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Foto: GovESP
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Em entrevista a rádio de Sorocaba, Doria erra ao falar de delegacias da mulher em SP e no Brasil

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.fev.2019 | 07h05 |

O governador de São Paulo, João Doria, inaugurou na última terça-feira (30) o atendimento 24 horas na Delegacia de Defesa da Mulher de Sorocaba. É a segunda unidade a ter o serviço ampliado no estado. Em entrevista à rádio Cruzeiro FM, ele destacou ações que têm sido tomadas na área de segurança pública e citou algumas iniciativas das primeiras semanas de mandato. A Lupa verificou frases ditas pelo governador. Veja, a seguir, o resultado:

“Há quase uma década que nós só temos uma delegacia da mulher funcionando 24 horas por dia [em São Paulo]”
João Doria, governador de São Paulo, em entrevista à rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, em 30 de janeiro

FALSO

A primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) com funcionamento 24 horas nos sete dias da semana de São Paulo funciona desde 22 de agosto de 2016. A ampliação do serviço ocorreu, portanto, há cerca de dois anos e meio – e não “há quase uma década”, como disse Doria.

A unidade que teve o horário de atendimento ampliado foi a primeira DDM criada no país, que fica no centro da capital paulista. A inauguração do serviço de atendimento 24 horas foi feita pelo então governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

Procurado, Doria não retornou.


“Não há delegacias da mulher 24 horas no Brasil”
João Doria, governador de São Paulo, em entrevista à rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, em 30 de janeiro

FALSO

Além de São Paulo, pelo menos outros sete estados brasileiros têm delegacias de defesa da mulher com funcionamento 24 horas: Pará, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo. O horário ampliado de atendimento foi confirmado à Lupa, por telefone, por funcionários dessas unidades e, no caso do Rio de Janeiro, pela assessoria de imprensa da Polícia Civil.

Procurado, Doria não retornou.


“No Rio de Janeiro tem uma só (…) delegacia [da mulher]”
João Doria, governador de São Paulo, em entrevista à rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, em 30 de janeiro

FALSO

O estado do Rio de Janeiro conta com 14 Delegacias de Atendimento à Mulher (Deams), vinculadas à Polícia Civil. Três delas ficam na capital (Campo Grande, centro e Jacarepaguá), enquanto as outras se espalham pela Baixada Fluminense (Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti), Grande Rio (Niterói e São Gonçalo) e por outras regiões do estado (Angra dos Reis, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Nova Friburgo e Volta Redonda).

Por telefone, a assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que todas as unidades têm atendimento 24 horas.

Procurado, Doria não retornou.


“São Paulo (…) tem 133 delegacias da mulher”
João Doria, governador de São Paulo, em entrevista à rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, em 30 de janeiro

VERDADEIRO

São Paulo foi o primeiro estado brasileiro a ter uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em 1985, criada pelo então secretário estadual de Segurança Pública, Michel Temer. Hoje existem, de fato, 133 unidades – nove delas, na capital. As restantes estão localizadas em 124 municípios em diferentes regiões, como Campinas, Santos, Sorocaba, Presidente Prudente e Ribeirão Preto.


“[As empresas com que falamos em Davos anunciaram] Investimentos de R$ 9 bilhões nos próximos 30 meses [em São Paulo]”
João Doria, governador de São Paulo, em entrevista à rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, em 30 de janeiro

AINDA É CEDO PARA DIZER

Doria esteve recentemente no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e anunciou, pelas suas redes sociais, que várias empresas se interessaram em investir em São Paulo. Propostas como a que foi feita pelo grupo Royal Golden Eagle – que quer investir R$ 7 bilhões no interior do estado –, no entanto, ainda estão em negociação. Ou seja, ainda não há contratos firmados com qualquer empresa como resultado da ida do governador a Davos.

Editado por: Natália Leal

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EXAGERADO
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A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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