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Foto: Antônio Cruz, Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz, Agência Brasil

Ministro da Defesa, general Azevedo e Silva exagera sobre venezuelanos no Brasil

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.fev.2019 | 08h00 |

Em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, na GloboNews, Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa do governo Jair Bolsonaro, comentou a situação dos venezuelanos que chegam ao Brasil. O general da reserva também falou sobre o quanto o governo brasileiro gasta com as Forças Armadas e  destacou a atuação brasileira na Missão de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), no Haiti. A Lupa selecionou algumas frases do ministro e checou o grau de veracidade delas. Veja o resultado:

“É um fluxo de 500 a 700 venezuelanos por dia [chegando] em Pacaraima e Boa Vista”
Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, em entrevista a Roberto D’Avila na GloboNews, no dia 8 de fevereiro de 2019

EXAGERADO

De acordo com os dados mais recentes da Polícia Federal, divulgados em novembro do ano passado, 199.365 cidadãos venezuelanos entraram no Brasil por Pacaraima (RR) no período entre janeiro de 2017 e novembro de 2018. Isso representa um fluxo de entrada de 285 pessoas por dia – cerca de metade do menor número citado pelo ministro.

Parte dessas pessoas, no entanto, deixa o Brasil. De janeiro de 2017 até o final de novembro de 2018, cerca de 100 mil venezuelanos que chegaram a Roraima decidiram sair do Brasil. Desse total, 10 mil deixaram o país em outubro e novembro do ano passado – uma média de 163 por dia.

Procurado, o ministro não retornou.


“Já levamos para o interior do Brasil cerca de 4,8 mil venezuelanos”
Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, em entrevista a Roberto D’Avila na GloboNews, no dia 8 de fevereiro de 2019

EXAGERADO

A Operação Acolhida havia levado 4,3 mil venezuelanos de Roraima para outras regiões do Brasil até o dia 5 de fevereiro deste ano. O número citado pelo ministro é 10,4% maior do que o que o informado pela assessoria de imprensa da Operação Acolhida, em nota publicada na página do Exército.O processo é voluntário e encaminha para outros estados os venezuelanos que chegam a Roraima e desejam permanecer no Brasil.

Procurado, o ministro não retornou.


“Todas as pesquisas dão mais de 80% [de confiança da população nos militares]”
Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, em entrevista a Roberto D’Avila na GloboNews, no dia 8 de fevereiro de 2019

EXAGERADO

Há duas instituições no Brasil com pesquisas recentes sobre o grau de confiabilidade da população nas Forças Armadas. Em julho de 2018, 78% dos entrevistados pelo instituto Datafolha disseram confiar nos militares –  37% disseram ter muita confiança e 41% declararam ter um pouco de confiança. Esse foi o menor índice entre os três levantamentos mais recentes. Em abril de 2018, 81% dos que foram ouvidos disseram confiar muito ou um pouco nas Forças Armadas. Em junho de 2017, o índice chegava a 83%.

Já o Índice de Confiança na Justiça no Brasil (ICJBrasil), elaborado pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra um percentual menor. A última edição teve os dados coletados no primeiro semestre de 2017. Na época, 56% da população disse confiar ou confiar muito nos militares. Houve queda de 12 pontos porcentuais na comparação com o ICJBrasil de 2014.

Procurado, o ministro não retornou.


“No contexto (…) sul-americano, nós somos a sexta ou a sétima [nação em percentual do PIB destinado às Forças Armadas]”
Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, em entrevista a Roberto D’Avila na GloboNews, no dia 8 de fevereiro de 2019

VERDADEIRO

O Instituto Internacional de Pesquisa de Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês), na Suécia, mantém uma base de dados com informações sobre os gastos militares de todos os países do mundo, de 1949 a 2017. Se for analisado o percentual de despesas com as Forças Armadas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil – que destinou 1,4% para essa finalidade em 2017 – ficou atrás de outros cinco países da América do Sul: Colômbia (3,1%), Equador (2,4%), Uruguai (2,1%), Chile (1,9%) e Bolívia (1,8%).

O total gasto pelo Brasil com sua defesa, em números absolutos, coloca o país na 11ª posição entre 174 nações. Em 2017, foram destinados US$ 29,2 bilhões para essa área, em valores da época. Nas Américas, esse total foi ultrapassado apenas pelos Estados Unidos, que lidera as despesas no planeta, com US$ 609,7 bilhões. O Brasil também foi superado por China (US$ 228,2 bilhões), Arábia Saudita (US$ 69,4 bilhões), Rússia (US$ 66,3 bilhões), Índia (US$ 63,9 bilhões), França (US$ 57,7 bilhões), Reino Unido (US$ 47,1 bilhões), Japão (US$ 45,3 bilhões), Alemanha (US$ 44,3 bilhões) e Coreia do Sul (US$ 39,1 bilhões).


“Nos abrigos nossos [da Operação Acolhida, na fronteira com a Venezuela] (…) nós já temos 5,8 mil venezuelanos”
Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, em entrevista a Roberto D’Avila na GloboNews, no dia 8 de fevereiro de 2019

VERDADEIRO

Dados da Operação Acolhida divulgados pela Casa Civil mostram que o número de venezuelanos atendidos em abrigos no Brasil chegou a 5.723 em novembro de 2018. Essas pessoas ocupavam 13 unidades de acolhimento. Em março, eram 1.348 venezuelanos e havia três locais em que podiam permanecer. Em oito meses, houve um aumento de 324,5% na quantidade de pessoas atendidas pela operação.

Editado por: Natália Leal

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