A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Vacinaçaõ Conta Sarampo 
Manaus - 06/03/2018

Vacinação Contra Sarampo

Foto.Altemar Alcantara/Semcom
Vacinaçaõ Conta Sarampo Manaus - 06/03/2018 Vacinação Contra Sarampo Foto.Altemar Alcantara/Semcom

Vacina, contaminação e surto em SP: veja mitos e verdades sobre sarampo

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.jul.2019 | 19h09 |

No início do mês passado, a cidade de São Paulo lançou uma campanha para prevenir o sarampo – doença infecciosa aguda, de natureza viral, e muito contagiosa. Desde então, a doença vem se espalhando pelo município e atingindo outras cidades. A meta da capital era vacinar 2,9 milhões de jovens e, até o dia 19 de julho, já foram imunizadas cerca de 150,6 mil pessoas. A Lupa separou uma série de mitos e verdades sobre o sarampo, inclusive dados recentes relacionados à crise da doença em São Paulo. Veja o resultado:

“São Paulo já teve mais de 300 casos registrados de sarampo neste ano”

VERDADEIRO

Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 350 casos de sarampo em São Paulo até o dia 12 de julho, último dado disponibilizado pela pasta. A Secretaria Estadual de Saúde indica números ainda mais graves – um total de 484 casos de pessoas contaminadas até a última sexta-feira (19). O órgão informou que 75% deles aconteceram na capital. 

Na sexta-feira (19), o estado anunciou a ampliação da campanha de vacinação para outras nove cidades: Barueri, Carapicuíba, Diadema, Mairiporã, Mauá, Santana de Parnaiba, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Taboão da Serra. A estratégia do órgão é imunizar jovens de 15 a 29 anos – grupo mais vulnerável por não ter tomado a segunda dose da vacina contra o sarampo, aplicada ainda na infância. 

Na segunda-feira (22), a prefeitura de São Paulo determinou que vacinas fossem disponibilizadas em escolas públicas. Essa medida também visa auxiliar na vacinação dos jovens de 15 a 29 anos. 


“Sarampo não é perigoso”

FALSO

O Ministério da Saúde considera o sarampo uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. Os sintomas são febre alta (acima de 38,5ºC), dor de cabeça, manchas vermelhas no corpo, tosse e conjuntivite. Caso haja suspeita da doença, a recomendação é procurar um médico. Se a contaminação for confirmada, ele deverá notificar o serviço de vigilância em saúde local.

Ela normalmente não causa complicações, mas há casos em que pode evoluir para encefalite (inflamação no cérebro), pneumonia e lesão cerebral. A Organização Mundial de Saúde estima que sarampo tenha causado 90 mil mortes em 2016.


“A vacina é o único meio eficaz de evitar o sarampo”

VERDADEIRO

A vacina contra o sarampo é a única maneira de prevenir a doença, de acordo com o Ministério da Saúde. No atual calendário de vacinação usado no Brasil, uma dose da tríplice viral – que previne contra sarampo, rubéola e caxumba – é aplicada aos 12 meses de idade e a outra aos 15 meses. 

Vale ressaltar que não existe tratamento específico para o sarampo, só formas de aliviar os sintomas. São recomendadas a administração de vitamina A para crianças contaminadas, a fim de evitar complicações, além de repouso, ingestão de líquido e alimentação leve. Antibióticos são contraindicados.


A vacina contra o sarampo deve ser tomada em duas doses”

VERDADEIRO

A vacina tríplice viral, que previne contra sarampo, rubéola e caxumba, deve ser aplicada em duas doses ainda na infância – uma aos 12 meses e outras aos 15 meses. A tríplice viral integra o calendário nacional de vacinação, definido pelo Ministério da Saúde. Assim, a vacina está disponível no sistema público – nos postos e Unidades Básicas de Saúde.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a segunda dose da tríplice viral deve ser acompanhada da imunização contra catapora. Em alguns estados, o SUS disponibiliza diretamente a vacina tetra viral – que imuniza contra as quatro doenças (sarampo, rubéola, caxumba e catapora) – às crianças de 15 meses. 


“O Brasil alcançou a meta da cobertura vacinal contra o sarampo”

FALSO


Segundo o Ministério da Saúde, a meta de vacinação contra o sarampo no Brasil é de 95%. Contudo, o país não alcança esse índice desde 2016. Em 2017, último ano completo com dados disponibilizados no Datasus, a cobertura vacinal da primeira dose da tríplice viral foi de 90,85% em 2017. As informações preliminares de 2018 e 2019 indicam uma cobertura de 90,92% e 75,57,% respectivamente.

Já a cobertura vacinal da segunda dose da tríplice viral, em 2017, foi de 76,45%. A tetra viral, aplicada em alguns estados como segunda dose da tríplice, teve cobertura de 36,86% naquele ano.


“Todos devem tomar a vacina contra o sarampo”

FALSO

O Hospital Sírio-Libanês indica que os pais não deixem de imunizar seus filhos e que os adultos que não sabem se tomaram ou não a vacina também sejam imunizados. 

Essa recomendação, no entanto, é válida para pessoas com até 49 anos. A partir dessa idade, a vacinação deve ser avaliada caso a caso. O Ministério da Saúde destaca, por sua vez, que pessoas com suspeita de sarampo, gestantes, crianças com menos de 6 meses de idade e imunocomprometidos não devem tomar a vacina.


“O sarampo estava extinto no Brasil”

VERDADEIRO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o Brasil território livre de sarampo em 2016. Desde então, o Brasil manteve o certificado dado pela entidade internacional. Em seu site, o Ministério da Saúde informa que “empreende esforços para manter o certificado, principalmente por meio do fortalecimento da vigilância epidemiológica, da rede laboratorial e de estratégias de imunização.” 

Em março deste ano, uma reportagem do G1 mostrava que existia a possibilidade do Brasil perder o certificado caso registrasse novos casos de sarampo no território. No ano passado, um surto da doença em 10 estados e o Distrito Federal resultou no registro de 10.262 casos de sarampo. A maior parte desses casos aconteceu em Roraima e Amazonas com, respectivamente, 9.779 e 349 casos de sarampo. Os dados são do último informe divulgado em 2018 sobre sarampo pelo o Ministério da Saúde.


“Só pego sarampo se encostar em alguém com a doença”

FALSO

O Ministério da Saúde classifica o sarampo como uma doença altamente contagiosa e informa que ela é transmitida por meio de secreções mucosas, como a saliva, de indivíduos doentes para outros não-imunizados. A pasta ressalta que as gotículas de secreções podem ser inaladas e, por isso, recomenda o uso de máscara quando houver aproximação de menos de dois metros do doente.


“Sarampo só se pega uma vez na vida”

VERDADEIRO

Assim como acontece com a catapora, a rubéola e outras doenças típicas da infância, quando um indivíduo contrai sarampo, o corpo gera anticorpos que impedem que, em caso de nova contaminação, a doença se desenvolva.


“Mulheres pegam mais sarampo do que homens”

FALSO

O Ministério da Saúde informa que o sarampo afeta, igualmente, ambos os sexos. A incidência, a evolução clínica e a letalidade da doença são influenciadas, segundo a pasta, pelas condições socioeconômicas, nutricionais e imunitárias das pessoas – e não pelo gênero. Aglomerações em lugares públicos e em pequenas residências também podem facilitar a transmissão da doença, de acordo com o ministério.


“Grandes eventos aumentam o risco de surto de sarampo”

VERDADEIRO

Como o sarampo é uma doença altamente contagiosa, cujo processo de contaminação é acelerado pela proximidade entre pessoas doentes e não-imunizadas, grandes aglomerações podem, sim, aumentar o risco de surto. 

Em 2018, durante a Copa do Mundo da Rússia, o Hospital Sírio-Libanês alertou para o fato de que o país-sede do torneio havia registrado 1.149 casos de sarampo de janeiro a abril daquele ano e que mais de 65 mil brasileiros viajaram para lá para assistir à competição. O receio era que eles importassem o sarampo no retorno ao Brasil. Ainda em 2018, a Secretaria de Saúde de São Paulo recomendou a vacinação para turistas que iriam à Rússia.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teve surtos de sarampo em 2013 e 2015 ocasionados por pacientes contaminados em outros países.

Editado por: Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo