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Queimadas aumentaram em cinco dos seis biomas monitorados pelo Inpe em 2019

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.set.2019 | 16h44 |

Os dados sobre queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, no período que vai de janeiro a agosto deste ano, houve aumento no total de focos de incêndio de cinco dos seis biomas monitorados. Além de atingir a Amazônia com maior intensidade, o aumento do fogo também ocorreu no Cerrado, na Mata Atlântica, no Pampa e no Pantanal, na comparação com os anos anteriores. Houve queda no número de queimadas apenas na Caatinga.

Sob pressão internacional por conta dos números negativos na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) editou, na semana passada, o Decreto 9.992/2019, que suspendia a permissão para uso controlado do fogo em todo o território nacional por 60 dias. Pressionado pela bancada ruralista, contudo, Bolsonaro editou dois dias depois o Decreto 9.997/2019. A medida liberou o uso das queimadas em atividades agrícolas fora da Amazônia Legal no período, desde que ligadas a atividades de colheita e autorizadas por um órgão ambiental estadual. O recuo na proibição não levou em conta o aumento das queimadas em outros biomas.

O aumento mais significativo em relação à série histórica ocorreu no Pampa, que teve 977 focos de incêndio registrados pelo Inpe entre janeiro e agosto de 2019. O número é o maior desde 2009, quando houve 1.039 incêndios detectados nesse bioma. Além disso, a quantidade de queimadas seguia em queda desde 2016. Naquele ano, o sistema de monitoramento identificou 916 focos de incêndio no Pampa.

A Amazônia teve a maior quantidade de queimadas desde 2010. Foram 46.825 até agosto deste ano, contra 58.476 em 2010. Da mesma forma que ocorreu com o Pampa, houve uma reversão na tendência de queda identificada nos anos anteriores, a partir de 2016. Em relação a 2018, o total de queimadas na Amazônia aumentou 111% na comparação entre os dois períodos encerrados em agosto.

No Pantanal, o total de incêndios foi o maior desde 2012. De janeiro a agosto de 2019, os focos detectados chegaram a 3.165. Sete anos atrás, foram 3.818. O número aumentou ano a ano entre 2014 e 2017, quando chegou a 2.283 focos de incêndio. Em 2018, houve forte redução, com apenas 603 queimadas detectadas. O total de 2019 supera em cerca de cinco vezes o do ano passado.

Tanto Mata Atlântica quanto Cerrado tiveram os maiores índices registrados desde 2016, revertendo uma tendência de queda em 2017 e 2018. Na Mata Atlântica, foram 9.607 focos este ano, contra 10.962 em 2016. Em relação ao ano passado, o aumento foi de 42%. O Cerrado teve 27.535 focos registrados em 2019, contra 31.030 três anos atrás. A alta nesse bioma em relação a 2018 foi de 38%.

Na Caatinga, único bioma que não teve alta em queimadas este ano, foram registrados 2.392 focos de incêndio no período – uma queda de 15% em relação a 2018. O recorde da série histórica é de 2012, com 4.825 focos. Desde aquele ano, o número oscilou. Caiu para 1.787 queimadas em 2013 e subiu, ano a ano, até chegar a 2.814 em 2016. Houve nova queda, para 1.609, no ano seguinte, e nova alta em 2018, com 2.806 focos detectados.

Editado por: Natália Leal

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