A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

MG concentra 63% das barragens de minérios do país com ‘alto risco estrutural’

Diretora de Conteúdo | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.jan.2019 | 17h45 |

Das 19 barragens de rejeitos de minério com alto risco de acidentes no Brasil, 12 ficam em Minas Gerais. Isso equivale a 63,1% do total. Duas delas têm potencial de dano médio, e para as outras 10, ele é considerado alto. Os dados constam no relatório mais recente publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre a situação das barragens de minério do país.

A ANM considera alto o risco de acidente quando há problemas nas características técnicas do local ou o estado de conservação da barragem é ruim. Já o potencial de dano é medido pelo tamanho do estrago que pode ocorrer caso haja rompimento da estrutura, “graduado de acordo com as perdas de vidas humanas e impactos sociais, econômicos e ambientais”, explica a entidade.

As barragens com alto risco de acidente de MG estão localizadas nas cidades de Belo Horizonte, Brumadinho, Itabirito, Mariana, Ouro Preto e Rio Acima. Apenas outros três estados brasileiros têm barragens de minérios com o mesmo grau de risco. São três em Mato Grosso, duas no Pará e outras duas em Rondônia.

De acordo com o mapeamento da ANM, o risco de acidentes é médio em 54 barragens de rejeitos de minério do país. Nas outras 376, esse potencial é considerado baixo. Com relação aos danos que poderiam ocorrer caso houvesse acidentes nesses locais, a proporção se inverte. Em 223 barragens, ele é considerado alto. Em 142, médio, e em apenas 84, baixo.

O Cadastro Nacional de Barragens 2016, publicado em 2017 pela Agência Nacional de Mineração, mapeou 449 das 839 barragens de rejeitos de minério existentes no Brasil.

Barragem rompida em Brumadinho (MG) tinha baixo risco de acidentes

A Barragem I do Córrego do Feijão, que rompeu nesta sexta-feira (25) em Brumadinho (MG), servia à Mina Feijão, de propriedade da Vale. Em 2016, a ANM considerou baixo o risco de acidentes no local. Já o potencial de dano era alto. A barragem tinha 87 metros de altura e era utilizada para armazenar minério de ferro, segundo o relatório da ANM.

O Sistema Nacional de Informações sobre Seguranças de Barragens (SNISB), mantido pela Agência Nacional de Águas (ANA), atribui à estrutura que se rompeu nesta sexta-feira um “não classificado”, ou seja, não há avaliação sobre o risco de acidentes no local. O SNISB tem 3.583 barragens cadastradas – utilizadas para minérios e também para água. Destas, apenas 401 foram classificadas de acordo com o risco estrutural. Em 87 delas ele era alto.

Em nota, a Vale afirmou que a estrutura administrativa da mina foi atingida pelos rejeitos, “indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas.” Em boletim divulgado às 16h45min, o Corpo de Bombeiros de MG informou que aproximadamente 200 pessoas estavam desaparecidas na região atingida pela lama derivada da barragem rompida. Ainda não havia confirmação de mortos.

Editado por: Cristina Tardáguila

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo