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Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Chuva no RJ: Crivella diz que ‘às 19h, lançamos SMS avisando que haveria tempestade.’ Será?

por Chico Marés e Nathália Afonso
07.fev.2019 | 14h30 |

Esta publicação foi corrigida às 14h48 do dia 8 de Fevereiro de 2019. Veja abaixo.

Tempestade com ventos de mais de 100 km/h deixou ao menos seis mortos no Estado do Rio de Janeiro na noite da última quarta-feira (6). O prefeito Marcelo Crivella (PRB) e demais autoridades têm dado sucessivas declarações sobre o assunto. A Lupa acompanha o caso e, ao longo das próximas horas, poderá atualizar esta página com novas checagens sobre as chuvas que marcaram a última madrugada no Rio de Janeiro.

“Nós, às 19h, às 18h, lançamos SMS para quase toda a cidade avisando que haveria uma tempestade”
Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao Bom Dia Rio no dia 7 de fevereiro de 2019

FALSO

Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública, dois SMS – mensagens de texto – foram disparados pela Defesa Civil do Rio de Janeiro na noite da quarta-feira (6) para avisar sobre a chuva. Mas a primeira mensagem só foi encaminhada às 20h27 – horário diferente do informado pelo prefeito Marcelo Crivella no programa de TV. Essa mensagem informava aos cariocas sobre a proximidade da chuva. O segundo SMS saiu às 21h13, comunicando sobre a possibilidade de chuvas mais fortes.

Desde o início do dia, o Centro de Operações Rio (COR) informou, via Twitter, sobre a possibilidade de chuva forte à noite. Às 17h15, um boletim indicava previsão de chuva moderada a forte na cidade nas horas seguintes. Das 18h às 19h05, os registros davam conta apenas de chuva fraca e moderada em diferentes pontos da cidade. A partir das 19h58, o COR passou a informar sobre os estragos e problemas que a chuva ocasionava na capital fluminense, principalmente nas zonas Oeste e Sul.

O Rio entrou em estágio de crise somente às 22h15, o que foi informado pelo Centro de Operações Rio.

Procurada, a assessoria do prefeito disse que Crivella já havia se posicionado por meio de suas secretarias.


“Estamos fazendo uma operação de limpa bueiros há três meses”
Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao Bom Dia Rio no dia 07 de fevereiro de 2019

VERDADEIRO

Segundo a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), em outubro de 2018, o programa Ralo Limpo realizou vistorias de bueiros na cidade, identificando os pontos mais críticos. Desde novembro, 3.986 ralos foram limpos em 11 bairros: Laranjeiras, Botafogo, Lagoa, Gávea, Centro Histórico, Tijuca, Vila Isabel, Grajaú, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes.

Além disso, em 8 de janeiro, a prefeitura lançou o programa Cuidar da Cidade, que tem como objetivos limpar bueiros, tapar buracos, cortar árvores, trocar lâmpadas e fazer outras manutenções das ruas. Até o momento, as ações aconteceram nos bairros de Rocha Miranda, Leblon, Vila Valqueire e Santa Cruz.

A prefeitura do Rio também adquiriu, em dezembro do ano passado, um sistema inteligente, com 1,2 mil bueiros que identificam quando os resíduos sólidos podem obstruir os canais de drenagem, uma das principais causas de alagamento na cidade. O sistema custou R$ 1,4 milhão.

Segundo a prefeitura, os Bueiros Inteligentes estão em “fase de testes” e dependem apenas das empresas para redimensionar a tecnologia adequada para o tamanho dos bueiros da cidade. Os primeiros bairros a receber o sistema serão Lagoa, Centro, Tijuca e Barra da Tijuca.

Correção feita às 14h50 do dia 8 de fevereiro de 2019: procurada na tarde de quinta-feira (7), a Seconserma não informou as ações do programa Ralo Limpo. A prefeitura do Rio afirmou que não havia programas em andamento além do Cuidar da Cidade e da aquisição dos Bueiros Inteligentes. Nesta sexta-feira, a Seconserma detalhou as ações do programa Ralo Limpo, que, de fato, promoveu limpeza de bueiros na cidade desde novembro. Assim, a etiqueta desta checagem foi modificado de exagerado para verdadeiro. O texto original já foi corrigido.

(O site da Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente do Rio mostra que o prefeito Marcelo Crivella lançou um projeto que visava, entre outros serviços, a limpar bueiros. Contudo, esse programa começou no dia 8 de janeiro de 2019, ou seja, há menos de um mês. A prefeitura informou, em nota, que, além da compra dos Bueiros Inteligentes – ocorrida em dezembro de 2018 -, não houve nenhuma outra operação especial para a limpeza de bueiros da cidade.  

O programa Cuidar da Cidade tinha como objetivos tapar buracos, cortar árvores, trocar lâmpadas e fazer outras manutenções das ruas. Até o momento, as ações aconteceram nos bairros de Rocha Miranda, Leblon, Vila Valqueire e Santa Cruz.

Em dezembro do ano passado, a cidade do Rio adquiriu um sistema inteligente, com 1,2 mil bueiros que identificam quando os resíduos sólidos podem obstruir os canais de drenagem, uma das principais causas de alagamento na cidade. O sistema custou R$ 1,4 milhão.

Segundo a prefeitura, os Bueiros Inteligentes estão em “fase de testes” e dependem apenas das empresas para redimensionar a tecnologia adequada para o tamanho dos bueiros da cidade. Os primeiros bairros a receber o sistema serão Lagoa, Centro, Tijuca e Barra da Tijuca.

Procurada, a assessoria do prefeito disse que Crivella já havia se posicionado por meio de suas secretarias.)


“Nós estamos com 600 homens nas ruas”
Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao Bom Dia Rio no dia 7 de fevereiro de 2019

CONTRADITÓRIO

Em entrevista concedida ao Bom Dia Rio às 6h11, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, informou que 600 homens estavam nas ruas para controlar os danos que tinham ocorrido na cidade por conta da forte chuva da quarta-feira (6). Às 9h09, o prefeito concedeu uma outra entrevista e comunicou que 300 homens estavam nas ruas – a metade do primeiro número que havia citado.

Em nota emitida às 13h, a Prefeitura do Rio informou que 2 mil “funcionários de diversos órgãos da administração municipal” atuavam nas ruas desde a noite de quarta-feira “para reduzir os impactos do temporal que atingiu a cidade”.

Procurada, a assessoria do prefeito disse que Crivella já havia se posicionado por meio de suas secretarias.


“Em duas horas, choveu o que deveria chover [em] um mês inteiro”
Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao Bom Dia Rio no dia 7 de fevereiro de 2019

VERDADEIRO, MAS

Segundo dados fornecidos pela Somar Meteorologia, em alguns pontos da cidade do Rio de Janeiro a chuva, de fato, superou a média histórica do mês de fevereiro. Mas isso não ocorreu em todos os locais onde há esse monitoramento.

De acordo com a Somar, a média histórica de precipitação no Rio de Janeiro para todo o mês de fevereiro é de 137,1 milímetros. De 33 estações verificadas, quatro mostraram números mais altos do que isso: Rocinha (165,6 mm), Vidigal (162,6 mm), Barra/Barrinha (143,2 mm) e Alto da Boa Vista (141,6 mm).

*A Lupa monitora as afirmações das autoridades fluminenses sobre a chuva que caiu no Rio de Janeiro ao longo das próximas horas. Esta checagem poderá ser atualizada.

Veja a seguir as notícias falsas que flagramos nas redes sociais:

#Verificamos: Vídeo de mulher jogando lixo na rua não foi gravado durante a chuva no RJ

 

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
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