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Índices de segurança, dívida e déficit prisional: erros de Wilson Witzel sobre o RJ

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.maio.2019 | 15h00 |

Na última sexta-feira (10), o governador Wilson Witzel concedeu uma entrevista à GloboNews. Questionado sobre as contas do Rio de Janeiro, ele errou ao falar sobre a dívida do Estado. A Lupa acompanhou também as falas de Witzel sobre segurança pública na Câmara dos Deputados e ao programa Jornal do Rio, da Band. Ao comentar sua intenção de construir um presídio vertical, o governador errou dados sobre o sistema carcerário fluminense. Veja:

“No estado do Rio de Janeiro, (…) [os] homicídios dolosos (…) caíram pelo terceiro mês consecutivo”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em sessão no plenário da Câmara dos Deputados no dia 9 de maio de 2019

FALSO

Os dados do  Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que os números de homicídios dolosos não caíram por três meses consecutivos em 2019. Em janeiro deste ano foram registrados 386 casos deste tipo no estado do Rio de Janeiro. O número é 10,3% maior do que o do mês de dezembro, quando houve 346 assassinatos no RJ. Em fevereiro, houve queda: foram 319 assassinatos no estado – 17% a menos do que em janeiro. Mas, em março, último dado divulgado pelo ISP, o índice de homicídios dolosos voltou a subir. Foram 344 casos – uma alta de 7,8% com relação ao mês anterior.

Procurada para comentar, a assessoria do governador não respondeu.


“No estado do Rio de Janeiro, os números de (…) letalidade violenta caíram pelo terceiro mês consecutivo”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em sessão no plenário da Câmara dos Deputados no dia 9 de maio de 2019

FALSO

Segundo os dados do Instituto de Segurança Pública, os número de letalidade violenta também não diminuíram pelo terceiro mês consecutivo. Em dezembro do ano passado, foram 452 casos no Rio de Janeiro. O número subiu 24,5% em janeiro, chegando a 563 registros de letalidade violenta no estado. Em fevereiro, houve queda: 476 casos, o que equivale a uma redução de 15% com relação a janeiro. Mas em março o número de casos voltou a subir, atingindo 489 registros – alta de 2,7%. A letalidade violenta é a soma dos números de vítimas de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e autos de resistência (mortes em decorrência de ação policial). O indicador é um dos três considerados estratégicos para as ações contra criminalidade do Instituto de Segurança Pública.

Procurada para comentar, a assessoria do governador não respondeu.


“Em março deste ano, foram registradas 344 vítimas de homicídio doloso, uma redução de 32% em relação a março de 2018”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em sessão no plenário da Câmara dos Deputados no dia 9 de maio de 2019

VERDADEIRO

Em março de 2019, o Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou 344 vítimas de homicídio doloso. Esse número, de fato, representa uma redução de 32,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em março de 2018, o Rio de Janeiro teve 508 vítimas de homicídio doloso.  


“(…) [Cabral] entregou [o governo do RJ] com mais de R$ 120 bilhões em dívida”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em entrevista à GloboNews no dia 10 de maio de 2019

EXAGERADO

O relatório da Lei de Responsabilidade Fiscal de 2015 mostra que quando o ex-governador Sérgio Cabral deixou o governo do Rio de Janeiro, em 2014, o estado tinha uma dívida de R$ 79 bilhões – e não de R$ 120 bilhões, como afirmou Witzel. O número utilizado por Witzel é 51,8% maior do que o real.

O dado mencionado pelo governador seria correto quando analisada a dívida herdada do governo Pezão.   

Procurada para comentar, a assessoria do governador não respondeu.


“Nós estamos com um déficit de mais de 25 mil vagas [prisionais no RJ]”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em entrevista ao programa Jornal do Rio no dia 30 de abril de 2019

EXAGERADO

Os dados do Geopresídios, sistema mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, mostram que o déficit de vagas nos estabelecimentos prisionais do Rio de Janeiro chegou a 22.052 em maio deste ano. O número é 13,3% menor do que o mencionado por Witzel. O déficit prisional  representa a diferença entre o número de vagas disponíveis nos presídios e o de pessoas presas no estado.

Segundo o Geopresídios, em maio, 54.137 pessoas estavam detidas no Rio de Janeiro. O sistema também indica que existem 30.092 vagas nas 56 instalações prisionais fluminenses. Assim, a diferença entre os dois seria de 24.045, dado mais próximo ao que foi dito pelo governador. As informações são do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que não soube explicar a discrepância nos números informados no sistema. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária também não explicou a diferença.

O Infopen (Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias), do antigo Ministério da Justiça, mostrava que o Rio de Janeiro tinha um déficit de 21.776 vagas (página 20) em junho de 2016, dado mais recente disponibilizado pelo estudo.

Procurada para comentar, a assessoria do governador não respondeu.


“Hoje, os presídios [do RJ], em média, têm capacidade para 500 presos (…)”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em entrevista ao programa Jornal do Rio no dia 30 de abril de 2019

VERDADEIRO

Os dados do sistema Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça, mostram que os presídios têm, em média, 537 presos no Rio de Janeiro. O estado tem 30.092 vagas em 56 estabelecimentos prisionais em nove municípios.      

 

Editado por: Natália Leal

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SUBESTIMADO
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