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#Verificamos: É falso que imagem antiga mostre Miriam Leitão com arma na guerrilha

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.jul.2019 | 17h16 |

Circula pelas redes sociais uma foto antiga com uma mulher empunhando uma arma ao lado do capitão do Exército Carlos Lamarca, que participou da luta armada contra a ditadura. Uma legenda diz se tratar da jornalista Miriam Leitão. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A inocente Miriam Leitão segurando uma inocente furadeira…”
Texto de imagem que, até as 16h de 22 de julho de 2019, tinha mais de 4,5 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

A mulher retratada na foto analisada pela Lupa não é a jornalista Miriam Leitão, mas uma bancária não-identificada do Bradesco. A imagem foi feita por um fotógrafo do Grupo Folha em 22 de janeiro de 1969, durante a ditadura militar. Naquele dia, houve um treinamento de defesa contra assaltos para os funcionários do banco no quartel de Quitaúna, em Osasco (SP). O curso era voltado especialmente para as pessoas que trabalhavam nos caixas e, entre os instrutores, estava o capitão Carlos Lamarca. Mais tarde naquele ano, ele abandonou o Exército para integrar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das organizações que lutaram contra a ditadura militar. Foi morto em 1971.

Em janeiro de 1969, quando a foto foi tirada, Miriam Leitão tinha apenas 15 anos e vivia em Caratinga, no interior de Minas Gerais. Ela jamais foi acusada de participar da luta armada contra a ditadura, e sim de participar do PCdoB, à época um partido clandestino, de aliciar estudantes, e de fazer panfletagem e pichações. Foi presa aos 19 anos, grávida, quando morava na cidade de Vitória (ES). Durante esse período, foi torturada, espancada e ameaçada de estupro. Miriam foi inocentada de todas as as acusações feitas contra ela na ditadura.

Publicações inverídicas sobre a jornalista, que é colunista de economia do Grupo Globo, voltaram a circular nos últimos dias, depois que o presidente da República, Jair Bolsonaro, a criticou em um café da manhã com a imprensa estrangeira, em 19 de julho. Bolsonaro disse que Miriam participou da luta armada e foi presa quando se dirigia para a guerrilha do Araguaia. Ambas as informações são falsas. No ano passado, a Lupa desmentiu a informação de que a jornalista foi presa por participar de um assalto a banco em São Paulo.

Essa informação também foi verificada pelos sites Aos Fatos e Estadão Verifica.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Chico Marés

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