reajuste concedido aos militares pelo governo federal ficasse abaixo de 60%. Bolsonaro negou envolvimento e disse que o texto publicado pela revista era “uma fantasia”.

1988

Julgado pelo Superior Tribunal Militar (STM), é considerado não-culpado no caso das supostas bombas nos quartéis e vai para a reserva remunerada com a patente de capitão.

Os ocorridos dos últimos dois anos rendem projeção a Bolsonaro entre os militares, e ele acaba eleito vereador do Rio de Janeiro, em novembro, pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Bolsonaro teve 17.674 votos.

1990

Cumpre o mandato de vereador até 1990 e se candidata a uma vaga de deputado federal.

É eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, pelo PDC, com  67 mil votos. Suas bases eleitorais são a Vila Militar e algumas zonas da cidade de Resende.

1991

Toma posse na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1991.

Torna-se membro da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público.

Apresenta seus primeiros projetos como deputado, a maioria deles relacionada às causas militares, entre elas a gratuidade de transporte público para ex-combatentes, o uso dos imóveis militares e regras para reajustes dos soldos.

1993

Funda, em abril, ao lado de Paulo Maluf, o Partido Progressista Reformador (PPR).

Em julho, defende, em entrevista ao jornal New York Times, o fechamento do Congresso Nacional. Declara ser “a favor de uma ditadura” e que diz a seguinte frase: “Nunca vamos resolver sérios problemas nacionais com essa democracia irresponsável”.

Apresenta seis propostas de lei à Câmara, entre elas uma sobre porte e posse de armas e outra sobre a realização de vasectomia e laqueadura tubária para fins de planejamento familiar e controle de natalidade. Todas são arquivadas.

1994

No Congresso, defende o retorno do regime de exceção e o fechamento temporário da Câmara e do Senado. A justificativa do então deputado é que a existência de muitas leis atrapalhava o exercício do poder e que, “num regime de exceção, o chefe, que não precisa ser um militar, pega uma caneta e risca a lei que está atrapalhando”.

Concorre à reeleição para deputado federal, defendendo melhoria salarial para os militares, o fim da estabilidade dos servidores, a defesa do controle de natalidade e a revisão da área dos índios ianomâmis.

Reelege-se com quase 135 mil votos.

1995

É acusado de ser desrespeitoso em depoimento do, à época, ministro da Administração do governo Fernando Henrique Cardoso, Luís Carlos Bresser-Pereira, na Comissão de Trabalho. Bresser-Pereira estava sendo questionado sobre o adiamento da data de pagamento dos servidores públicos. O deputado Osvaldo Biochi (PTB-RS) pede sua cassação. Bolsonaro é punido com uma advertência.

1996

Apresenta seu primeiro Projeto de Lei que viria a ser transformado em Norma Jurídica. A proposta dispunha sobre a prorrogação de benefícios fiscais ao setor de informática e automação. Até o ano anterior, Bolsonaro tinha apresentado 31 PLs – 29 tinham sido arquivados. Dois tramitam até hoje em conjunto com outras propostas.

1998

Em março, se candidata à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, enfrentando a reação de vários setores da sociedade. Em artigo, defendeu a pena de morte, a prisão perpétua, o regime de trabalhos forçados para condenados, a redução da maioridade penal para 16 anos e um rígido controle da natalidade como maneira eficaz de combate à miséria e à violência.

É reeleito com 102.893 votos.

Em novembro, manifesta-se contra pontos da Reforma da Previdência. Critica as propostas de estabelecimento de teto para as aposentadorias dos funcionários públicos e adoção de idade mínima e tempo de contribuição para a concessão de aposentadorias no setor privado.

1999

Assume seu novo mandato, o terceiro como deputado federal.

Declara que “a situação do país seria melhor se a ditadura tivesse matado mais gente”, incluindo o presidente FHC. É neste ano que também afirma que “isso é que dá torturar e não matar”, ao comentar o caso do ex-padre José Antônio Monteiro, que havia denunciado o diretor-geral da Polícia Federal à época, João Batista Campelo, de torturá-lo.

Tem sua suspensão pedida pela Mesa Diretora da Câmara. O afastamento se daria por um mês. A proposta não chega a ser votada pelo plenário da Casa.

É acusado de nepotismo. Empregava, em seu gabinete, sua então companheira, Ana Cristina Valle, o pai e a irmã. Ele e Ana Cristina não eram casados – e nunca chegaram a oficializar o relacionamento, que durou 16 anos (os dois se separaram entre 2007 e 2008).

Após a acusação de nepotismo, afirma que estava em processo de divórcio de sua primeira mulher, Rogéria Nantes, mãe de seus três filhos.

Nasce seu quarto filho, Renan.

