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Deputados aderem mais ao Twitter e veem interações com usuários dobrarem no 1º semestre

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.jul.2019 | 07h00 |

Ao longo do primeiro semestre, os deputados federais que compõem a 56ª Legislatura da Câmara ficaram mais atentos a um dos principais campos de debate político na internet: o Twitter. O número de publicações feitas pelos congressistas cresceu 42,3% de fevereiro a junho de 2019. No mesmo embalo, praticamente dobrou a quantidade de interações dos usuários com os posts dos deputados. 

Esse movimento ainda é concentrado e polarizado. Os 10 deputados federais mais influentes no Twitter foram responsáveis por 57,4% do total de interações dos usuários com perfis de congressistas desde que a legislatura teve início, em fevereiro. Oito deles integram extremos do espectro político, divididos entre direita e esquerda – quatro são filiados ao PSL e quatro, ao PSOL.

Mais ativos na plataforma, os filiados de quatro partidos – PSL, PSOL, PT, PCdoB – receberam juntos, 82,5% das interações dos usuários do Twitter no primeiro semestre. Eles representam apenas 25% do plenário. Os deputados de esquerda tendem a postar mais. De fevereiro a junho, foram responsáveis por 65.740 tuítes – o equivalente a 55% do total de publicações de integrantes da Câmara.

Os deputados do PSL – grande destaque da direita – publicam menos, mas recebem mais respostas dos usuários em suas postagens. Desde o início da legislatura, foram 18,5 mil tuítes, que receberam 44,2 milhões de interações, ou 46,2% do total de respostas do público a manifestações de deputados no Twitter de fevereiro a junho.

Para o sociólogo e pesquisador da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Dapp) Amaro Grassi, o crescimentos nos números relacionados à atuação dos congressistas mostra também um fortalecimento do Twitter como um espaço de debate público. “O Twitter tem características que favorecem o debate político. Ele tem menos filtros, é mais em tempo real, então você consegue acompanhar o debate enquanto ele acontece, ao longo do dia. Tudo isso acabou atraindo mais interesse para o Twitter”, diz.

Por essas razões, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e os principais meios de comunicação do país também concentram suas atividades na plataforma. Assim, é natural que os deputados fortaleçam sua presença na rede. “Ela não tem o mesmo alcance que o Facebook, ou mesmo o Instagram, mas tem características que favorecem esse diálogo com o eleitor”, afirma Grassi. Nas quatro primeiras semanas da legislatura, o número de publicações de deputados no Twitter equivalia a 81,5% do total de posts que eles faziam no Facebook. Em junho, a atenção deles às duas plataformas era praticamente igual: o total de posts no Twitter representava 98,4% do total de posts no Facebook.

Centrão concentra maior parte dos inativos do Twitter

Entre os 513 deputados que compõem a Câmara atualmente, 436 têm contas no Twitter. 

No entanto, só 184 deles costumam publicar, em média, pelo menos uma vez por dia na plataforma. Por outro lado, 183 deputados podem ser considerados praticamente inativos no Twitter – ou não têm conta na plataforma, ou têm conta, mas publicam menos de uma vez por semana. Entre os inativos, a maioria – 63% – faz parte do Centrão.

Para Grassi, há uma espécie de “transição” no modo de comunicação por parte de políticos mais tradicionais. “Deputados que são de uma geração anterior, ligados a partidos mais antigos, ainda não atualizaram a forma de comunicação com a base. Talvez até pela natureza da base política de cada um”, diz. “Tem deputado que vai ter uma base mais rural, por exemplo, ou uma base territorialmente mais definida, na qual a presença física conta mais [do que a virtual].”

Na contramão estão os novos “influencers” da Câmara. De fevereiro a junho deste ano, pelo menos 100 entre os 184 deputados mais ativos na plataforma dobraram o número de interações em seus tuítes. Alguns eram praticamente inativos no início do período, e se tornaram consideravelmente influentes neste início de legislatura. 

É o caso de Filipe Barros (PSL-PR). Nas primeiras semanas, suas publicações não passavam de cem curtidas. No início de julho, o paranaense teve, somadas todas as suas postagens, mais de 158 mil retuítes, respostas e curtidas em uma única semana.

Zeca Dirceu (PT-PR) estava em um patamar um pouco mais alto, mas ainda era pouco relevante, no início da legislatura. Na semana em que “viralizou” ao chamar o ministro da Economia, Paulo Guedes, de “tchutchuca”, atingiu o patamar de 78 mil interações em uma semana – e manteve uma média de 49 mil interações a cada sete dias desde então.

Metodologia

No primeiro semestre da atual legislatura, a Lupa monitorou 496 contas oficiais de deputados federais no Facebook e 436 no Twitter usando a ferramenta Crowdtangle. Os dados foram compilados em períodos de uma semana, iniciadas a cada domingo. Os deputados foram divididos em sete grupos, com base em sua filiação: PSL, esquerda (PT, PCdoB e PSOL), centro-esquerda (PDT, PSB), Centrão (MDB, PP, PL, PSD, SD, Podemos, PTB, PSC, PROS, PMN, Patriota, Avante, PHS, PRP, PRB), PSDB/DEM, Novo, e Outros. Foram considerados somente deputados ativos no dia 18 de julho, primeiro dia do recesso – ou seja, deputados licenciados não entraram na conta. Veja os dados aqui.

Editado por: Natália Leal

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