A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Prepare-se para denunciar notícias falsas no Instagram

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.ago.2019 | 07h00 |

 

Em até 12 dias, se tudo correr conforme anunciado nos Estados Unidos, os usuários do Instagram no Brasil poderão denunciar à plataforma posts que considerarem falsos. 

O passo a passo será simples. Bastarão quatro cliques. O primeiro deverá ser dado nas reticências que aparecem no canto superior direito de cada postagem. O segundo, na palavra “denunciar”, que aparecerá em seguida. O terceiro, em “conteúdo inadequado”, e o quarto, em “informação falsa”. Feito. O Instagram saberá que aquele post pode conter informação duvidosa e poderá agir sobre ele.

Trata-se da aguardada expansão para o Instagram do programa de verificação de notícias lançado no Brasil em maio do ano passado e que, até hoje, tinha como escopo apenas o material postado no News Feed do Facebook. Trata-se da ampliação do Third Party Fact-checking Project (3PFC) para a rede social de fotos e vídeos que reúne um público mais jovem e que, em breve, também poderá contar com o apoio de checadores profissionais – certificados pela International Fact-Checking Network (IFCN) – para separar o que é ficção do que é verdadeiro.

Lançado nos Estados Unidos em 2016, o 3PFC aterrissou no Brasil em maio de 2018 pelas mãos das plataformas de fact-checking profissionais e está ativo desde então. Diariamente, fact-checkers da Agência Lupa, Aos Fatos e Estadão Verifica recebem centenas de postagens que foram feitas no Facebook e denunciadas pelos usuários dessa rede social como duvidosas. 

A partir desses registros, os checadores produzem avaliações técnicas e devolvem ao Facebook informações sobre o grau de veracidade de cada um dos conteúdos. Quando um post é classificado como “falso” pelos checadores brasileiros, o Facebook toma quatro medidas: 1- notifica o perfil responsável pela postagem; 2- notifica os usuários da plataforma que compartilharam aquele conteúdo anteriormente; 3- agrega o link oferecido pela plataforma checadora ao post falso, dentro de um campo batizado como conteúdo relacionado; e 4- diminui a entrega daquele material no News Feed de outros usuários – sem jamais deletá-lo.

A expansão desse projeto para o Instagram trará novidades. Como a rede social de fotos e vídeos não sobrevive de compartilhamentos, mas sim do uso de múltiplas hashtags, a “punição” que será aplicada a um post falso será a seguinte: ele não aparecerá nas páginas “Explorar” e “Hashtags”, informa o Instagram. Nada, novamente, será deletado da rede.

Num primeiro momento, apenas os checadores certificados dos Estados Unidos receberão levas de conteúdo do Instagram para verificar. De acordo com a marca, ainda não há data para que os brasileiros – e os checadores de outras nacionalidades – comecem a atuar na plataforma oferecendo suas avaliações técnicas sobre cada post denunciado. 

Em miúdos, isso significa que, no Brasil, a tecnologia para denunciar posts no Instagram deverá estar valendo em poucos dias, mas não o serviço de checagem.

Daí surge a primeira dúvida em relação a essa aguardada expansão. Se pensarmos do ponto de vista do usuário do Instagram no Brasil, de que serve ele ter a oportunidade de reportar uma postagem como falsa sem a certeza de que alguém, do outro lado da linha, estará trabalhando para receber essa informação e avaliá-la? É preciso dar tempo ao tempo para as respostas desta ponta do programa.

Fora isso, a medida é bem-vinda aos olhos dos checadores. O Instagram é uma plataforma que reúne um público mais jovem. Tem um caráter contemplativo. É boa a iniciativa de estimular esse conjunto de pessoas a refletir sobre a veracidade daquilo que estão vendo e apontar quando se depararem com dados claramente truncados, fora de contexto ou absolutamente falsos. Pode ser um bom exercício de “media literacy”.

A expansão também é bem-vinda num país em que comprovadamente se consome muita desinformação em formato de imagem. Nas eleições de 2018, a Lupa, a USP e a UFMG se debruçaram sobre imagens compartilhadas em grupos públicos de WhatsApp e concluíram que apenas 4 das 50 imagens mais populares eram verdadeiras. Não há dúvidas de que uma rede social como o Instagram, focada em fotos e vídeos, esteve, está e estará repleta de fake news.

Nos próximos dias, fact-checkers de todo o planeta acompanharão de perto o trabalho executado pelos companheiros americanos para entender os meandros desta nova tarefa e aprimorar a oferta de verificação. Vale acompanhar de perto o noticiário internacional sobre o assunto. Ele tende a esquentar.

*Este artigo foi publicado originalmente na edição digital da revista Época no dia 19 de agosto de 2019.

Editado por: Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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