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#Verificamos: Imagem faz acusações falsas contra Glenn Greenwald, David Miranda e Jean Wyllys

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.jun.2019 | 08h00 |

Circula pelas redes sociais uma imagem com fotos do cofundador do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, de seu companheiro, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), e do ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Legendas “informam” que Greenwald é traidor dos Estados Unidos, que Miranda é acusado de terrorismo na Grã-Bretanha e que Wyllys é suspeito no atentado contra Bolsonaro.

O Intercept Brasil publicou uma série de reportagens em 9 de junho que revelaram conversas privadas entre o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, e o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Glenn Greenwald (Traidor dos Estados Unidos)”
Texto de imagem que, até as 11h30 de 12 de junho de 2019, tinha mais de 5,7 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

A informação é falsa. Glenn Greenwald jamais foi acusado formalmente de traição pelo governo dos Estados Unidos. Ele foi o jornalista responsável por revelar, em 2013, os documentos secretos reunidos por Edward Snowden, ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA), sobre o programa de vigilância interno e global promovido pelos norte-americanos. Snowden é quem sofre acusações criminais nos EUA, por espionagem, e será preso se voltar ao país – e não Greenwald. Desde a publicação das informações pela imprensa, Snowden vive na Rússia, onde obteve asilo político.

Em 2014, Greenwald subiu ao palco do Oscar, ao lado da diretora Laura Poitras, que recebeu o prêmio de melhor documentário por Cidadãoquatro. O filme conta os bastidores do caso Snowden. A presença do jornalista não seria possível se ele tivesse sido acusado de traição pelo governo dos Estados Unidos. Ele seria preso ao desembarcar no país.


“David Miranda (Acusado de terrorismo na Grã-Bretanha)”
Texto de imagem que, até as 11h30 de 12 de junho de 2019, tinha mais de 5,7 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

David Miranda não responde a uma acusação de terrorismo no Reino Unido. Ele foi detido no aeroporto de Heathrow, em Londres, em 18 de agosto de 2013, quando viajava de Berlim, na Alemanha, para o Rio de Janeiro. Agentes de segurança prenderam o marido de Greenwald com base na lei contra o terrorismo britânica de 2000, usando um dispositivo que permite o interrogatório de pessoas consideradas suspeitas na fronteira.

Ele teve apreendido um disco rígido criptografado com material secreto ligado ao caso Snowden, que seria entregue a Glenn Greenwald no Brasil. Miranda passou por um interrogatório, em que disse ter sofrido tortura psicológica, e foi liberado nove horas depois.

Em 2016, uma corte de apelações britânica considerou que a detenção foi legal, mas violou o artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, que trata da liberdade de expressão. Para o tribunal, o poder de detenção não tem amparo legal suficiente se usado contra informação ou material jornalístico.


“Jean Wyllys (Suspeito no atentado ao Bolsonaro)”
Texto de imagem que, até as 11h30 de 12 de junho de 2019, tinha mais de 5,7 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

O ex-deputado federal Jean Wyllys não foi considerado suspeito no atentado sofrido pelo então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) em 6 de setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, em Juiz de Fora. O relatório final da Polícia Federal sobre o caso pediu o indiciamento do autor da facada, Adélio Bispo de Oliveira, e não cita Wyllys em nenhum momento.

“Descartou-se, como dito alhures, a participação direta de terceiros em coautoria com Adélio Bispo de Oliveira no dia e no momento da prática do atentado, seja emprestando apoio moral ou material”, diz um trecho do relatório.

A associação de Wyllys ao atentado foi feita por meio de boatos espalhados nas redes sociais depois que ele renunciou ao mandato, em 24 de janeiro de 2019. A sua saída do país, por conta de uma série de ameaças recebidas, foi associada por sites de direita e ultradireita a uma tentativa de fugir das autoridades. Perfis anônimos no Twitter fizeram as primeiras acusações, que depois foram reproduzidas por contas com milhares de seguidores.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Natália Leal

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