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#Verificamos: Imagem de ossadas em vala clandestina não é do Brasil, e sim da Argentina

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.mar.2019 | 17h38 |

Circula nas redes sociais uma imagem que mostra homens escavando um local onde há esqueletos humanos. A publicação afirma que se trata de ossadas que teriam sido enterradas durante a ditadura militar brasileira. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:


“Em São Paulo, arqueólogos escavaram a Vala de Perus que foi utilizada para descartar corpos durante a ditadura militar, foram mais de 1.000 ossadas encontradas. Se vc acha que há razões para comemorar essa data, procure um psicólogo!”
Imagem que até às 16h40 do dia 27 de março de 2019 já tinha mais de 3,6 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

A imagem verificada pela Lupa não é da “vala de Perus”, mas sim de uma escavação feita na região de San Vicente, Córdoba, na Argentina. Assim, não se refere à ditadura militar brasileira. A escavação registrada na foto, feita pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), iniciou em 2002. Um jornal argentino apontou que 135 cadáveres foram retirados da vala clandestina em 2003. Desses, 60 mostravam “traços de mortes violentas”, o que, segundo a publicação, poderia indicar que as mortes ocorreram durante o período da ditadura militar argentina.      

A chamada vala de Perus, citada na publicação, fica no cemitério Dom Bosco, em Perus, bairro da zona norte de São Paulo. O local foi descoberto em 1990, quando 1.049 ossadas não-identificadas foram retiradas de uma vala clandestina. O cemitério foi inaugurado em 1971 e, segundo registros, recebia corpos de indigentes e pessoas não-identificadas. Quatro ossadas retiradas da vala de Perus foram identificadas por um grupo de trabalho comandado pela Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos. A mais recente é de Dimas Antonio Casemiro, identificada em dezembro de 2018. Ele desapareceu em 1971.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notíciasno Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Natália Leal e Maurício Moraes

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