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Imagem: Freepik.com
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Outubro Rosa: usuários do Twitter publicam mitos e verdades sobre câncer de mama

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.out.2019 | 07h01 |

O mês de outubro é marcado por ações de conscientização do câncer de mama desde a década de 90. A doença resultou na morte de 17 mil pessoas no Brasil apenas no ano de 2017 – a maioria, mulheres. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se a doença fosse identificada mais cedo, o que reforça a importância de se discutir esse assunto. 

A Lupa usou o Twitter para ver o que os usuários da rede estavam falando sobre o Outubro Rosa. Ao realizar essa busca, a agência localizou mitos e verdades sobre o tema. Veja o resultado:

“Câncer de mama ainda é a doença que mais mata no Brasil”

FALSO

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer não foi a doença que mais matou no Brasil em 2017, último ano com dados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do DataSUS. Doenças do aparelho circulatório foram as que mais resultaram em óbitos naquele ano, com um total de 358 mil mortos. O câncer apareceu em segundo lugar, com 221 mil mortes. Isso vale para ambos os sexos.

Além disso, o câncer de mama também não foi o tipo de câncer que mais matou em 2017. O câncer de traquéia, brônquios e pulmões matou 27,9 mil pessoas no Brasil naquele ano, sendo, portanto, o mais letal para os brasileiros. Em segundo lugar apareceu o câncer de cólon, reto e ânus, com 18,8 mil óbitos. O câncer de mama estava em terceiro lugar, com 16,9 mil. Isso correspondeu a 7,6% das mortes por câncer no Brasil em 2017.

Contudo, o câncer de mama foi o tipo de câncer que mais matou mulheres. Os dados do Ministério da Saúde mostram que 16,7 mil mulheres morreram em razão do câncer de mama. Em segundo lugar aparece o câncer de traquéia, brônquios e pulmões, com 11,7 mil óbitos.

A Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (IARC) estima que, em 2018, dos 18 milhões de novos casos de câncer, 11,6% são de câncer de mama, o equivalente a 2,088 milhões. São estimadas, também, 626,7 mil mortes causadas pela doença. 


“Minha mãe tem câncer de mama e todo o tratamento dela está sendo pelo SUS”

VERDADEIRO

A Lei nº 12.732, de novembro de 2012, prevê que uma pessoa que sofra de neoplasia maligna (câncer ou tumor maligno) seja tratada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O artigo 1º dessa lei estabelece que o serviço será gratuito e deverá estar de acordo com o conhecimento científico mais atualizado sobre a doença. A pessoa que desejar ser atendida pelo SUS precisa procurar o sistema e se submeter ao primeiro tratamento no prazo de até 60 dias a partir de seu diagnóstico.

Segundo o site do Ministério da Saúde, o SUS oferece cirurgias para mulheres que tiveram câncer de mama, como mastectomias, cirurgias conservadoras e reconstrução mamária. Além disso, o sistema também disponibiliza radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos para as mulheres com a doença.

Embora o tratamento seja disponibilizado pelo SUS, o acesso poderia ser mais fácil. Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Mastologia mostrou que o número de mamografias realizadas no SUS por mulheres de 50 a 69 anos, em 2018, foi o menor dos últimos cinco anos

Ao falar sobre a pesquisa em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o diretor da entidade, Ruffo de Freitas Júnior, afirmou que o número de mamógrafos no país é suficiente. “A grande questão é que eles estão mal distribuídos. E o pior: essa pesquisa mostrou que a grande maioria deles é subutilizada. Para você ter uma ideia, apenas 40% da nossa capacidade de mamografias, no Brasil, é utilizada hoje”, disse.


“Se você apalpar no autoexame já tá tarde demais pro câncer”

EXAGERADO

A detecção de um tumor por meio de autoexame não significa que ele já está grande demais para ser tratado. Há mulheres que são curadas após esse tipo de detecção. Entretanto, tumores menores do que 1 centímetro de diâmetro, em estágios menos avançados, geralmente são difíceis de detectar dessa maneira. Quanto mais cedo o câncer é detectado, maior a chance de cura. Portanto, essa prática não deve substituir a realização de exames médicos periódicos.

Em seu site, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) afirma que, atualmente, “não se recomenda o autoexame das mamas como técnica a ser ensinada às mulheres para rastreamento do câncer de mama”. Segundo a entidade, estudos apontam que o autoexame tem baixa efetividade, além de poder provocar danos. Mesmo assim, o Inca afirma que é importante a mulher prestar atenção ao seu corpo, porque pode identificar alterações nele.

O oncologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Rafael Kaliks, disse que é errado afirmar que um tumor apalpado durante o autoexame não tem cura. “Existem muitas mulheres que apalpam o nódulo quando ele tem 1 [cm], 1,5 [cm] , 2 centímetros e essas mulheres acabam sendo curadas”, disse Kaliks, por telefone.  

Para conseguir identificar um nódulo cedo, o oncologista também ressalta que a mulher precisa conhecer o seu corpo, sendo capaz de sentir mudanças nele. 

Contudo, o médico lembra que, quanto mais cedo o tumor é detectado, melhor. Por essa razão, Kaliks destacou a importância da realização de mamografia de rastreamento de forma periódica.


“Entre as vantagens do aleitamento materno para as mulheres está a diminuição do risco de câncer de mama”

VERDADEIRO

Segundo o Inca, a amamentação diminui o risco de a mãe ter câncer de mama. O movimento de sucção feito pelo bebê resulta em uma esfoliação do tecido mamário, fazendo com que células agredidas sejam eliminadas e renovadas. Além disso, taxas de hormônios que favorecem o desenvolvimento de tumores são menores nesse período.

“Quando termina a lactação, várias células se autodestroem – dentre elas, algumas que poderiam ter lesões no material genético. Outro benefício é que as taxas de determinados hormônios que favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer caem durante o período de aleitamento”, explica o Inca, em seu site

A recomendação é que os bebês se alimentem de leite materno até os 6 meses. O instituto ressalta que, se o período for maior, isso aumenta a proteção da mãe. Por essa razão, o Inca aconselha a amamentação até 2 anos de idade ou mais.

Há outros fatores comportamentais que ajudam na prevenção do câncer de mama. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a prática regular de exercícios ajuda a reduzir as chances de um câncer de mama em até 28%. Além disso, também são formas de prevenção controlar o peso, alimentar-se de forma saudável e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.


“Minha tia caiu da escada, bateu o seio e teve câncer de mama”

FALSO

Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, um trauma mamário não causa câncer de mama, independentemente da intensidade do impacto. No entanto, em alguns casos, o trauma na mama faz com que a paciente se preocupe com a região e faça exames. Com isso, a pessoa pode encontrar uma lesão que estava presente antes do acidente. Por causa disso, algumas pessoas interpretam, equivocadamente, o acidente como sendo a causa da doença.


 

“Doença que atinge 60 mil mulheres por ano e ocorre cerca de 1% em homens [no Brasil]”

VERDADEIRO

O Inca calcula, no estudo Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil, que o câncer de mama vai atingir 59,7 mil mulheres no país em 2019 (página 18). Embora seja raro, o câncer de mama também pode ocorrer em homens. O Inca aponta que os casos da doença representam 1% do total

Em 2017, 203 homens morreram da doença, segundo o Ministério da Saúde. Isso representa 1,2% do total. 

Editado por: Chico Marés e Maurício Moraes

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EXAGERADO
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A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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