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Instagram tem 1 bilhão de usuários, mas não oferece sistema de denúncia de fake news

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.jan.2019 | 14h30 |

Em outubro de 2018, 64 milhões de pessoas usavam o Instagram no Brasil. O país ficava em terceiro lugar no ranking mundial da rede social, perdendo apenas para os Estados Unidos, com seus 121 milhões de usuários, e para a Índia, com 71 milhões. Em todo o planeta, todos os meses, 1 bilhão de pessoas publicavam fotos e vídeos no Instagram. Tratava-se de um sétimo dos habitantes da Terra. Um terreno para lá de fértil para as mentiras e os exageros – como bem já reconhece a plataforma. Apesar disso, quem navega pelo sistema e encontra uma informação falsa não acha um caminho para denunciá-la. Há quem diga que o Instagram pode ser a próxima fronteira da mentira.

Lançado em 2010 pelo americano Kevin Systrom e pelo brasileiro Mike Krieger, o Instagram foi comprado pelo Facebook em 2012 e não demorou muito para ser inundado por informações falsas e situações correlatas.

Em novembro do ano passado, a revista americana The Atlantic foi analisar, por exemplo, se eram reais todos os efeitos milagrosos do suco de aipo – um discurso curioso que havia sido adotado de forma praticamente avassaladora por instagramers que juravam de pés juntos, em séries de fotos e vídeos, que aquele líquido verde claro, vendido por tudo que era canto nos Estados Unidos, era quase um milagre engarrafado. Saúde em vidro. Resultado: tudo falso.

Os sucos de aipo podem ser gostosos (ou não), mas, de acordo com a comunidade científica, não curam “todos os tipos de inflamação”, não “regulam a quantidade de micróbios no intestino humano”, não “removem as toxinas do sangue” nem são capazes de “curar doenças crônicas” – como alardeavam famosos no Instagram. Veja o vídeo didático feito pela revista, envolvendo personalidades como Gwyneth Paltrow:

Logo em seguida, a rede social descobriu que havia sido tomada pela praga dos falsos seguidores, dos falsos comentários e das falsas curtidas. Em busca da fama e da “audiência”, seus usuários tinham decidido que era hora do vale tudo. Assim, no mesmo mês de novembro, o Instagram anunciou oficialmente que tomaria medidas drásticas para acabar com as interações inverídicas. Num post publicado em inglês, informou que havia construído ferramentas “capazes de identificar contas que usam esses serviços [das falsas interações]” e que passaria a remover da plataforma todas as atividades não autênticas. “Esse tipo de comportamento é ruim para a comunidade (…) e viola nossos termos de uso”, explicou. De acordo com a direção do Instagram, contas que fossem pegas com likes, comentários ou seguidores falsos receberiam alertas por escrito e instruções para trocar senhas.

No último sábado (12), o esforço atingiu outro patamar. Segundo o site The Philippine Star, 29 perfis do Instagram filipino foram removidos (junto com diversas páginas do Facebook) por violar regras da plataforma. Eles teriam distribuído fake news de forma insistente, além de ter quebrado diversos outros termos de uso da rede social. A polêmica corre solta do outro lado do planeta.

Mas o que acontece se você encontrar um conteúdo falso no Instagram? Na versão brasileira do aplicativo não há muito a ser feito. Ao contrário do que ocorre no News Feed do Facebook, que permite ao usuário denunciar posts possivelmente falsos, o Instagram parece um beco sem saída.

Em nenhum dos três passos disponíveis para reclamação sobre um determinado conteúdo, existe a possibilidade de alertar sobre a falsidade de uma informação. Na primeira etapa, o Instagram pergunta ao seu usuário se o conteúdo é “spam” ou “inadequado”. Veja imagem a seguir:

Clicando na segunda opção, abre-se um menu extenso, com o botão “denunciar”. A partir dele, surge uma lista em que a plataforma solicita uma especificação relacionada à inadequação do conteúdo. E é nesse momento que o Instagram revela suas preocupações. A lista fala em pornografia, discurso de ódio, violência, armas de fogo, drogas, bullying, automutilação… Mas não traz nenhuma palavra sobre veracidade da informação. Nada sobre notícias falsas. Hora de avançar, não?

Editado por: Natália Leal

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