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#Verificamos: É falso que Moro tenha afastado promotor que investigava Flávio Bolsonaro e delegado do caso Marielle

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.mar.2019 | 07h08 |

Circula nas redes sociais a “informação” de que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, teria afastado o promotor Cláudio Calo das investigações relativas às movimentações financeiras suspeitas observadas tanto nas contas do senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) quanto de seu ex-assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz. Ainda de acordo com a mesma “notícia”, Moro também teria retirado o delegado Giniton Lages das investigações referentes ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), morta a tiros, no centro da capital fluminense, em março de 2018. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Moro afasta promotor que investigava Flávio Bolsonaro (…)”
Texto que, até as 12h do dia 19 de março, já tinha sido compartilhado mais de 350 vezes no Facebook

FALSO

A primeira parte da informação que consta na imagem analisada pela Lupa é falsa. Por lei, o Ministério Público é um órgão independente do Poder Executivo. Isso significa que o ministro Sérgio Moro não tem a prerrogativa de decidir pelo afastamento de qualquer promotor ou procurador – seja no estado do Rio de Janeiro ou em qualquer outra unidade da federação.

No dia 4 de fevereiro deste ano, o promotor Cláudio Calo, da 24ª Promotoria de Investigação Penal (PIP) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), foi designado para investigar as movimentações financeiras do senador, ex-deputado estadual e também filho do presidente Jair Bolsonaro, assim como as de seu ex-assessor parlamentar.

No mesmo dia, no entanto, reportagem da revista Veja mostrou que Calo interagia com integrantes da família Bolsonaro nas redes sociais. Ele chegou até a postar no Twitter um comentário sobre o caso Flávio, que investigaria. Na rede social, escreveu o seguinte: “O fato de haver fracionamento de depósitos bancários e em dinheiro gera suspeitas, mas, por si, não é crime de lavagem, pois pode a origem do dinheiro ser lícita”, escreveu o promotor.

Um dia depois da publicação da Veja, Calo pediu afastamento do caso. Disse que havia se encontrado meses antes com o senador Flávio Bolsonaro para debater, segundo ele próprio, “questões relacionadas com a segurança pública”. E acabou sendo substituído – por determinação do próprio MP-RJ – pelo promotor Luís Otávio Figueira Lopes, da 25ª PIP.


“(…) Agora [Moro] afasta delegado que investigou assassinos de Marielle”
Texto que, até as 12h do dia 19 de março, já tinha sido compartilhado mais de 350 vezes no Facebook

FALSO

Assim como afirmado anteriormente, o Ministério da Justiça também não tem qualquer ingerência sobre a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ela está subordinada ao governo do Estado do RJ. Por conta disso, o atual ministro, o ex-juiz Sérgio Moro, também não tem, por lei, qualquer prerrogativa para solicitar o afastamento de um delegado de um determinado caso.

Giniton Lages, que investigou os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, foi afastado do caso em 13 de março deste ano, no dia seguinte da operação que prendeu os principais suspeitos do crime – o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Quadros.

O anúncio de seu afastamento foi feito pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que disse que Giniton fará um intercâmbio na Itália. Segundo Witzel, o intercâmbio foi um “prêmio” pelo trabalho realizado na investigação.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Cristina Tardáguila

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