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Crédito: Casa Branca
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Processo de impeachment de Trump já gera onda de notícias falsas

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.out.2019 | 07h00 |

Pela quarta vez na história dos Estados Unidos, um processo de impeachment foi aberto para investigar um presidente. E os fact-checkers já estão boquiabertos com a quantidade de notícias falsas correndo em torno desse assunto. A CNN e o PolitiFact, por exemplo, já criaram páginas fixas para agregar suas checagens e evitar que a desinformação tome conta do país.

Vamos aos fatos. Na última terça-feira (24), a democrata Nancy Pelosi, que preside a Câmara dos Deputados, anunciou que o republicano Donald Trump começaria a ser investigado por ter supostamente pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelesky, a vasculhar a relação entre o filho do ex-vice-presidente Joe Biden com uma empresa de gás sediada na Ucrânia. De acordo com transcrições de telefonemas obtidas pela imprensa americana, Trump sugere ao mandatário ucraniano que Hunter Biden e seu pai deveriam ser investigados no país por suspeitas de corrupção.

Biden é hoje líder nas pesquisas de intenção de voto dentro do Partido Democrata. Se tudo continuar como está, deve enfrentar Trump nas eleições presidenciais do ano que vem. Aos olhos de Pelosi e de muitos deputados americanos, é possível que o presidente tenha usado seu cargo e sua força política para tentar preparar o terreno para a disputa eleitoral.

Agora, atenção às informações equivocadas que estão circulando pelas redes sociais. Fique atento para não compartilhá-las por aí.

Ao comentar o caso, Trump costuma dizer que um procurador ucraniano foi demitido por ter começado a investigar Hunter Biden. Até agora, não há qualquer evidência de que isso seja verdade. O que se sabe é que havia uma investigação sobre a empresa Burisma Holdings e que Hunter faz parte do conselho de diretores dela. Um procurador foi mesmo afastado do caso, mas o que ficou no seu lugar já informou publicamente que o filho do ex-presidente não violou nenhuma lei ucraniana.

Como forma de pressionar o presidente Zelesky para que ele iniciasse uma investigação contra os Biden, suspeita-se de que Trump tenha atrasado o apoio militar que os Estados Unidos dão à Ucrânia. Ao ser questionado sobre esse assunto, Trump primeiro negou que o atraso tivesse ocorrido. Depois se contradisse, afirmando que a demora se dava porque ele estava avaliando se a Ucrânia era um país honesto ou não.

Ainda nesse campo, ao se defender, Trump costuma atacar. Diz que o ex-presidente Barack Obama só mandou “travesseiros e lençóis” à Ucrânia. Falso. Dados públicos mostram que o democrata enviou Humvees, drones, radares e equipamentos de visão noturna, além de suprimentos médicos. 

Trump também alega que os europeus não apoiam a Ucrânia e que os Estados Unidos são os únicos a fazê-lo. Falso também. A Otan e diversas nações europeias direcionaram mais de 10 milhões de euros para serem gastos com equipamentos e treinamento militar na Ucrânia.

Para esta semana estão previstos novos capítulos – e, provavelmente, uma nova onda de notícias falsas. 

O secretário de Estado, Mike Pompeo, deverá fornecer à Câmara dos Deputados documentos oficiais sobre o caso. Toda a imprensa está em cima. 

Também é aguardada a audiência com Kurt D. Volker, o enviado especial da Casa Branca à Ucrânia. Volker renunciou na última sexta-feira, sem dar explicações públicas, e colocou mais lenha na fogueira.

Na própria sexta-feira, os checadores do PolitiFact deram um passo interessante. Criaram um formulário para que qualquer cidadão possa solicitar esclarecimento sobre uma determinada afirmação relacionada ao caso. Arregaçaram as mangas para trabalhar.

*Este artigo foi publicado originalmente na edição digital da revista Época no dia 30 de setembro de 2019.

Editado por: Natália Leal

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