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Trump propôs usar bomba para destruir Dorian – um dos maiores mitos sobre furacões

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.set.2019 | 07h00 |

É de cair o queixo a quantidade de notícias falsas e o grau de informações desencontradas geradas por um furacão nos Estados Unidos. Nem mesmo o presidente Donald Trump e a mais alta cúpula da Casa Branca ficaram de fora disso.

No dia 25 de agosto, ainda bem antes de o furacão Dorian atingir categoria 5 (com ventos de mais de 257 quilômetros por hora) e ameaçar não só as Bahamas mas também boa parte da costa leste da Flórida, o site Axios revelou uma conversa mantida por Trump com seus assessores mais próximos durante uma reunião sobre a temporada de furacões. Trump estava preocupado com o avanço do Dorian, mas também com as diversas propriedades que tem no sudeste dos Estados Unidos. 

“Por que não destruímos eles (esses furacões)? Eles começam a se formar na costa da África e acabam atravessando o Atlântico. Então por que não jogamos uma bomba no olho do furacão e dissipamos ele?”, questionou o político mais poderoso do mundo.

“Senhor, nós vamos analisar essa possibilidade”, respondeu um de seus interlocutores, segundo o Axios, dando início a uma onda quase imparável de discussões online e offline sobre a possibilidade de extinguir um furacão usando uma bomba nuclear.

Desde 2016, no entanto, quando a National Geographic publicou um longo e detalhado artigo sobre o assunto, entrevistando diversos cientistas de todo o mundo, sabe-se que essa alternativa não passa de uma péssima ideia. Algo que não deveria sequer ser levado em consideração numa mesa na Casa Branca. 

Lançar uma bomba num furacão não seria suficiente para dissipá-lo. Só o tornará ainda mais perigoso. Nem Trump nem seus conselheiros mais próximos sabiam disso. Mas as redes sociais surtaram com a hipótese.

O PolitiFact, uma das plataformas de checagem mais importantes do mundo – dona de um prêmio Pulitzer -, resolveu encarar de frente a boataria. Depois de entrevistar meteorologistas do MIT e do Serviço de Meteorologia Nacional, os checadores escreveram: ao jogar uma bomba num furacão, o presidente “provavelmente acabaria tendo um furacão radioativo, algo bem pior”.

O jornal The Washington Post também abordou a questão, buscando por fim a essa história. E, como todo o ti-ti-ti causado, Trump decidiu ir ao Twitter e negar que havia aventado essa possibilidade alguma vez. Acusou o Axios de ter publicado “fake news”. O site soltou uma nota mantendo sua apuração.

Os ventos da desinformação, no entanto, não terminaram nesse debate. No fim da semana passado, as redes sociais voltaram a ser tomadas por mitos ligados aos furacões. O Dorian estava cada vez mais perto. E os fact-checkers tiveram que voltar a atuar com rapidez.

Correu nas redes sociais que o governo Trump checaria a documentação de todos aqueles que buscassem abrigos públicos durante a passagem do Dorian. A Flórida, como se sabe, tem uma enorme comunidade de imigrantes – legais e ilegais. A ideia de ser preso e deportado durante a passagem de um furacão gerou pânico e se espalhou com velocidade. A informação de que essa operação ocorrerria era, obviamente, falsa.

E, assim como acontece em momentos de inundação e terremoto em outros cantos do planeta, temporadas de furacões são altamente propícias a notícias falsas. Em anos anteriores, os americanos sofreram com falsos alertas de evacuação e – acreditem – com falsos mapas sobre o caminho das tempestades. 

Por conta disso, a International Fact-Checking Network preparou um guia (em inglês) para ser usado não só durante o Dorian mas em qualquer outro furacão. São cinco conselhos breves a serem levados a cabo por aqueles que estão no caminho dos ventos e também por aqueles que estão reportando sobre eles. O número um da lista é: “sempre saiba onde achar informação oficial”. É nela que se deve confiar durante desastres naturais.

Editado por: Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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