A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Jean Wyllys erra sobre postura de Bolsonaro após tragédias em Brumadinho e no CT do Flamengo

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.abr.2019 | 07h00 |

O ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) falou sobre as ameaças de morte que recebeu em entrevista ao programa Conversa com Bial, da Rede Globo. Ele desistiu do terceiro mandato na Câmara, que começaria este ano, e mudou-se para Berlim, na Alemanha. Wyllys fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) e à atuação do presidente quando era deputado federal. Falou ainda sobre a sua trajetória, que começou no Big Brother Brasil, e da sua luta contra a homofobia. A Lupa checou algumas das frases ditas por ele. Veja o resultado:

“Se [Bolsonaro], em vez de prestar solidariedade às vítimas de Brumadinho, [se dedica a tuitar]…”
Jean Wyllys, ex-deputado federal, em entrevista concedida ao programa Conversa com Bial no dia 12 de abril de 2019

FALSO

O presidente Jair Bolsonaro falou sobre o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), no próprio dia 25 de janeiro de 2019, quando ocorreu o desastre. Em pronunciamento a jornalistas, anunciou que o governo federal havia determinado que tropas da 4ª Brigada de Infantaria, de Juiz de Fora, se deslocassem para a região. Também falou que havia convocado ministros para que fossem ao local e criassem um gabinete de crise. Prometeu sobrevoar a área no dia seguinte, o que ocorreu. “Vamos tomar todas as medidas cabíveis para minorar o sofrimento de familiares e possíveis vítimas, bem como a questão ambiental”, disse. Foi gravado também um pronunciamento oficial, onde as mesmas medidas foram anunciadas.

No Twitter, o presidente reproduziu o vídeo com sua fala para os jornalistas no dia 25 de janeiro. Também publicou uma mensagem de solidariedade aos atingidos: “Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia.” Após sobrevoar a região, tuitou novamente: “Difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar. Faremos o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente.”

Procurado para comentar, Jean Wyllys afirmou que “fora declarações protocolares ou notas de imprensa, não houve o menor interesse do desgoverno Bolsonaro em colocar em prática, por exemplo, alguma política pública para impedir que tragédias como essas voltem a acontecer.” O ex-deputado também disse que “também não há planos para outros problemas sérios e urgentes, enquanto o presidente está no Twitter falando de golden shower, lutando contra um “comunismo” inexistente ou contra uma “ideologia de gênero” que também não existe. É nessas questões que o presidente realmente se envolve e coloca toda a energia. Não há declaração de protocolo ou nota de imprensa que substitua essa carência de política pública enquanto o que é priorizado são absurdos irrelevantes ou até inexistentes.”


“[Se Bolsonaro, em vez] de prestar solidariedade às mães das crianças que morreram no Flamengo, no clube do Flamengo [se dedica a tuitar]…”
Jean Wyllys, ex-deputado federal, em entrevista concedida ao programa Conversa com Bial no dia 12 de abril de 2019

FALSO

Bolsonaro prestou solidariedade aos familiares das crianças que morreram no incêndio no centro de treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, em 8 de fevereiro de 2019. No dia da tragédia, ele reproduziu em sua conta no Twitter uma nota elaborada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, acompanhada de uma mensagem: “Nota da Presidência da República, via Secretaria Especial de Comunicação, sobre o incêndio no Ninho do Urubu. Que Deus conforte seus familiares!”

O texto da nota lamenta o incidente: “Nesta manhã, tomamos conhecimento da triste tragédia ocorrida no Centro de Treinamento do Flamengo, vitimando jovens vidas que iniciavam sua caminhada rumo à realização de seus sonhos profissionais. Consternado, o presidente da República se solidariza com a dor dos familiares neste momento de luto”.

Procurado para comentar, Jean Wyllys afirmou que “fora declarações protocolares ou notas de imprensa, não houve o menor interesse do desgoverno Bolsonaro em colocar em prática, por exemplo, alguma política pública para impedir que tragédias como essas voltem a acontecer.” O ex-deputado também disse que “também não há planos para outros problemas sérios e urgentes, enquanto o presidente está no Twitter falando de golden shower, lutando contra um “comunismo” inexistente ou contra uma “ideologia de gênero” que também não existe. É nessas questões que o presidente realmente se envolve e coloca toda a energia. Não há declaração de protocolo ou nota de imprensa que substitua essa carência de política pública enquanto o que é priorizado são absurdos irrelevantes ou até inexistentes.”


“[Bolsonaro] não participou de debate eleitoral, que não foi a nenhum debate eleitoral”
Jean Wyllys, ex-deputado federal, em entrevista concedida ao programa Conversa com Bial no dia 12 de abril de 2019

EXAGERADO

Durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro participou de dois debates antes do 1º turno. O primeiro deles, realizado pela Band no dia 9 de agosto de 2018, teve mediação do jornalista Ricardo Boechat e contou com oito candidatos: Álvaro Dias (Podemos),  Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede). O segundo, com os mesmos candidatos, foi exibido em 17 de agosto, organizado pela revista IstoÉ e pela RedeTV! e mediado pelos jornalistas Boris Casoy, Mariana Godoy e Amanda Klein.

Houve outros quatro debates antes do 1º turno da eleição em 2018, todos depois do atentado sofrido por Bolsonaro, no dia 6 de setembro. Por isso, o então candidato do PSL não participou de nenhum deles. Os encontros foram promovidos por TV Gazeta (9 de setembro), SBT, UOL e Folha de S.Paulo (26 de setembro), Record (30 de setembro) e Globo (4 de outubro).

Bolsonaro também não participou dos debates no 2º turno com o candidato Fernando Haddad (PT). Ele voltou a alegar que seguia recomendações médicas, por conta do atentado sofrido.

Procurado para comentar, Jean Wyllys disse, por e-mail, que “o candidato Bolsonaro fugiu do debate com Fernando Haddad no primeiro e no segundo turno. (…) porque sabia que não tinha condições.” O ex-deputado também afirmou que o atual presidente não apresentou propostas concretas e que baseou sua campanha em “fake news e na difamação subterrânea contra seus adversários.”


“Eu nunca apresentei projeto de lei para obrigar adolescente a mudar de sexo. Apresentei uma lei de identidade de gênero baseada na lei argentina”
Jean Wyllys, ex-deputado federal, em entrevista concedida ao programa Conversa com Bial no dia 12 de abril de 2019

VERDADEIRO

Em 2013, Jean Wyllys e a deputada federal Érika Kokay (PT-DF) apresentaram o projeto de lei 5.012, chamado de Lei de Identidade de Gênero. Na justificativa da proposta, os autores afirmam que se basearam em uma lei argentina. A iniciativa procurava garantir que todas as pessoas tivessem a sua identidade de gênero reconhecida e que fossem tratadas de acordo com a maneira com que se identificassem.

Também garantia que esse direito poderia envolver modificações na aparência ou função corporal e que as pessoas poderiam trocar o nome e o sexo registrados. Menores de 18 anos só poderiam fazer isso com autorização dos pais ou poderiam recorrer à Defensoria Pública, se o consentimento fosse negado. O projeto foi arquivado em 31 de janeiro deste ano.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo