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De ‘desastre’ a ‘importante programa’: Witzel se contradiz ao defender volta de UPPs

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.ago.2019 | 16h44 |

Na última quarta-feira (14), o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou que está estudando reestruturar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro. Criado em 2008, o programa tinha como objetivo recuperar territórios fluminenses que estavam sob o controle do crime organizado e diminuir a violência nessas áreas. Após mais de uma década da instalação da primeira unidade, as metas estabelecidas ainda não foram atingidas.

Embora esteja, agora, estudando e defendendo a volta das UPPs, Witzel já fez duras críticas ao programa. A Lupa identificou as contradições do atual governador sobre o tema. A assessoria do governo do Rio de Janeiro foi procurada para comentar as declarações de Witzel, mas não retornou.

“A UPP é um importante programa que precisa ser mantido”
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em discurso no dia 14 de agosto de 2019

CONTRADITÓRIO

Antes de ser eleito, o governador Wilson Witzel chegou a afirmar que o Programa de Polícia Pacificadora, que agora diz ser “um importante programa que precisa ser mantido”, foi um “desastre”, desestruturou a Polícia Civil e criou um “ambiente desagregador” nas forças de segurança do estado. Ele propôs, ainda, substituir as UPPs por um novo projeto, o “Comunidade Cidade”. Depois da posse, Witzel acusou o programa de “esparramar” a criminalidade pelo Rio de Janeiro.

Em setembro de 2018, quando ainda era candidato, Witzel afirmou, em entrevista ao jornal Destak, que “o projeto de Unidade de Polícia Pacificadora foi um desastre, o projeto de desestruturação da polícia civil com a criação de uma polícia que é particular, que é o Rio Presente, isso dificulta o planejamento da atividade policial.” Também disse que a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil começaram a competir no que diz respeito à investigação criminal, o que, segundo Witzel, criaria um “ambiente desagregador.” 

Ainda durante as eleições, o governador voltou a criticar as UPPs em uma entrevista à BandNews. Na ocasião, disse que faria um programa melhor do que a UPP. Nessa remodelagem, Witzel iria anunciar o projeto “Comunidade Cidade” que visaria reurbanizar ou urbanizar as principais comunidades para ter um melhor policiamento. 

Após ser eleito com a promessa de manter a segurança pública como prioridade máxima em seu governo, o ex-juiz federal voltou a traçar duras críticas ao programa. Em maio deste ano, em uma solenidade de entrega de motocicletas da PM, Witzel disse que as UPPs são parte de erros estratégicos na segurança pública do RJ. “As UPPs ajudaram a, ao invés de prender a criminalidade, esparramá-la pelo estado. Isso foi muito ruim porque, ao se esparramar pelo estado ela [a criminalidade] foi ganhando força em área onde ela não tinha. Fácil é colocar o leão fora da jaula, difícil é colocar para dentro”, afirmou o governador.

O plano de governo de Witzel, disponível no Tribunal Superior Eleitoral, também mostra o descontentamento do então candidato com o programa. “A UPP, vitrine política da situação, acabou se tornando um grande fracasso, principalmente após os grandes eventos. Política de segurança através da ocupação territorial do estado se não vier acompanhada de outras políticas públicas, não gera nenhuma efetividade”, diz o plano.

Além do anúncio feito na última quarta-feira (14), o secretário de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro, Coronel Rogério Figueiredo de Lacerda, escreveu em julho um artigo afirmando que pretendia reestruturar o programa das UPPs. No texto, Lacerda diz que os contêineres das UPPs serão substituídos por construções fortificadas de alvenaria, além de recompor e requalificar o efetivo do local e repor equipamentos e veículos. O artigo diz ainda que o governador do RJ apoia integralmente seu plano de recuperação física das instalações.

Editado por: Natália Leal e Chico Marés

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