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Presidente clonado? Eleições na Nigéria mostram que não há limites para notícias falsas

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.fev.2019 | 16h18 |

 

“Eu garanto a todos vocês que este aqui sou eu. De verdade”. Esse é o tuíte que o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, fixou no alto de seu perfil, depois que uma onda de notícias falsas espalhou que ele havia sido clonado. Ele mesmo, não seu perfil no Twitter. No próximo sábado (23), a Nigéria realiza eleições gerais, e Buhari tenta permanecer no posto. Disputa o cargo com nada menos do que 72 candidatos – em mais uma nação afogada no mar das fake news.

Inicialmente marcado para 16 de fevereiro, o pleito eleitoral precisou ser adiado no último sábado, a poucas horas da abertura das zonas eleitorais, após algumas delas serem incendiadas. A decisão foi tomada depois que circulou a informação de que muitos estados não haviam recebido as cédulas eleitorais e da certeza de que isso poderia colocar em xeque a lisura de toda a eleição.

Como não bastasse, ao menos 15 pessoas morreram ao longo da campanha. Foram pisoteadas por uma multidão incontrolável que tentava sair de um estádio lotado onde Buhari fez seu último comício. Um horror. E assim a Nigéria chega à semana em que decide seu futuro político: com ingredientes suficientes para infinitas trocas de acusações, toneladas de ódio virtual e muitas, muitas notícias falsas.

Ah! E imagens também. Viralizou nas redes, por exemplo, um tuíte maldoso feito por uma assessora do presidente Buhari em que se via uma foto com máquinas assentando uma nova estrada. O texto postado por Lauretta Onochie informava que se tratava de uma nova rodovia construída no país pelo atual presidente. Falso! A imagem, na verdade, havia sido feita em Ruanda – e a assessora presidencial precisou pedir desculpas públicas pela postagem. Prometeu, inclusive, não voltar a agir assim.

Repetindo o que aconteceu no Brasil e na França, onde uma coalizão de meios de comunicação se uniu para enfrentar as notícias falsas durante as últimas eleições presidenciais, na Nigéria surgiu o CrossCheckNigeria. São cerca de 20 redações que trabalham de forma colaborativa para flagrar mentiras que ganham força nas redes sociais e podem interferir na votação. Entre os participantes desse grupo estão o Africa Check, membro da International Fact-checking Network (IFCN), a AFP e o Nigerian Tribune.

Há alguns dias, o grupo classificou como falsa a informação de que a chanceler alemã, Angela Merkel, havia declarado apoio ao presidente Buhari. Os checadores não encontraram evidência de que Merkel tivesse dito que “a democracia sob o governo de Buhari é uma das melhores do mundo”. O CrossCheckNigeria também não viu apoio do presidente americano, Donald Trump, à oposição nigeriana. Classificou uma foto que viralizava como fora de contexto. Havia sido feita anos atrás.

E o WhatsApp? Bem… o aplicativo de mensagens apostou numa campanha de rádio e TV. Aos moldes do que fez na Índia, levou para a África o slogan “Share joy, not rumors” (compartilhe alegrias, não rumores). Ao menos um avanço em relação ao doloroso silêncio que vimos aqui no Brasil nas eleições de 2018.

Editado por: Natália Leal

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