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Twitter estreia botão ‘ocultar resposta’ nos EUA e suscita debate sobre bolhas

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.set.2019 | 07h00 |

Desde a última quinta-feira (19), usuários do Twitter nos Estados Unidos e no Japão ganharam o poder de ‘ocultar uma resposta’ recebida na plataforma. Para isso bastam dois cliques: um no botão onde também estão as opções bloquear, silenciar e denunciar e outro na expressão ‘ocultar resposta’.

A função, que já estava disponível no Canadá, busca dar ao tuiteiro o direito de tirar de um eventual papo virtual todos aqueles comentários que ele considera desconexos e/ou ofensivos. Mas já há quem diga que a novidade também pode inflar as odiosas bolhas da internet, aqueles espaços em que as pessoas só conversam com seus iguais. 

Em seu site, o Twitter explica detalhamente o funcionamento do novo botão. E é curioso ver como a plataforma se esforçou para não copiar o ‘ocultar’ do Facebook, que também permite esconder comentários. No Twitter, quem tem uma resposta escondida toma conhecimento dessa ação. Ela fica visível. O tuíte sai do fio da conversa (thread) e entra numa nova aba onde ficam reunidas todas as respostas que foram ocultadas pelo perfil. 

Essa aba dos ‘ocultados’ é pública. Qualquer um que tiver curiosidade para ver que tipo de respostas uma pessoa está omitindo em seu Twitter pode acessar esse espaço e verificar. A plataforma acredita que esse grau de transparência pode evitar excessos e injustiças.

O sistema também prevê a devolução de uma resposta ao fio da conversa, ou melhor, seu desocultamento. Em linhas gerais, os caminhos a serem seguidos são intuitivos. A experiência do usuário (pelo menos no celular) é agradável. E os resultados obtidos no Canadá, onde o sistema funciona desde julho, têm sido interessantes.

O site TechCrunch informa que uma pesquisa feita pelo próprio Twitter indicou que 27% das pessoas que tiveram tuítes ocultados disseram que reconsideraram o conteúdo que haviam postado e a forma como elas haviam interagido em público depois de terem sido postas na lista dos omitidos. É certo que 27% é menos de um terço, mas, na luta contra a desinformação e o ódio virtual, pode ser considerado um avanço razoável.

No próprio Twitter, porém, já há quem enxergue a função como uma faca de dois gumes (“double-edge sword”, na expressão em inglês) e quem já tenha percebido que será difícil responder a um político com uma checagem que desdiga a informação que ele publicou, por exemplo.  

Há meses, quando funcionários da plataforma passaram a comentar sobre o assunto em seus perfis particulares, muitos usuários alertaram sobre um possível sumiço dos fact-checkers. No exemplo a seguir, escolhido aleatoriamente, uma usuária pondera: “fico me perguntando quantas checagens vão ser silenciadas”.

Nessa discussão, vale lembrar que corre na Justiça americana uma verdadeira batalha sobre se o presidente Donald Trump pode ou não bloquear pessoas em seu Twitter. No fim de agosto, o político entrou com recurso contestando a decisão unânime tomada por três juízes de segundo instância proibindo-o de bloquear usuários de Twitter. 

A novidade do ocultamento pode agradar o republicano.

Editado por: Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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