O líder do governo na Câmara, Arthur Virgílio (PSDB-AM) entra com um pedido de cassação contra Bolsonaro. O deputado havia defendido o fuzilamento do então presidente FHC, em um almoço com outros militares, dizendo que era até “algo honroso para certas pessoas”. A proposta de Virgílio não chega a ser votada.

2000

Defende publicamente a pena de morte para qualquer crime premeditado e a tortura em casos de tráfico de drogas, afirmando que “um traficante que age nas ruas contra nossos filhos tem que ser colocado no pau-de-arara imediatamente… o cara tem que ser arrebentado para abrir o bico”.

Diz não “admitir abrir a porta do meu apartamento e topar com um casal gay se despedindo com beijo na boca, e meu filho assistindo a isso”.

É o único deputado a votar contra a criação do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, proposto pelo governo federal e financiado pela Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Demonstra insatisfação com o aumento da ingerência civil sobre as Forças Armadas, a partir da criação do Ministério da Defesa pelo governo FHC. Faz duras críticas ao governo com relação à falta de reajuste nos salários dos servidores militares. Também condena a atuação do então ministro da Defesa, Geraldo Quintão. Em discurso em plenário, chega a chamá-lo de “canalha”, “patife” e “imoral”.

2002

É reeleito para seu quarto mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro, com 88.945 votos, pelo PPB

2003

Declara-se contrário à Reforma da Previdência proposta pelo governo federal.

Deixa o PPB para se filiar ao PTB.

Na Câmara, discute com a deputada Maria do Rosário (PT-RS) e lhe diz: “jamais ia estuprar você porque você não merece”.

2005

Deixa o PTB e se filia ao Partido da Frente Liberal (PFL).

Deixa o PFL e vai para o Partido Progressista (PP), nova denominação do PPB, sua antiga legenda.

Na crise do mensalão, destaca-se pelos ataques ao PT e a políticos do partido envolvidos nos escândalos. No plenário da Câmara, chama José Dirceu de terrorista. A confusão ocorre durante discurso do petista, que tinha deixado a Casa Civil e assumido seu mandato como deputado. Acusa José Genoíno de ter delatado companheiros da Guerrilha do Araguaia após ter sido capturado pelos militares em 1972 e chega a levar o coronel reformado Lício Augusto Ribeiro Maciel, que o prendeu e interrogou, a seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão.

No referendo sobre a proibição do comércio de armas no Brasil, posiciona-se entre os defensores e organizadores da campanha do “não” – que permitiria que o comércio seguisse. A proibição da venda de armas acabou sendo rejeitada por dois terços dos eleitores, e o comércio seguiu, conforme as regras do Estatuto do Desarmamento vigentes já à época.

2006

Manda confeccionar cartazes com os dizeres “Araguaia: quem procura osso é cachorro”, em crítica à iniciativa do governo federal para que os restos mortais dos guerrilheiros desaparecidos em combates com as forças armadas fossem localizados. As peças são espalhadas pela Câmara.

É reeleito para o quinto mandato consecutivo como deputado federal, com 99,7 mil votos, pelo PP.

2008

Posiciona-se de forma contrária à demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, no estado de Roraima, durante audiência pública na Câmara. Sua justificativa era de que a demarcação colocaria em risco a integridade nacional, por se tratar de área de fronteira. Chama o ministro da Justiça à época, Tarso Genro (PT), de terrorista e mentiroso e é atingido por um copo d’água, jogado pelo representante indígena no debate, Jecinaldo Sateré Maué. “Eu peguei um copo de água porque não tinha uma flecha. Se eu tivesse, metia uma flechada nele”, disse Maué.

2009

É alvo de representação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) por quebra de decoro, por causa dos cartazes sobre a guerrilha do Araguaia. A Câmara arquiva oito processos do mesmo tipo contra o deputado, incluindo ofensas ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à então ministra Dilma Rousseff (PT) e à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS)

Apresenta sete projetos de lei e PECs, incluindo um que autoriza porte de armas para agentes penitenciários e outro que obriga que as emendas de parlamentares sejam de iniciativa individual.

2010

Em entrevista ao programa “Participação Popular”, na TV Câmara, diz que palmada ajuda a “corrigir” filho homossexual. “Se o filho começa a ficar assim, meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele”, disse.

É um dos 389 deputados federais que votaram a favor do projeto Ficha Limpa.

Vota a favor do aumento de salário dos deputados em 61,7%.

É reeleito deputado federal, com 120.646 votos.

