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#Verificamos: É falso que governo Bolsonaro retirou insulina do SUS

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.jul.2019 | 16h43 |

Circula pelas redes sociais uma imagem que informa que a insulina não está mais disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). A publicação começou a circular depois da divulgação de uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo, que afirmava que o Ministério da Saúde suspendeu os contratos de 18 remédios de distribuição gratuita pelo SUS. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Espaço dedicado para os eleitores do Bolsonaro explicarem a retirada da INSULINA do SUS”
Imagem  que, até as 16h de 23 de julho de 2019, tinha mais de 1,5 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O Ministério da Saúde informou que, atualmente, as empresas Bahiafarma, Eli Lilly e Novo Nordisk fornecem insulinas humanas NPH e Regular para a pasta. Destas, apenas a Bahiafarma teve os serviços suspensos temporariamente, como mostraram reportagens (aqui e aqui) publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo no dia 16 de julho de 2019. 

“O processo de suspensão da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da empresa Bahiafarma não causa desabastecimento ou falta desses produtos para a população. Para garantir o abastecimento da rede, o Ministério da Saúde vem realizando compras desses produtos por outros meios previstos na legislação do SUS”, informou o Ministério. 

Segundo a pasta, atualmente, não existe falta do medicamento no SUS. “As insulinas humanas NPH e Regular permanecem disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), como já acontece há mais de 10 anos”, diz a nota. 

A Bahiafarma criticou as ações adotadas pelo Ministério da Saúde e destacou que, atualmente, a pasta gastava R$ 10,35 por dose de 10 ml da Insulina Recombinante Humana, utilizada para o tratamento de diabetes. Com o fim do PDP, o laboratório estima que o ministério precisará gastar R$ 26,55 por dose do mesmo medicamento. O Ministério da Saúde comunicou que o preço da insulina será determinado por um processo de aquisição público, visando “adquirir o preço mais vantajoso para a Administração Pública”. Sendo assim, o ministério afirma que não consegue, neste momento, prever o valor a ser gasto nas próximas compras do medicamento. 

A reportagem publicada pelo Estado de S.Paulo mostrou que o ministério suspendeu contratos a Bahiafarma, que já disponibilizava o medicamento ao SUS, e com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), que estava na fase II do processo de Parcerias Para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Segundo a própria empresa, o projeto estava sendo desenvolvido. Em nota, a Funed destacou que a suspensão é temporária e reiterou “o interesse e compromisso na manutenção da referida PDP.”

Após a publicação da reportagem, o ministério divulgou uma nota afirmando que os medicamentos foram suspensos por recomendação da Controladoria Geral da União e do Tribunal de Contas da União.

A Sociedade Brasileira de Diabetes informou que as insulinas NPH e Regular são utilizadas no tratamento de diabetes e são desenvolvidas em laboratório a partir da tecnologia de DNA recombinante. “A insulina chamada de ‘regular’ é idêntica à humana na sua estrutura. Já a NPH é associada a duas substâncias (protamina e o zinco) que promovem um efeito mais prolongado”, segundo a entidade. 

Essa informação também foi verificada pelo site Aos Fatos.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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A informação está comprovadamente incorreta
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