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Na posse, Witzel erra sobre apoio do PSL a sua candidatura ao governo do RJ

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.jan.2019 | 07h01 |

No dia 1º de janeiro, Wilson Witzel (PSC) tomou posse como governador do Rio de Janeiro. O ex-juiz federal concorreu a um cargo eletivo pela primeira vez em 2018 e foi eleito com 59,8% dos votos. O resultado foi considerado uma das surpresas deste pleito, já que, na largada do primeiro turno, Witzel não aparecia bem nas pesquisas. A Lupa selecionou algumas frases do discurso de posse realizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e analisou o grau de veracidade delas. Veja o resultado:   

“Minha gratidão (…) ao PSL, que desde o primeiro momento acreditaram no candidato 1%”
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, em discurso durante sua posse, no dia 1º de janeiro de 2019

FALSO

O PSL, partido pelo qual se elegeu o presidente Jair Bolsonaro, não apoiou a candidatura de Wilson Witzel “desde o primeiro momento”. O partido não integrou nenhuma coligação no primeiro turno e nem sequer oficializou apoio a algum candidato no segundo turno.

Após uma reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), os 13 deputados estaduais eleitos pela sigla chegaram a manifestar a intenção de apoiar Witzel. O registro foi feito pelo jornal Extra no dia 9 de outubro de 2018. À época, Flávio afirmou que a decisão sobre o apoio seria decidida por Jair Bolsonaro, em uma reunião com os deputados. Mas, no dia 13 de outubro, o agora presidente se declarou neutro na disputa pelo governo do RJ.

No mesmo dia, o TRE-RJ proibiu Witzel de veicular o apoio de Flávio em sua propaganda eleitoral – desde o final do primeiro turno, o senador aparecia em eventos e imagens ao lado do ex-juiz. O tribunal acolheu pedido do adversário de Witzel, Eduardo Paes (DEM), que questionava o fato de o Witzel veicular imagens de Flavio sem que o partido tivesse dado seu apoio oficial ao candidato. Em protesto,  vice de Witzel, Cláudio Castro (PSC), afirmou que o pedido era “a comprovação de que o clã Bolsonaro apoia o Wilson. Eles não podem declarar isso abertamente para o Jair não perder o voto do eleitorado do Paes, mas é nítido que torcem por nós”. A decisão do TRE-RJ foi revogada no dia 26 de outubro.

Procurado, Witzel não respondeu.


“Minha gratidão ao PROS (…), que desde o primeiro momento acreditaram no candidato 1%”
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, em discurso durante sua posse, no dia 1º de janeiro de 2019

VERDADEIRO

O PROS integrou, junto com o PSC, partido de Witzel, a coligação “Mais Ordem, Mais Progresso”, pela qual o ex-juiz se elegeu. O registro da candidatura, no qual consta a formação da coligação, foi feito no dia 13 de agosto de 2018 junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  


“[Vamos fazer com que] A segurança [pública do Rio de Janeiro] não seja mais apenas um caso de polícia”
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, em discurso durante sua posse, no dia 1º de janeiro de 2019

CONTRADITÓRIO

Em seu programa de governo, registrado junto ao TSE, Witzel afirmou que a questão da segurança pública “precisa voltar a ser caso de polícia, e não mais caso de política”. A declaração consta na página 8 do documento.

Procurado, Witzel não respondeu.


“Também são metas estratégicas da nossa gestão fortalecer e expandir o setor produtivo do turismo”
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, em discurso durante sua posse, no dia 1º de janeiro de 2019

DE OLHO

Em seu programa de governo, Witzel afirmou que o turismo é a “vocação natural” do Rio de Janeiro. Depois de eleito, no dia 9 de novembro, o ex-juiz federal classificou a área como o “novo petróleo” do estado. A meta do novo governo é atrair, anualmente, 12 milhões de turistas ao RJ.

Em 2017, mais de 6,5 milhões de pessoas visitaram o Brasil, de acordo com o Ministério do Turismo. Destes, 1,3 milhão (20% do total) estiveram no RJ, o segundo estado com maior número de turistas no país. São Paulo lidera o ranking: recebeu 2,1 milhões de turistas, ou 32,5% do total.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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AINDA É CEDO PARA DIZER
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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
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