Apresenta projeto de lei para aumentar a pena para crimes cometidos por quadrilhas. A proposta está parada na Câmara, aguardando relator na Comissão de Constituição e Justiça

2011

Em participação no programa CQC, responde a perguntas de cidadãos comuns e de famosos. A cantora Preta Gil pergunta: “O que você faria se seu filho se apaixonasse por uma negra?” Ele responde: “Preta, não vou discutir promiscuidade”. Acusado de racismo, diz, posteriormente, que entendeu a pergunta errado. “O que eu entendi ali da Preta Gil, por Deus que está no céu, era como eu reagiria no caso do meu filho tivesse um relacionamento com um gay. Foi isso que eu entendi”, declarou.

Envolve-se na polêmica do “kit gay”, sendo um dos deputados que toma a dianteira contra o material. Cartazes e livros anti-homofobia criados por ONGs seriam distribuídos em escolas de Ensino Médio, mas ainda não tinham sido aprovados pelo Ministério da Educação. A presidente Dilma Rousseff veta o programa.

Ainda sobre homofobia, declara: “A maioria dos homossexuais é assassinada por seus respectivos cafetões, em áreas de prostituição e de consumo de drogas, inclusive em horários em que o cidadão de bem já está dormindo”.

Discute com a senadora Marinor Britto (PSOL-PA), em reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Apresenta um projeto de lei que aumenta o limite máximo de pontos na carteira nacional de habilitação para 40. A proposta, arquivada, foi a única apresentada pelo deputado naquele ano.

É pai pela quinta vez: nasce Laura, sua única filha, após quatro homens.

2012

Agride um funcionário da Câmara e ameaça depoentes em subcomissão da Casa sobre a Guerrilha do Araguaia.

No programa A Liga, da Band, critica a Parada Gay por uso de recurso público. Também declara: “Como se ser homossexual fosse motivo de orgulho. O tecido social da sociedade é a família. A partir do momento que você estimula esse tipo de comportamento que os pais não concordam, você está esgarçando esse tecido social”.

É mencionado pelo relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como o único entre os parlamentares de PTB, PP, PMDB e PL a votar contra a lei das falências em 2004. Cita, ainda, que deputados do próprio PT votaram contra, sem mencionar exemplos nominalmente. A partir dessa declaração, Bolsonaro passa a dizer em entrevistas que Barbosa disse que ele era o único deputado da base aliada que não havia sido “comprado” pelo governo. Em 2018, Barbosa negou que tenha dito isso.

Vota contra a PEC das Domésticas. Foi um dos dois únicos deputados a se posicionarem contra o projeto.

É multado por pescar ilegalmente em área de preservação ambiental.

Apresenta um projeto de lei, que permite que drogas apreendidas pela polícia sejam usadas no treinamento de cães farejadores.

2013

É entrevistado pelo ator inglês Stephen Fry, em documentário sobre o avanço da homofobia no mundo. “Nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay” foi uma das declarações dadas por ele.

Mais uma vez, defende a ditadura militar em recepção à ativista cubana Yoani Sanchez.

Solta fogos de artifício em frente ao hotel onde a seleção italiana estava hospedada, na Barra da Tijuca, para um amistoso contra o Haiti e a Copa das Confederações. Ele reclamava que o barulho do ar-condicionado no hotel, próximo à sua casa, estava atrapalhando seu sono.

Casa-se com Michele Bolsonaro, em cerimônia celebrada pelo Pastor Silas Malafaia, no Rio de Janeiro. Michele é a terceira mulher de Bolsonaro, mas a segunda com quem ele oficializou o casamento, já que ele e Ana Cristina Vale nunca se casaram.

É acusado de agredir o senador Randolfe Rodrigues (na época, PSOL-AP) com um soco no estômago, em visita ao DOI-CODI. Ele nega e diz que apenas trocou empurrões e o senador “desmontou”. Mais uma vez, é alvo de processo no Conselho de Ética, que arquiva o processo.

Entra com mandado de segurança para poder pescar na Estação Ecológica de Tamoios.

Apresenta propostas para tornar hediondos os crimes passionais e aumentar as penas em caso de estupro de vulnerável. Ambas tramitam no Congresso. Por outro lado, apresenta – e retira ele mesmo – um projeto para impedir que agentes de fiscalização ambiental tenham porte de arma.

2014

Apresenta proposta para criar a Comissão da Verdade da Casa Civil da Presidência. O texto previa a criação de um grupo nos moldes da Comissão da Verdade, que investigou violações de direitos humanos entre 1946 e 1988 – período no qual se inseriu a ditadura militar, entre 1964 e 1985. No projeto, que foi arquivado, Bolsonaro sugeria a apuração de casos ocorridos em diversos períodos da história, como o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002, e a morte do soldado Mario Kozel Filho, em 1968, após ação do grupo Vanguarda Revolucionária Popular, que fazia resistência armada à ditadura militar.

Em entrevista ao jornal El País, lança-se candidato à Presidência da Câmara dos Deputados e volta a fazer declarações de cunho homofóbico. Afirma que as pessoas se tornam gays por “consumo de drogas”. “Apenas uma minoria nasce com defeito de fábrica. Aqui no Brasil se tem a ideia de que quem for homossexual vai ter sucesso na vida. As novelas sempre mostram os gays bem sucedidos, que trabalham pouco e ganham muito, têm carrões”.

Em abril, apresenta seu nome ao PP para concorrer à Presidência da República. O partido apoia a reeleição de Dilma Rousseff (PT), e alguns dissidentes fazem campanha para Aécio Neves (PSDB).

Reelege-se como o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 464 mil votos. Pouco após a apuração dos votos, declara ao jornal Estado de S. Paulo que seria o candidato da direita à Presidência da República em 2018.

Em dezembro, envolve-se em nova polêmica com a deputada federal Maria do Rosário (PT). No plenário da Câmara dos Deputados, Bolsonaro lembra o caso de 2003, quando disse que não estupraria a petista porque ela não merecia, durante discurso dela sobre os trabalhos da Comissão da Verdade. “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Fique aí, Maria do Rosário. Há poucos dias [na verdade a discussão ocorrera há alguns anos] você me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir”, afirmou Bolsonaro na ocasião.

2015

No começo da nova legislatura, apresenta proposta para dar o nome de “Mar Presidente Médici – Amazônia Azul” à Zona Econômica Exclusiva do Brasil, faixa de mar que se estende por 200 milhas marítimas além da costa.

Em março, protocola pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) com base nas revelações sobre os desvios cometidos na Petrobras. Organiza caminhada na Zona Sul do Rio de Janeiro a favor do impedimento da presidente e volta a dizer que é candidato à Presidência.

Consegue aprovar a Proposta de Emenda à Constituição que institui o voto impresso como um comprovante do voto eletrônico no Brasil. Em junho de 2018, no entanto, o STF considera o sistema do voto impresso inconstitucional.  

Declara ao jornal Opção, de Goiás, que refugiados são “a escória do mundo”.

Vota a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aprova a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes graves.

2016

Em março, deixa o PP e é lançado como pré-candidato à Presidência ao se filiar ao Partido Social Cristão (PSC).

No dia 17 de abril, vota pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em sua declaração de voto, homenageou o coronel Brilhante Ustra. “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim”. A declaração figurou nos principais jornais do mundo. A OAB-RJ entrou com pedido de cassação do mandato do deputado no STF por apologia à tortura. Pelo mesmo motivo, é alvo de processo do Conselho de Ética. Em novembro, em sessão do conselho, afirma que Brilhante Ustra é um “herói brasileiro”. O processo é arquivado.

2017

Tem apenas quatro votos na eleição para presidente da Câmara dos Deputados. Na votação, troca mensagens com o filho, o também deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP): “Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”, escreve. Mais tarde, afirmou que o filho estava na Austrália e acusou o fotógrafo que fez os registros de invasão de privacidade.

Em maio, aparece no segundo lugar nas intenções de voto para Presidência da República, medidas pelo Datafolha, tecnicamente empatado com Marina Silva (Rede), e atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à época cogitado como candidato.

consolidado como pré-candidato à Presidência, troca farpas com Ciro Gomes durante ato que celebrou sua ida para o PEN.

Em outubro, é condenado pela Justiça do RJ a uma multa de R$ 50 mil, por ter dito que “quilombolas não servem para nada, nem para procriar” e que, ao visitar uma comunidade do grupo, percebeu que o “mais leve pesava sete arrobas”. As declarações foram dadas em abril, durante um evento no Clube Hebraica, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Na Câmara, apresenta proposta para alterar o Marco Civil da Internet e impedir a venda de pacotes de Internet com franquias limitadas de dados. “A definição de planos de conexão à internet com franquias, estabelecendo limites de dados, trará o cerceamento ao usuário do acesso à informação, de forma abusiva e perversa, em desconformidade com os princípios que norteiam o uso da internet no Brasil”, diz trecho da proposta, que segue em tramitação na Casa.

Propõe, também, uma das suas bandeiras na campanha presidencial, o “excludente de ilicitude nas ações de agentes públicos em operação policial.” A medida, segundo Bolsonaro, serve para condecorar, em vez de punir, o oficial que matar criminosos. O projeto aguarda apreciação em plenário.

2018

Filia-se ao PSL em janeiro e lança candidatura à Presidência da República em julho.

Durante a campanha do primeiro turno, em setembro, é vítima de um atentado em Juiz de Fora, Minas Gerais. Esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira, passa mais de 20 dias no hospital e se ausenta de debates, entrevistas e atos durante todo o período restante de campanha.

É eleito presidente da República no segundo turno das eleições, com 55% dos votos válidos, derrotando Fernando Haddad (PT).

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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