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Tossir adia o infarto? Tontura é sinal de AVC? Veja mitos e verdades sobre essas doenças

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
31.out.2019 | 07h01 |

As doenças do aparelho circulatório são as que mais matam no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em 2017, um total de 358 mil pessoas vieram a óbito com doenças desse tipo. Infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outros problemas de saúde relacionados ao aparelho circulatório são temas debatidos nas rede sociais. A Lupa reuniu tuítes e uma sugestão encaminhada por uma leitora da agência para tirar algumas dúvidas sobre o assunto. Veja o resultado:

“Dizem que, se a pessoa sentir dor ou dormência no braço esquerdo, que é um sinal de que está prestes a ter um infarto”
Sugestão enviada pela leitora Teresa da Silva, do Rio de Janeiro, no dia 24 de outubro de 2019   

EXAGERADO

Uma dor ou dormência no braço não é um sinal definitivo de que uma pessoa esteja passando por um infarto. Embora este possa ser um dos sintomas de um ataque do coração, se guiar somente por isso pode ser enganoso, uma vez que essa dor pode estar relacionada, por exemplo, alterações nos músculos e tendões. 

Segundo o doutor Celso Amoedo, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a principal característica da dor do infarto é que ela se irradia do peito. Essa dor pode se espalhar por várias partes do corpo, como as costas e o braço esquerdo.

O site Ministério da Saúde destaca que, além desses sintomas mencionados pelo médico da SBC costumam ser acompanhados de suor frio, palidez, falta de ar e sensação de desmaio. Para pessoas mais idosas, o principal sintoma é a falta de ar. 

Vale destacar ainda que os sintomas de infarto se apresentam de formas diferentes em homens e mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, o ataque cardíaco nas mulheres pode ser confundido com outras “doença cotidianas”. Nesse público em específico, a dor pode começar na parte região do estômago. Contudo, o próprio ministério informa que a dor nessa área épouco frequente”. O doutor Drauzio Varella também destaca as diferenças dos sintomas do infarto em seu site.


“(…) E que, para adiar o infarto enquanto não chega a um hospital, deve tossir por que o movimento da tosse ativa a circulação e impede que o coração pare. Mais ou menos isso”

Sugestão enviada pela leitora Teresa da Silva, do Rio de Janeiro, no dia 24 de outubro de 2019   

FALSO

Embora essa seja uma informação bastante difundida entre as pessoas, segundo o Ministério da Saúde, não há evidências científicas que atestam que tossir ajude durante um infarto. Por telefone, o doutor Celso Amoedo, da SBC, também informou que essa informação não tem comprovação e que ele nunca viu diretrizes aconselhando tossir para evitar o ataque cardíaco. 

O tema também foi abordado no blog do doutor Drauzio Varella. Nele, o médico escreveu que tossir é “somente uma medida usada em casos muito específicos e não tem qualquer poder para reverter a situação”.

Essa informação já foi verificada por outros veículos de imprensa como Fato ou Fake, UOL Confere, Metrópoles


“Quem estala o pescoço tem mais chance de sofrer infarto (…)”

Usuário do Twitter no dia 24 de outubro de 2019

FALSO

O ato de estalar o pescoço não tem relação com infartos. O doutor Celso Amoedo, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), afirmou, por telefone, que não existe um estudo que comprove que quem estala o pescoço tem mais chances de sofrer um infarto. Entretanto, esse tipo de movimento, em casos raros, pode causar um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ou derrame.

Segundo o neurologista Tarso Adoni, do Hospital Sírio-Libanês, 2% dos casos de AVC acontecem quando há uma dissecção arterial, ou seja, um rompimento do revestimento interno da artéria vertebral. Essa ruptura ocorre quando a pessoa passa por leves traumas como, por exemplo, estalar o pescoço, explica o neurologista. Ou seja, ao estalar o pescoço, existe a possibilidade do rompimento desta artéria, ocasionando o derrame.  

Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros informa que cerca de 25% dos AVC em pacientes com menos de 45 anos ocorrem por dissecção arterial cervical espontânea (SCAD). Alguns desses casos são de rompimentos causados com o estalo do pescoço.

Recentemente, a notícia de que uma jovem britânica teve um infarto após fazer esse movimento foi publicada por diversos veículos brasileiros, citando o jornal britânico Daily Mail como fonte. Entretanto, trata-se de um erro de tradução: o que ela teve, na verdade, foi um AVC – no inglês, stroke.   


“Se estiver suspeitando que alguém está infartando dê 2 aspirinas (…)”
Usuário no twitter no dia 23 de outubro de 2019

VERDADEIRO, MAS

Segundo o médico Drauzio Varella, o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) é uma das medidas indicadas na hora de socorrer alguém que está tendo um infarto. “O medicamento ajuda a dissolver coágulos sanguíneos, responsáveis pelo infarto na maioria das vezes”, diz o médico. Entretanto, é preciso ter cuidado: algumas pessoas têm alergia a essa droga. Portanto, não é um tratamento indicado para qualquer paciente.

Além de ajudar no socorro de infartos, a aspirina pode auxiliar na prevenção do infarto. A Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regulamenta o consumo de alimentos e de medicamentos, informa que a aspirina pode ser utilizada para diminuir o risco de infarto e outros problemas de saúde relacionada a fluxo sanguíneo. 

Contudo, a aspirina não é recomendada para todas as pessoas e seu uso diário pode trazer efeitos colaterais, como sangramento no estômago insuficiência renal e alguns tipos de derrames.Segundo a FDA, a ingestão diária deste medicamento é mais segura quando é recomendada por um médico, que conhece o histórico médico do paciente. Além disso, pessoas que são alérgicas à aspirina não podem tomar o medicamento.

Um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp mostra que a ingestão de uma dose do ácido acetilsalicílico (AAS), conhecido popularmente como aspirina, a cada três dias pode prevenir infarto. A pesquisa foi apoiada pela Fapesp e pela Biolab Farmacêutica

“Há 50 anos o AAS tem sido adotado na prevenção de eventos cardiovasculares, mas seu uso constante pode causar irritação e sangramento gástrico – muitas vezes sem sintomas prévios. Por isso, nos últimos anos, vem se tentando reduzir a dose. Neste estudo, propomos um esquema terapêutico diferente”, explica Gilberto De Nucci, coordenador do Projeto Temático ao qual está vinculado o estudo.


“Tontura pode ser sinal de (…) AVC”
Usuário do twitter no dia 25 de outubro de 2019

VERDADEIRO

O site do Ministério da Saúde informa que entre os sintomas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) está a “vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos”. Além disso, o órgão também cita que o AVC pode ser descoberto caso a pessoa apresente uma alteração da força muscular ou formigamento (principalmente nos braços, pernas ou de um lado do corpo), assimetria facial, dificuldade de fala. 

O AVC ocorre quando há uma alteração na circulação sanguínea do cérebro, podendo ser isquêmico (obstrução de uma ou mais artérias) ou hemorrágico (ruptura de uma artéria).

Editado por: Chico Marés

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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