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Foto: Carlos Magno, Fotos Públicas
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Em vídeo no Twitter, governador do RJ exagera dados sobre homicídios

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.jan.2019 | 18h53 |

Nas palavras do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o “Rio de Janeiro vai virar o jogo”. E foi esse o título que o ex-juiz escolheu para o artigo que publicou no último domingo (27) na Folha de S.Paulo. No texto, Witzel criticou políticas adotadas pelo Palácio Guanabara em gestões anteriores e afirmou que realizará mudanças para melhorar o RJ. Além disso, em suas redes sociais, o novo governador também divulgou um balanço de seus primeiros 20 dias de gestão. A Lupa acompanhou essas falas e verificou seu grau de veracidade. Veja a seguir o resultado:

“No ano de 2018, foram mais de 600 homicídios [nos primeiros 20 dias de governo]. No ano de 2017, também”
Wilson Witzel, governador do RJ, em seu Twitter no dia 25 de janeiro de 2019

EXAGERADO

Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), o índice de letalidade violenta – que soma homicídio doloso, morte por intervenção de agente do Estado, latrocínio (roubo seguido de morte) e lesão corporal seguida de morte – somou 654 em janeiro de 2018 e 603 no mesmo período de 2017. Mas esses dados se referem às mortes violentas ocorridas durante todo o mês e não apenas aos primeiros 20 dias de governo, como citado pelo governador Wilson Witzel. Em nota, o ISP informou ainda que não divulga relatórios parciais dos indicadores de segurança.

Procurada, a assessoria de Witzel informou que o governador se referia, de fato, ao número total de mortes nos meses de janeiro, e não apenas aos homicídios. 


“Os primeiros 20 dias de governo têm demonstrado que nós estamos no caminho certo. Os índices de criminalidade estão sendo absurdamente reduzidos”
Wilson Witzel, governador do RJ, em seu Twitter no dia 25 de janeiro de 2019

AINDA É CEDO PARA DIZER

O Instituto de Segurança Pública (ISP), que é responsável pela divulgação dos dados de criminalidade do Rio de Janeiro, ainda não divulgou nenhum dado oficial e público sobre 2019. Em seu Twitter, o governador também afirmou que, nos 20 primeiros dias de seu governo, o estado registrou 200 homicídios. Essa informação também não pode ser verificada pela Lupa, já que ainda não há dados oficiais do ISP sobre isso.

Procurada, a assessoria de Witzel informou que o governador acompanha “rotineiramente”, por meio dos secretários da Polícia Militar e da Polícia Civil, os resultados. “O governador tem às mãos, diariamente, os dados que permitem observar a tendência dos índices a serem divulgados pelo ISP”, diz a nota.


“Dados da Confederação Nacional da Indústria apontam que, entre 2006 e 2016, o estado perdeu sete pontos percentuais de participação no PIB industrial brasileiro, caindo de 15,6% para 8,6%”
Wilson Witzel, governador do RJ, em artigo divulgado na Folha de S.Paulo no dia 27 de janeiro de 2019

VERDADEIRO

Os dados citados pelo governador Wilson Witzel, de fato, estão presentes no levantamento Perfil da Indústria do Rio de Janeiro, mantido pela Confederação Nacional da Indústria. Segundo a entidade, em 2016, o PIB industrial do estado foi de R$ 98,8 bilhões, o que corresponde a 8,6% do PIB industrial brasileiro. Em 2006, a participação do PIB do RJ era maior: 15,6%. Sendo assim, a queda foi de sete pontos percentuais.  


“A renovação ocorre também na Alerj”
Wilson Witzel, governador do RJ, em artigo divulgado na Folha de S.Paulo no dia 27 de janeiro de 2019

VERDADEIRO

O Diário Oficial do Rio de Janeiro informa que, após as eleições de 2018, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) renovará 51% de seus deputados. São 36 eleitos pela primeira vez para a Alerj.

O partido que mais conseguiu eleger novos nomes foi o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, com 12 novos nomes. Em segundo lugar, aparece o DEM, com seis políticos que cumprirão mandatos de deputado estadual pela primeira vez.

Em 2018, mais mulheres conseguiram lugares na Alerj. Segundo o Diário Oficial, 12 mulheres vão exercer mandato na Casa. Anteriormente, eram nove deputadas.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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AINDA É CEDO PARA DIZER
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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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