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#Verificamos: Polícia Rodoviária Federal não prendeu terroristas por explodir barragem em Brumadinho

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.jan.2019 | 13h14 |

Um texto publicado no Facebook afirma que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu no último sábado (26) um venezuelano e um cubano suspeitos de terem explodido a barragem da Vale em Brumadinho (MG). O rompimento da estrutura, que ocorreu na sexta-feira (25), deixou mortos e desaparecidos. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários da rede social solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A Polícia Rodoviária Federal deteve nessa tarde, próximo à cidade de Itaguará, cerca de 68 km de Brumadinho, um venezuelano e um cubano. O carro em que viajam estava em alta velocidade, houve troca de tiros e um terceiro homem foi morto durante a perseguição”
Trecho de post que, até as 12 horas do dia 28 de janeiro de 2019, tinha sido compartilhado mais de 270 vezes no Facebook

FALSO

Além do post acima, pelo menos outras três cópias da mesma “notícia” circulavam na rede social e havia sido marcadas pelos usuários do Facebook como potencialmente falsas. Outra delas citava o WhatsApp como origem da mensagem e todas atribuíam a fonte ao Observatório da Direita Brasileira (ODB). A Lupa não localizou sites ou páginas do Facebook com esse nome, mas classifica como falso o conteúdo do texto analisado.

Por meio de uma nota oficial emitida no último sábado (26), a própria Polícia Rodoviária Federal já desmentiu esse boato. “Informamos que a Polícia Rodoviária Federal não registrou ocorrências envolvendo estrangeiros no estado de Minas Gerais ou quaisquer outras prisões que tenham relação com a tragédia em Brumadinho”.

A mensagem do Facebook cita ainda o nome dos dois supostos terroristas presos: Juan Pablo Mercês, ex-guerrilheiro das Farcs, que teria sete mandados de prisão na Colômbia; e Antonio Cabalero, “conhecido instrutor da Polícia Secreta do Governo Castro, condecorado com a Estrela Vermelha por sua atuação destacada em ações de sabotagem na guerra civil de Angola”. Não há na rede quaisquer referências aos dois “suspeitos” além do texto que circula no Facebook.

A mensagem também foi verificada pelos sites Boatos.org e E-farsas.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Cristina Tardáguila

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