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#Verificamos: É falso que orçamento federal para publicidade seja de apenas R$ 150 milhões para 2019

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.mar.2019 | 14h58 |

Circula nas redes sociais gráfico que “informa” que, entre 2000 e 2016, o governo gastou mais de R$ 30 bilhões com publicidade – e que o orçamento para este ano é de somente R$ 150 milhões. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Valores gastos com publicidade nos governos de FHC (em azul [R$ 4,8 bi]), do PT (em vermelho [R$ 29,7 bi]) (…)”
Texto que acompanha gráfico publicado no Facebook, que, até as 18h30 do dia 14 de março, contava com pelo menos 70 compartilhamentos

VERDADEIRO, MAS

Os números citados para os anos de PSDB e PT são reais. Como o gráfico indica, os números são do Instituto de Acompanhamento da Publicidade (IAP), entidade paraestatal que monitorava os gastos com publicidade do governo federal até março de 2017. São considerados todos os gastos do governo federal, incluindo a administração indireta (empresas estatais, autarquias, fundações, etc). Vale pontuar, entretanto, que o próprio gráfico mostra apenas os três últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O jornalista Fernando Rodrigues monitorava, via Lei de Acesso à Informação, e publicava periodicamente esses dados, primeiro em seu blog no UOL e, posteriormente, em seu site, Poder360.

Segundo a última edição do levantamento, do início de 2017, o governo federal gastou R$ 29,7 bilhões entre 2003 e 2016 (que corresponde às gestões petistas e aos primeiros meses do governo de Michel Temer). Entre 2000 e 2002, três últimos anos de Fernando Henrique, os gastos foram de R$ 4,9 bilhões. Isso representa uma média anual de R$ 2,1 bilhões na era petista e de R$ 1,6 bilhão no final da era tucana.

Os valores foram corrigidos pela inflação, usando o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), com referência a dezembro de 2016.

Criado em 1999, o IAP teve suas atividades encerradas em março de 2017. Desde aquele ano, não há uma entidade que realize o monitoramento das despesas do governo com publicidade. Segundo o Poder360, o custo anual do instituto era de R$ 1,4 milhão, menos de 0,1% do total gasto pelo governo com propaganda em 2016.


“(…) Valor orçado para ser gasto esse ano no governo do Bolsonaro (em verde [R$ 150 milhões])”
Texto que acompanha gráfico publicado no Facebook, que, até as 18h30 do dia 14 de março, contava com pelo menos 70 compartilhamentos

FALSO

Segundo o Siga Brasil, portal de dados orçamentários do Senado Federal, o valor orçado para 2019 em publicidade institucional do governo federal é de R$ 478,4 milhões – mais do que o triplo citado no gráfico analisado pela Lupa.

Esse valor se refere somente à administração direta, ou seja, não estão sendo consideradas as empresas públicas, autarquias, fundações, etc – cujos gastos com propaganda não estão no orçamento geral da União. Portanto, o valor não pode ser comparado com os dados citados na checagem acima.

De acordo com o Siga, a administração direta gastou R$ 8,2 bilhões entre 2003 e 2018, em valores corrigidos pelo IPCA. Isso representa uma média de R$ 513,8 milhões ao ano. Ou seja, o valor orçado para 2019 é apenas ligeiramente menor do que o gasto médio anual de governos anteriores. Em comparação com os gastos do ano passado (R$ 423,9 milhões), a previsão é de um crescimento de 12,4%.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Nathália Afonso e Maurício Moraes

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
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A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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